segunda-feira, 27 de abril de 2009

Juan e a oportunidade de ficar calado

Caro Juan,

Você é um lateral-esquerdo com qualidade, nível de seleção. Cruza bem, sabe driblar, faz gols, é raçudo, não se intimida. Mas fez papel de bobo no domingo.

Após ter levado um drible bonito, resolveu fazer feio e falar no ouvido de Maicosuel, tentando intimidar o jogador. Você pode dizer que os atletas falam esse tipo de coisa entre eles o tempo todo em campo. Errado: apenas os covardes batem e ainda botam o dedinho na cara de um adversário caído no chão.

Quero ver, Juan, quando for a sua vez. Quando um marcador violento não gostar dos seus dribles (que deram várias vitórias ao Flamengo, e que talvez você não chame de "firulas") resolver te derrubar e te ameaçar.

A verdade é que depois desse lamentável lance você não jogou mais nada na final. Sumiu, deu no máximo toques para os lados ou bateu faltas. Parece até que o intimidado foi você.

Você, Juan, com talento para o futebol, preferiu se igualar a Coelho, do Atlético-MG, ou Dinho, ex-Grêmio, verdadeiros assassinos de atletas que não querem humilhar, só fazer bonito. Uma atitude que passa aos mais novos a mensagem de que o drible, o atrevimento, a ousadia, não são coisas do futebol.

Robinho, titular absoluto da Seleção, está aí pra provar o contrário. E você sequer é convocado. Talvez seu temperamento esquentadinho atrapalhe sua carreira, repleta de cartões amarelos.

Torço para que domingo o árbitro marque você, Juan. Talvez assim você resolva jogar o futebol que sabe, mas que fica em segundo plano quando a "TPM" te ataca de jeito.

Nada substitui o talento. Só o acaso

(Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com)

E as finais do Carioca e do Paulista desse domingo mostraram bem isso. Na Vila Belmiro, Pelé assistia ao jogo e deve ter lembrado de seus tempos em campo. No Maracanã, quando a qualidade sumiu do gramado, veio a sorte de uns (e azar de outros).

São dois os grandes assuntos do domingo: os dois gols de Ronaldo. Todas as limitações do time do Corinthians são transformadas pelo "Midas" assim que ele domina a bola. Um "balão" no meio do campo é resolvido numa linda matada de bola e sai o primeiro gol. Depois, uma bola despretensiosa na ponta-direita é resolvida com um drible seco e um golaço de cobertura. Vale o ingresso.

Felipe fez milagres, Kleber Pereira dessa vez apenas perdeu gols, e fica difícil pro Santos virar no Pacaembu. Uma semana pra se esquecer dos resultados, mas para aprender as lições de levar a sério todas as competições.

No Maracanã, Ney Franco começou com a melhor estratégia: reconhecer que o seu elenco é pior que o do Flamengo e encurtar todos os espaços possíveis para o adversário. O nervosismo de não poder estar no ataque ou mandando no jogo estava claro nos rubro-negros (e na torcida).

O único vacilo foi de Alessandro, que fez pênalti em Juan. Mas mesmo depois do gol, o Fla não conseguiu se impôr. Maicosuel nao aceitava a marcação e só não conseguiu um cartão para Williams por que o árbitro não quis. O gol de Reinaldo foi uma consequência da postura do Botafogo. Pra completar, Maicosuel criou a paradinha na falta, matou a barreira e Juninho virou o jogo.

Só que no segundo tempo Ney Franco começou a empatar a partida, ao recuar o time ainda com o exíguo placar por 2 x 1. Se continuasse "sufocando" o Fla (ao menos nos primeiros 10 minutos), poderia ter conseguido mais um. E deu o imenso azar de Reinaldo e Maicosuel se machucarem no mesmo lance.

Porém, o ataque do Fla poderia estar no banco do Botafogo: é uma indigência só. Os Emersons se confundem: quem evita e quem faz gols? Na falta de alguém pra fazer a diferença, a raça de Williams e o acaso cederam o empate.

Deplorável a atitude de Juan ao querer intimidar Maicosuel daquele jeito. Pior ainda é ver Cuca e Williams defendendo o lateral e acusando o alvinegro de "falta de humildade". É ridículo. Como se o próprio Juan já não tivesse enervado seus marcadores com dribles humilhantes.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Demagogia? Me poupe...

