domingo, 11 de julho de 2010

Erpanha!

O resultado da Copa 2010 mostrou que a justiça e a esperança podem andar juntas, ao menos no futebol. Ganhou o time que jogou na bola, fez menos faltas, buscou o gol (com paciência até demais), privilegiou o talento acima de qualquer coisa. Foi justo o título da Espanha. E também alimenta a esperança de que o estilo campeão influencie o desenrolar do futebol mundo afora.

A Holanda abriu mão da sua tradição usando a mesma lógica burra que vemos por aqui: "se sempre perdi jogando bonito, então para ganhar tenho que jogar feio". Sim, a Laranja foi mais Mecânica do que nunca, perdendo até traços de humanidade: foi o time mais faltoso, o que mais recebeu cartões. Na final, ficou clara a opção por "matar a jogada", quase matando o jogador.

Não exagero. Felipe Van Bommel Melo atingiu todas as partes da anatomia humana, revezando os jogadores espanhóis. De Jong tatuou as travas de sua chuteira no peito de Xabi Alonso, numa disputa de bola que não pedia essa violência. E na cara do juiz, que afinou ao não mostrar o vermelho. Por que os holandeses reclamaram tanto de Howard Webb?

A Espanha mostrou que o futebol deve ser inteligente e gostoso de ser jogado. Quem acompanha os jogos do Barcelona sabe que a extensa troca de passes (sempre certos) até deixar um Messi na cara do gol é característica dos espanhóis. Fazem por que são capazes e porque assim é mais fácil de jogar, isto é, de acordo com o seu potencial devidamente estimulado e desenvolvido.

"Ah, todo time tem que ter ao menos um volante pra roubar a bola, mesmo que não tenha muito talento. Senão, fica exposto". É mesmo? E é esse o perfil de Xabi Alonso, Busquets e Xavi?

"Ah, o técnico tem que impor seu estilo, deixar a sua marca no jeito do time jogar". Pois Luis Aragonés foi campeão da Euro 2008 jogando assim, e Vicente Del Bosque (que é seu desafeto!) manteve o rumo traçado. Pra que violentar a vocação de seus atletas? A Espanha mostra que o orgulho pessoal deve ser deixado de lado, principalmente pelos técnicos. Tática ajuda, mas não chuta pra gol.

Mantenho a crítica à Espanha quanto à falta de objetividade na hora de definir as jogadas. Até fazer o gol, Iniesta irritava por não chutar quando a partida pediu, por duas vezes. Mas é bom lembrar que Fernando Torres, seu melhor finalizador, "não veio" à África do Sul, estando em péssima condições físicas. E Villa definiu 4 jogos dessa campanha.

Passes certos em todos os setores do campo, volantes que sabem jogar e fazer gol, marcação preenchendo espaços sem usar a violência, banco igualmente talentoso, técnico que deixa o protagonismo para os jogadores. Não é um time perfeito, mas que tem a intenção de fazer o melhor, e não apenas fazer o resultado.

Contra os chatos de plantão, idólatras do resultado puro e simples, e preguiçosos em estimular talentos dentro de campo; para os que admiram um futebol bem jogado e por isso vencedor, ESPANHA!!!!!!

4 comentários:

Chackal disse...

Ótimo post, Marcos!
VIVA A ESPANHA! Viva principalmente a VONTADE de vencer acima de tudo!

P.S.: Felipe Van Bommel Melo foi sensacional!

André Marques disse...

Não gostei do jogo de ontem. A Holanda realmente decepcionou com um futebol covarde. Não que fosse uma ótima seleção, mas podia mais do que apresentou. A Espanha foi melhor o tempo todo, mas nada que empolgasse também.

Sinceramente, pareceu uma final de campeonato de dois times pequenos/médios. Ambos nervosos e sem saber matar o jogo. Se tivesse um time grande ontem, mesmo sem jogar bem, venceria, pois o grande na oportunidade que tem vai e mata. Mas no final acabou sendo justo: venceu a seleção que mais procurou o gol.

Enfim, estou feliz com o final de uma Copa bem chata! Que 2014 seja melhor!

Ah, espero que pelo menos um fato positivo essa Copa deixe: o fim do futebol feio e retrancado!

Marcos André Lessa disse...

André, acho que a Copa 2014 vai ser melhor. Uruguai e Argentina virão motivados, sem contar o Brasil, claro. Alemanha mais madura, Espanha defendendo o título, Itália renovada... E concordo com vc: ô finalzinha chata!

marcelo disse...

gostei de um comentário do falcão, no finzinho do jogo de ontem. ele disse que, em 82, depois da derrota do brasil, o zico teria dito que aquela copa marcaria o fim do futebol-arte. no que o próprio falcão concordava agora, porque desde então temos vivido a primazia (prima azia?) do futebol de resultado, dos esquemas táticos, das retrancas e dos técnicos propagadores dessas excrescências.