quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Mesquinharia exposta

Depois de ver um lançamento primoroso de Ronaldinho no primeiro tempo do jogo de ontem, após voltar ao meio-campo cheio de vontade, fiquei impressionado. Não com o talento do camisa 10, mas em como certos jogadores que sabem tudo de bola têm critérios mesquinhos para tocar a sua carreira. E a partida que o Gaúcho fez ontem só expôs esse aspecto.


É claro que para qualquer rotina profissional você precisa de motivação para sair de casa e ir trabalhar. Se suas perspectivas se resumem apenas a bater o ponto e voltar pra casa, sem ambição ou sonho alguns, das duas uma: ou você não se vê com capacidade para almejar mais; ou está subestimando seu potencial.

Ronaldinho já foi duas vezes o melhor do mundo, é um dos melhores passadores do futebol mundial, nunca sofreu contusões e ainda tem pelo menos uns 5 anos de carreira pela frente - suficientes para garantir seu lugar na Seleção de 2014. Até lá, pode fazer história no Flamengo.

Mas por que, diante de tudo isso, Ronaldinho só entra em campo "pra valer" de vez em quando? O Rica Perrone já abordou essa questão, mostrando também a responsabilidade da torcida no processo. Eu vou mais além: por que um jogador como Ronaldinho se contenta com tão pouco?

E quando eu digo "com tão pouco" é abdicar de resolver partidas pro Flamengo que poderiam levá-lo ao título brasileiro de 2011, por exemplo. O condenado Deivid, com mais da metade do salário atrasado em 19 meses, não pode ser acusado de falta de vontade. E Ronaldinho? Por que tanta dedicação no primeiro tempo contra o Real Potosí e tanto rame-rame característico de um jogador comum em tantos jogos?

Será que os salários são a única motivação de R10? Ou espantar o "inspetor de escola" Luxemburgo do seu cangote? Ou fechar com a panelinha da vez pra continuar a ser paparicado pelos companheiros? Pra alguém com o talento e a possibilidade física do Gaúcho, isso é migalha. É mesquinharia mesmo.

A imaturidade dos atletas profissionais de futebol de hoje é tão grande que não conseguem ver um palmo além dos 90 minutos em campo. Talvez por isso se enervem tanto com os árbitros, os únicos que ainda ousam não fazer as vontades dos jogadores. (E isso não é elogio).

Ronaldinho, Adriano, Carlos Alberto, Fred poderiam estar num patamar bem maior do que alcançaram. Com gana e fazendo todo o dever de casa, seriam inquestionáveis e teriam uma carreira estelar, recheada de títulos. Mas preferem fazer o básico, retornando a um tempo amador do futebol, em que só o talento bastava.

O talento é o diferencial, mas precisa dos pilares para sustentá-lo. E não consigo me conformar com jogadores como Ronaldinho sem ambição para fazer mais. Se num jogo como ontem, contra um adversário fraco mas crucial pra temporada, a torcida já comparece e faz festa com a  vitória... Imagina se o camisa 10 resolve contribuir dignamente com mais frequência? Será que ele não percebe que está com a faca e o queijo na mão?

Ronaldinho e seus pares poderiam ter mais atitude, pro seu próprio bem.

Um comentário:

Gustavo Sirelli disse...

Racionalmente na mosca.