O futebol atual, vez por outra, é acometido por "modinhas" que, se não duram pra sempre, ficam um bom tempo nos atormentando. Chamar qualquer técnico de "professor" virou lei entre os cada vez mais submissos atletas. Outra moda que enche o saco é a de poupar jogadores. E a torcida santista há de concordar comigo.

É certo que a final do Paulistão acontece no domingo que vem (só o primeiro jogo, hein?!), mas a Copa do Brasil é o melhor atalho para a Libertadores, que é o único caminho para o Mundial Interclubes. Por que poupar o time quando precisava vencer o CSA, ainda mais jogando em casa? Perdeu por 1 x 0 e agora vai tentar se consolar com um campeonato regional (se vencer).

Celso Roth foi demitido do Grêmio por ter ignorado, em parte essa modinha. Ele poupou atletas, mas para a Libertadores. E não mostrou o mesmo interesse pelo campeonato gaúcho. Rivalidades à parte (e o Gre-Nal é a maior delas): ele estava errado? Vágner Mancini estava certo? Pergunte aos flamenguistas se eles acham o melhor dos mundos ganhar apenas campeonatos estaduais...

É óbvio que cada título é diferente do outro. Mas veja o Sport, que joga com o time titular no campeonato pernambucano e na Libertadores, poupando seus atletas apenas nas substituições durante os jogos. Foi campeão e já está classificado para as oitavas-de-final na competição sulamericana. Não subestimem o campeonato de lá, pois o Náutico, o Santa Cruz e todas as torcidas não fazem pressão menor do que cá embaixo no Rio-SP.

Portanto, bem-feito para o Santos. E amadureçam também os técnicos que se lamentam por não ter tempo de montar o time e entrosá-lo para a temporada se na primeira oportunidade poupam seus elencos. Sim, na Europa isso acontece, mas não vamos comparar quanto ao nível dos reservas e à competitividade.

E esse negócio de dizer que o campeonato estadual é mais importante do que um título que poucos times brasileiros tem é demagogia pura. Só pros passionais de plantão não perturbarem o sono (e às vezes a integridade física) do treinador.

Posto isso, falemos do resto da rodada: o Cruzeiro segue bem na Libertadores. No entanto, toda primeira fase do time mineiro na competição é exemplar, mas na hora do mata-mata tem caído, ao menos nos últimos anos. Vamos ver se em 2009 a história muda.

Pelo placar não parece, mas o Fluminense sofreu para vencer o Águia de Marabá. Antes do primeiro gol, o time paraense já tinha ameaçado duas vezes e teve quatro (eu disse QUATRO) impedimentos mal marcados, que deixariam seus atacantes na cara do gol.

Aí Parreira resolveu resolver o lado direito, colocando Maicon no lugar do sumido Everton Santos. E o garoto acabou com o jogo, correndo muito, fazendo gol com as duas pernas e dando passe pra mais um. Mas o técnico campeão de 94, teimoso conservador como ele só, não deve efetivar logo o atacante como titular, mesmo tendo aparecido bem nas partidas. Pergunte a Romário se não estou certo...
(Fotos: Globoesporte.com - Santos; Julio Cesar Guimaraes - Flu)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Fica tudo pra depois


Num jogo muito ruim, o Flamengo adiou a disputa do título carioca contra o Botafogo. O gol da vitória rubro-negra representa o que foi a partida: a incompetência dos ataques foi salva por um erro da defesa.

Maicosuel não respirava em campo sem contar com dois marcadores, para onde quer que fosse. Só isso já asfixiou a criatividade botafoguense. Reinaldo, fora de ritmo ao voltar de contusão e Victor Simões só rende se estiver acompanhado dos dois. Ainda assim, o 10 alvinegro botou uma bola na trave e deixou o centroavante na cara do gol, ainda no primeiro tempo.

O Fla conseguia uma boa posse de bola, mas sem levar nenhum perigo ao gol de Renan. Além de errar passes cruciais, que deram vários contra-ataques (quase todos desperdiçados pelo Botafogo). Parar o adversário parecia ser a única preocupação do time. Emerson fez sua pior partida até então e Erick Flores entrou tarde demais.

O que se viu é que o Botafogo não tem muitas alternativas a altura de seu trio ofensivo. Resta saber se Cuca percebeu isso e se vai transformar sua estratégia a fim de fazer gols, e não só evitá-los.

