domingo, 16 de março de 2008

Escritas apagadas

16 de março de 2008 foi mais um domingo de quebra de tabus. Após 4 anos, o Botafogo venceu o Flamengo; o São Paulo perdeu do Palmeiras no Paulistão, coisa que não acontecia há 11 anos.

Assisti ao Fla x Bota, e dessa vez o torcedor botafoguense pode mudar completamente de postura: o time jogou com seriedade, não se abateu após os gols do adversário e soube segurar o jogo no final, explorando a já conhecida destemperança dos rubro-negros. Também não há o que reclamar do juiz, pois todos os pênaltis foram corretos (o lance em Lúcio Flávio é o mais duvidoso, mas Jaílton fez a sua especialidade: não soube marcar e acabou numa falta simples), Jônatas foi expulso corretamente (competiu com Toró no quesito "infantilidade pra prejudicar o time"), embora achei que Obina merecia apenas um amarelo (que não tinha).

Ponto negativo também para a catimba de Castillo após o 3x2. Poucos falam disso, mas se o goleiro uruguaio não segurasse a bola sem necessidade, não haveria confusão nem na final da Taça GB nem ontem. Sequer levou amarelo. E Túlio merecia tomar o segundo amarelo e ser expulso. Tanto é que foi substituído por Cuca, que já conhece a instabilidade de seu volante.

Mas chega de falar de arbitragem. O Botafogo entrou com a força máxima e fez o que todo mundo está fazendo contra o Fla: anulou Leonardo Moura. Joel precisa urgentemente encontrar alternativas, pois o lateral rubro-negro está manjado. Wellington Paulista, mais uma vez, estava no lugar certo e fez outro gol contra o Flamengo após um lance esquisito. Jorge Henrique carregou a marcação para onde quis.

O clássico também deixou exposto o que já se suspeitava: o Flamengo não tem banco. Egídio só sabe bater escanteios e entregar contra-ataques (num desses veio o segundo gol do Bota). Leonardo só confirma que foi uma contratação errada (será que o empresário de Rodrigo Arroz o indicou só pra torcida sentir saudade do prata da casa?). Gavilán está fora de forma ou "bichado"? Marcinho não corresponde quando se espera e Obina começa a irritar o torcedor com sua lentidão. Na minha opinião, ele tem o mesmo problema de Ronaldo Fenômeno: está acima do peso. Compare com o Obina que veio do Vitória, ou o de 2006. O baiano não corre mais.

Renato Augusto é que vai mostrando evolução, na bola e na personalidade: chamou o jogo pra si, convocou os companheiros a não se esconderem diante da responsabilidade, fez belas e objetivas jogadas (Castillo salvou dois chutes com endereço certo), mas cansou no segundo tempo. Pior pro Fla, que ficou sem articulação de jogadas do meio pro ataque. Não adianta colocar Maxi pra jogar pelas pontas se a bola não chega nele. Tiago Salles vai se tornando boa opção pra bola áerea, mas precisa jogar um pouco com Fábio Luciano pra melhorar seu tempo de marcação. Atuar sempre ao lado de Leonardo é crueldade com o garoto.

Os rubro-negros podem dizer que o jogo não valia muito, mas é bom a diretoria já pensar em reforços pro Brasileirão e preparar uma barquinha... O Botafogo ganha moral pro resto do campeonato, só precisa encarnar sempre o equilíbrio que mostrou ontem.

O Palmeiras venceu de virada e de goleada o rival São Paulo. Nem adianta os tricolores reclamarem dos pênaltis. Kléber está fazendo diferença, mesmo sem ser estrela. Diego Souza, Valdivia e Denílson continuam dando o que falar e pode ser que após esse clássico o Verdão arranque pro primeiro título do ano. Luxemburgo não passa um ano sem ganhar alguma coisa, e o time começa a entender isso.

O São Paulo estava desfalcado e disputa a Libertadores simultaneamente. Ok, dessa vez vai. Mas o tricolor está com um elenco pior e também não parece ter muitas opções no banco. Muricy pode praguejar o quanto quiser nas entrevistas coletivas, mas precisa fazer o mesmo com a diretoria são-paulina. Fica pra eles a mesma reflexão que serve para o Flamengo: tem time pra encarar um Brasileirão?

Pra terminar: o secretário estadual de esportes do Rio, Eduardo Paes (que administra o Maracanã), está irritado com o preço dos ingressos no estádio nos jogos da dupla Fla-Flu. Principalmente após os minguados públicos contra times pequenos. Sou a favor desse descontentamento, mas trago uma pergunta: o que está no contrato firmado entre a administração do Maraca e os clubes? Já não previa esses preços? Por que liberaram então? Esse papo todo parece demagogia de ocasião, principalmente vindo de quem é candidato a prefeito do Rio.

4 comentários:

Fabricio disse...

Querido Lessa,
o lance do Lúcio Flávio foi duvidoso? O carrinho assassino do Obina, com as duas travas prontinhas para o ataque, não merecia o vermelho? E qual o motivo que faz com que o Castillo leve cartão? Pelo que sei, os goleiros sempre vão pegar a bola quando levam gol. O destempero fica por parte daquele outro time e do chuvisco, marginal, que chuta a cabeça do meu goleiro e, sabendo que o Túlio vai devolver a bola, dá uma de "malandro" e faz a jogada do gol.
Deixando o Futebol para lá, quero dar os parabéns pelo Blog. Muito bem escrito, com uma boa análise e, na medida do possível, de acordo com "Racional" que está escrito no nome do Blog. Visitarei sempre.
Abraços

Marcos André Lessa, cristão, flamenguista, jornalista formado pela UFF-RJ disse...

Caro Fabricio,

Obrigado pela visita! Minhas opiniões quanto aos lances já estão no texto, e o espaço dos comentários é pro leitor participar mesmo. Um abração!

André Marques disse...

hoÉ Lessa, acho que dessa vez você deixou seu lado Flamenguista falar mais alto...
Se o lance do Lúcio Flávio foi duvidoso, o que dizer do penalti sobre o Obina em que o zagueiro estava de costas para ele? Sem falar que o lance foi originado pela falta de Fair Play do marginal travestido de jogador, Toró. E o que dizer do soco de Bruno em Wellington Paulista? E o penalti não marcado em Jorge Henrique? E o Tiago Sales saindo da posição de impedimento para cabecear?
Podem dizer que é choro, mas mesmo na vitória fomos prejudicados mais uma vez.

Marcos André Lessa, cristão, flamenguista, jornalista formado pela UFF-RJ disse...

Botafoguense é uma raça mesmo... rsrsrsrs
Daqui a pouco vou começar a acreditar que o Botafogo nunca erra em campo, em nada...