O Corinthians chega à final do Paulistão sendo cirúrgico: dois contra-ataques, dois gols, e fim de papo. Boa participação de Ronaldo, mostrando que o talento ainda está lá: sua visão de jogo serviu para inverter a jogada no primeiro gol e para marcar o segundo.

Mas a imaturidade do Fenômeno continua inabalável. Campeão do mundo e maior artilheiro das Copas, ele não precisa provar mais nada pra ninguém, e aos 32 anos esperava-se que tirasse de letra críticas mil. No entanto, respondeu infantilmente a um dirigente do São Paulo, sem necessidade - ainda mais após uma boa atuação. Reprovável, mas nada surpreendente.

O São Paulo parece desnorteado sem a presença de seu capitão, e agora órfão de uma liderança dentro de campo. Possui jogadores para várias posições, um bom técnico, mas parece uma criança cheia de brinquedos que não sabe nem por onde começar. Ao menos, tem uma Libertadores pela frente.

O Santos é que reedita um filme antigo: dois garotos comandam o time em busca de um título que até há algum tempo estava longe. Neymar e Paulo Henrique mais uma vez foram decisivos numa vitória contra o Palmeiras, apesar do frango caricatural de Fábio Costa.

Luxemburgo já projeta que o time vai fazer bonito no Brasileirão, mesmo ainda com chances na Libertadores. Isso não é bom sinal... Mas se o Palmeiras colocar a cabeça no lugar e se dar conta que tem um bom elenco, tem chances de passar às oitavas-de-final da competição sul-americana.

E que cena ridícula foi a de Domingos entrando em campo só pra forçar a expulsão de Diego Souza? O zagueiro nem esconde comemoração após o meia alviverde receber o vermelho. Uma atitude tão antidesportiva quanto a de Diego ao voltar a campo só pra dar uma rasteira no provocador. Será que o "gancho" vai vingar? Num país em que a impunidade reina solta no Senado, vai saber...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Prato cheio

E aconteceu o tão (pouco) falado almoço entre as diretorias de Flamengo e Botafogo, já postado neste blog.

Bonitas declarações, que servem para acalmar os ânimos da torcida e promover a paz.
Engolindo sapo?

Minha única dúvida é a seguinte: a imprensa ficou durante todo o almoço? Menos mal que um jogador de cada time (Fábio Luciano e Leandro Guerreiro) estava presente.

Porque não dá pra confiar nos dirigentes cariocas pura e simplesmente. Ainda mais às vésperas de um jogo que, se o Botafogo vencer, significa menos renda e menos audiência.

Engolindo sapo?

Pra dar aquele molho

Assim foi a rodada de meio de semana. Começou com o Palmeiras atordoado e nervoso, precisando de uma vitória contra o Sport para respirar na Libertadores. E jogava em casa, depois de ter vencido na Ilha do Retiro.

Mas o nervosismo do Verdão e o equilíbrio do time pernambucano falaram mais alto. Mesmo tendo saído na frente e estar jogando melhor, o time do Parque Antártica cedeu o empate. E mesmo com um jogador a mais, não conseguiu furar a retranca rubro-negra. Cada jogo é um suplício pra torcida, e Luxemburgo não consegue acertar o time de maneira permanente.

O São Paulo fez o que pôde e saiu da Colômbia com um resultado ruim, mas que não chega a assustar a boa campanha que faz na Libertadores. A contusão de Rogério Ceni coloca o time na hora da verdade: o quanto o tricolor paulista depende do talento e da liderança do goleiro? Veremos domingo.

O Vasco mais uma vez mostrou que sabe curar a ressaca. Fora de casa, venceu por 3 x 0 o Central de Caruaru e eliminou o jogo da volta. Rodrigo Pimpão, que não é brilhante, conferiu mais dois gols importantes. Pena Nilton ter se machucado no último lance do jogo - é um dos pontos de equilíbrio do meio-campo vascaíno.

O Águia deu um rasante pra cima do Fluminense e colocou mais dor de cabeça em Parreira. 2 x 1, com Thiago Neves mostrando que ainda não assimilou os resultados do fim de semana e os protestos da torcida. Agredir o gandula não dá, né? Ao menos Fred voltou a marcar, e o gol pode fazer a diferença na volta.

Mas o drama da vez, quem diria, ficou com o Botafogo. A torcida finalmente compareceu em massa, o time venceu no tempo normal, mas... Logo dos pés de Maicosuel, que fez o gol da vitória, foi decretada nos pênaltis a desclassificação botafoguense de uma Copa do Brasil que ainda não estava tão difícil.

Que o artilheiro do Carioca não desanime para domingo (embora o Fla já prepare uma marcação individual). E Ney Franco podia dar uma ligada para seu amigo Dorival Júnior pra saber como motivar o time depois de resultados inesperados...

E agora? Qual vai ser a pauta do almoço das diretorias?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Diretorias e comissão técnica de Fla e Bota almoçam na antevéspera do jogo

É isso mesmo, pessoal. Segundo o diretor de futebol rubro-negro, Kleber Leite, "Queremos mostrar que o clima é de amizade e fidalguia entre os dois clubes". Bonito.

Mas para um almoço diplomático desses é necessária a presença de toda a comissão técnica de ambos os clubes?

Só pra lembrar: se o Botafogo vencer domingo, elimina os dois jogos da grande final. Seriam menos dois jogos de casa cheia (e alta bilheteria) transmitidos pela TV (com alta audiência).

domingo, 12 de abril de 2009

Mais um tira-teima

Pela terceira vez consecutiva Botafogo e Flamengo vão disputar o título carioca. O Glorioso "chocolatou" o Vasco no sábado; o rubro-negro quase fez o mesmo com o Fluminense hoje, não fossem seus maus finalizadores e o goleiro tricolor. Ambos os times venceram com autoridade de finalista.

O Botafogo parecia estar com apenas uma coisa em mente: tirar o Vasco da jogada, se possível humilhando de volta. A goleada do primeiro turno surgia em cada disputa de bola, e o inexperiente time vascaíno não conseguiu segurar o ímpeto botafoguense.

Pra piorar, Dorival Junior mexeu mal no time: não recompôs a zaga após a expulsão, tirou Paulo Sérgio (que cruza as bolas na área) para colocar Alan Kardec (que cabeceia as bolas cruzadas por Paulo Sérgio), e demorou pra entrar com Alex Teixeira. O jogo não foi lá essas coisas, mas teve o golaço de Maicossuel, que chama sempre a responsabilidade, e as belas assistências de Victor Simões. A falha de Tiago no terceiro gol do Bota sacramentou uma vitória pra dar moral.

O Vasco precisa de reforços, e não só para o banco. Mas essa partida não anula o trabalho que tem sido feito. Há uma Copa do Brasil que pode ter uma bela participação do cruzmaltino. E é essa competição que pode atrapalhar o Botafogo, pois terá que vencer o Americano quinta e ainda jogar a final da Taça Rio domingo, contra um adversário mais descansado.

O Fla-Flu foi digno da tradição do clássico. Muita emoção pra ambos os lados, mas com o time rubro-negro bem mais arrumado em campo. Juan estava inspirado e, pra completar, livre de marcação. O único erro de Fernando Henrique decretou o resultado do jogo.

No entanto, o ataque do Fla não pode perder tantos gols num jogo decisivo. O trunfo do time é a característica dos times de Cuca: boa movimentação, confundindo a marcação adversária. Mas poderia ter traduzido o domínio em gols. Se o técnico quiser mudar sua história de maneira inesquecível, precisa fazer o time acertar ainda mais.

O Corinthians venceu a primeira partida das semifinais na raça. Elias surpreendeu a zaga tricolor com um belo gol, e o time de Muricy carimbou novamente sua especialidade desde 2006: a bola aérea. Mas Cristian resolveu acreditar no bom chute que tem e botou o Timão em vantagem no último minuto de jogo!

Destaque negativo: o que foi aquele pisão criminoso de Ronaldo em André Santos? Só não foi expulso por ser Ronaldo Fenômeno. Alguém que sofreu as contusões que sofreu e dá esse tipo de entrada... É muito mimado. Depois quer alertar Adriano quanto ao tratamento da mídia - isto é, só quando a paparicação cessa. Nenhum comentarista defendeu veementemente a expulsão.

Mas o São Paulo pode muito bem dar o troco. E vai pegar ninguém menos que o Santos, que num jogo limpo despachou o Palmeiras em casa. Kleber Pereira outra vez conferindo e o garoto Neymar fazendo gol bonito no maduro Marcos.

Professor Luxemburgo não tem um bom ano, mesmo após a vitória contra o Sport. Se não passar pelo Santos, a Libertadores torna-se uma obrigação para o caro elenco do Verdão. O que seria uma missão muito difícil...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O dia em que Adriano parou

Reconheçamos: poucos, pouquíssimos jogadores de alto nível no futebol mundial teriam a transparência e a coragem de Adriano.

Por que digo isso? Porque no futebol globalizado de hoje, em que os jogadores milionários são levados a crer que são super-heróis imbatíveis, o centroavante da Inter de Milão admitiu suas fraquezas, e tomou uma decisão a partir disso com o fim de se preservar.

Além de admitir que perdeu a vontade de jogar, Adriano fez algo prático a respeito: parou de jogar. Como em toda crise pessoal, ele espera que passe (vai "dar um tempo" de dois, três meses). Mas desistiu de ficar se arrastando em campo fingindo que ainda leva a sério tudo aquilo. Uma honestidade que caberia muito bem em muitos medalhões-múmia que vemos nos gramados por aí...

Sendo que o atacante é seguidamente convocado por Dunga para a Seleção, ou seja, estava mais próximo do que muitos da Copa de 2010. Até disso Adriano abriu mão. E ainda confirmou o velho funk: "eu só quero é ser feliz/e andar tranquilamente na favela onde eu nasci".

Pode-se deduzir que o atacante está com depressão e se inferir algum problema com drogas (o que anti-doping algum jamais acusou). Mas antes disso Adriano já tinha reconhecido seu alcoolismo, e a temporada no São Paulo serviu para uma tentativa de recuperação. Não é a primeira vez que o jogador é transparente com quem o acompanha no mundo do futebol.

Não considero o estilo de jogo trombador de Adriano um modelo para o futebol, embora faça belos gols de canhota. Mas é o tipo de centroavante que injustamente ofusca talentos como Nilmar ou mesmo Alexandre Pato, que não se enquadram nesse perfil e são tão eficientes e talentosos quanto (ou mais). Só não desejo que ele encerre a carreira assim, pois ainda pode conquistar títulos e fazer gols. Como todo homem ou mulher, merece ser feliz.

No entanto, a atitude de Adriano nos relembra que o futebol é humano, demasiadamente humano. Por mais que a mídia e os cifrões insistam em nos dizer (e aos atletas) o contrário.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

É tempo de Páscoa

E o Palmeiras captou bem a mensagem. A vitória sobre o Sport, em plena "Bombonilha", com direito a golaço de Diego Souza, é a ressureição do time na Libertadores. Uma vitória cujo ânimo ainda pode ser capitalizado para as semifinais do Paulistão.

O mesmo não se pode dizer do Botafogo. Fez tudo pra perder do Americano após fazer o primeiro gol, e conseguiu. Uma preguiça quase arrogante tomou conta do time, que foi devidamente castigado. Ainda não se sabe como o time chega contra o Vasco, sábado.

O Flamengo enfrentou mais um adversário fraquíssimo, e encontrou mais dificuldades por estar com um time misto. Ponto para Cuca, que vai renovando o elenco sem contar com grandes contratações: Wellinton e Erick Flores mais maduros são aposta dele. E Emerson vai mostrando que é um atacante com recursos.

Agora, que história é essa do técnico ter que escalar Bruno por ordem da diretoria e não poder dizer por quê? Depois reclamam que o Flamengo é cercado de polêmicas...

O Inter venceu o Guarani fora de casa, mas bobeou e levou o gol que obriga o segundo jogo. Mas o campeão de tudo não pode pensar em perder essa vaga.

O Cruzeiro viveu o outro lado da moeda (que ainda não tinha conhecido em 2009): perdeu (estava invicto) e de goleada (já aplicou várias no campeonato mineiro). Que a Raposa não perca o foco na principal competição do primeiro semestre.

domingo, 5 de abril de 2009

Do insosso ao curioso

(Foto: Ivo Gonzalez /Agência O Globo)

A rodada não prometia muita coisa. Vários times já classificados para as semifinais, a dúvida seria apenas sobre quais confrontos aconteceriam. Mas Santos e Flamengo deram uma pitada de emoção.

Um Fla-Flu que não prometia muito valeu o ingresso: muitas chances de gol, com os reservas fazendo de tudo para brigar por um lugar no time. Não à toa, o garoto Alan e o "sheik" Emerson, no último minuto, fizeram os gols do empate. Diego, goleiro rubro-negro, superou a desconfiança da torcida.

O Flamengo chega às semifinais sem ter vencido nenhum clássico, mas o time titular do Fluminense não conseguiu derrotar os reservas rubro-negros. É essa a motivação para o novo clássico entre os dois, dessa vez na semifinal. Cuca vai conseguir armar um time para buscar o título, afinal? Parreira já decifrou as opções flamenguistas? Domingo pode pintar um novo jogão.

O Botafogo repete o filme: goleia um pequeno com boa atuação de Reinaldo, Victor Simões e Maicossuel. Será que o alvinegro vai levar a sério a possibilidade de eliminar o jogo final?

E o que dizer do Vasco? Oito jogos, oito vitórias, um milhão de goleadas. É o time mais "inteiro" do segundo turno, joga pra frente, com a alegria de um renascido. A torcida deve confiar na firmeza de Dorival Junior. Mas a inexperiência do elenco pode pesar ao disputar sua primeira decisão.

No Paulistão, o Santos era dado como carta fora das semifinais. E quase confirma a fama, principalmente no lance do gol de empate da Ponte Preta. Só que o alvinegro praiano tem Kleber Pereira, centroavante com fome de gol que fez 4 (um foi anulado), e só não fez chover em Campinas. Resultado: 3 x 2 pro Santos, que enfrenta o Palmeiras agora.

O Verdão, por sua vez, quase fez feio em casa num jogo muito movimentado, com milhares de chances de gol. O Botafogo saiu na frente mas Ortigoza deixou o dele com raça, e Diego Souza completou. Keirrison não parece estar em boa fase e ainda não marcou em clássicos. Mas semifinais são semifinais...

O Corinthians empatou com o Mirassol. Oh, que novidade... O troféu de campanha mais sem graça já é do Timão. No entanto, Ronaldo é artilheiro de decisões. Enfrenta o São Paulo, que relaxou contra o São Caetano. Mas pode muito bem levar o título, pois a vontade de acabar com o rótulo de "time de segundo semestre" parece real.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Chapeuzinho vermelho-e-preto

Diante da penúria, o Flamengo resolveu criar um programa específico para arrecadar dinheiro para o departamento de futebol. É o Flamengo Futebol Clube.

"O time será do tamanho que a torcida quiser", diz Kleber Leite. Ou seja, se os torcedores contribuirem financeiramente para o futebol do Fla, tudo irá bem. Se não...

Numa só tacada, o esperto dirigente foge da responsabilidade que lhe cabe como diretor de futebol do clube e a joga nas costas da torcida. Quem vai ser o otário a tirar dinheiro do bolso pra isso? O pior é que vão aparecer alguns...

E logo Kleber Leite, que em duas gestões na presidência do Fla fez a dívida aumentar, incluindo as ações trabalhistas (gente que trabalhou e não recebeu, simplesmente).

Diante disso tudo, Felipe Melo fala por todos os flamenguistas conscientes.

Ao centro, Kleber Leite, de onde nunca deveria ter saído

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Dunga, Maradona, esquisitices

Dunga possui desarranjos intestinais (para não usar o termo chulo). A Seleção joga em casa contra o lanterna das eliminatórias no mesmo dia em que a Argentina apanha de 6 da Bolívia - a goleada que o Brasil deveria ter levado contra o Equador.

Resumo a avaliação desse em jogo em um nome: Kaká. Nascido para a camisa 10 da Seleção, assim como Zico e Pelé. Faz a diferença, joga com atitude e cabeça erguida, sabendo da responsabilidade que é ser o meia de criação do Brasil. Ainda mais no reino encantado dos volantes...

De resto, que avaliar contra o Peru, que está em último? Felipe Melo mostrou luta e arrancou um gol - desempenho suficiente para ser convocado por Dunga, não para estar na Seleção. Daniel Alves ao menos mostrou que pode ser uma sombra do instável Maicon. E Luís Fabiano vai espantando os fantasmas da camisa 9.

"Cada gol da Bolívia era uma facada no meu coração", disse Maradona após o seu segundo jogo oficial comandando a Argentina. Assim deve estar o desejo de cada torcedor portenho, que ainda tem que aturar a rixa do treinador com Riquelme.

Aliás, que faca de dois gumes a escolha de Maradona como treinador. Os devotos vão blasfemar contra o "deus"?

Nada explica uma derrota por 6 x 1 para a Bolívia, mesmo em La Paz. Foi uma daquelas fatalidades que não significam nada. Mas se fosse no domingo, em Quito, explicaria tudo...