quarta-feira, 21 de abril de 2010

Alegria, alegria

O Santos é Neymar e mais dez.

O Santos é Neymar.

O Campeonato Paulista é Neymar.

O Brasil é Neymar.

Se o Santos vai ser uma Seleção de 82 - que jogou bonito mas não ganhou - só o Santo André poderá dizer.

Mas de quem vamos falar daqui a alguns anos? "O que era aquele Santos do Neymar, hein?". De maneira que eu não me importo com os títulos que esse time possa ganhar ou não. Claro, não sou santista, fica mais fácil pensar assim.

Só que o Santos de Neymar faz muito mais do que uma ótima campanha num campeonato estadual. Ele mostra que apesar da desorganização de nosso futebol, da sanha exportadora de craques cada vez mais imberbes, do futebolismo carrancudo de resultados... ainda há alegria.

A alegria de Pelé e Garrincha, a que eles sentiam e a que causavam, está revelada em Neymar e cia. Isso não é pouca coisa, e não há título no mundo que seja grande o bastante para legitimar isso.

Assim como a flor citada por Carlos Drummond de Andrade, o futebol da Vila Belmiro em 2010 atropela os malfeitores e ousa sorrir (com a diferença que o futebol do Santos não é feio):

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

(...)

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nenhuma novidade

Alguém duvida que o Carioca 2010 será um título inesquecível para a torcida do Botafogo? Se essa frase fosse proferida no final do ano passado, e até no começo deste ano... Mas olhando para o que foi o campeonato, alguém discorda que o Glorioso foi o time mais arrumado?

Quando se diz que há uma responsabilidade grande de Joel Santana na ressurreição alvinegra pode-se evocar o jeitão do técnico, sua capacidade de motivar, mas também sua competência em armar o time com o que tem nas mãos. Claro que Joel entrou sem pressão alguma, o que facilita.

"Sem pressão??" É isso mesmo, sem pressão. Depois do 0 x 6 pro Vasco, quem tinha alguma expectativa com o Botafogo? Sobre o Fla estrelado e campeão brasileiro, o Flu reforçado e entrosado após a luta contra o rebaixamento e o Vasco voltando por cima da série B, era exatamente o contrário.

Então enquanto a torcida botafoguense não levava fé e não tinha o que cobrar (nem elenco decente ela tinha), Joel contou com a confiança devota da diretoria e mostrou ao grupo o  pouco que eles tinham de bom. E que deveriam ser os melhores nesse pouco.

Os rivais, com sua gama de possibilidades de escalação, variação de jogadas, competições paralelas que disputavam atenção com o Carioca, não sabiam direito no que se concentrar. O Botafogo sabia: em fazer uma campanha digna e saber que, numa competição de baixo nível e com tiro curto, era sua grande chance de redenção.

E foi com essa confissão de fé que o Botafogo realizou a sua "procissão". E a cada "milagre" realizado, maior a crença de que algo mais era possível. Desbancou o Flamengo quando o rubro-negro ainda impunha respeito; expôs as fraquezas táticas do Vasco e conseguiu o primeiro grito de campeão; aproveitou-se da indefinição tricolor e venceu de virada o Fluminense; e chutou cachorro morto ao vencer o Fla na decisão da Taça Rio.

O Campeonato Carioca é um feijão com arroz básico (e se continuar do jeito que está, vai virar um feijão com farinha, no máximo). Mas Joel Santana não tem nada com isso e mais uma vez entregou sua especialidade: um saboroso feijão com arroz, daqueles que nem a mamãe faria.

Após a ressaca geral, resta ao Botafogo decidir: está satisfeito com o básico, ou vai partir para culinárias mais refinadas?

sexta-feira, 19 de março de 2010

A quase vitória dos chatos

O Chelsea quer levar Neymar. Estava demorando que voltasse a aparecer uma proposta milionária pelo craque da Vila Belmiro - a primeira veio do Real Madrid, antes da fama, tentando um projeto "Messi 2". Não me surpreenderia se o garoto quiser mudar de ares, mas por motivos bem diferentes da maioria dos seus contemporâneos.

Neymar tem apresentado maturidade em forma de frieza dentro de campo. Ainda em seus 19 anos não sente o peso de ser uma estrela, o principal jogador, o mais visado pelos marcadores e pelas cobranças em geral. Seja diante de um timeco ou num clássico, Neymar é sempre o mesmo: parte pra cima, não se intimida, faz gol, dribla, firula e tudo o mais.

Só que desde que humilhou o time de segunda maior torcida do país, Neymar passou a ser patrulhado como nunca antes. Se o chapéu em Chicão foi desnecessário e irritou, quando o santista justificou-se dizendo que fez porque "deu vontade", aí é que o moralismo hipócrita e subalterno não o deixou em paz.

Em vez de fazerem como o time do Palmeiras - revidando a provocação na mesma moeda, com gols e dancinhas - todo o resto do Brasil usou dos mais variados argumentos para que olhássemos Neymar como um inconsequente. E que em breve ia pagar o pato, quem sabe até fisicamente.

Fiquei impressionado em ver como a crítica esportiva e seus protagonistas se habituaram a, veementemente, condenar a malemolência brasileira que sempre existiu no futebol. Não se pega no pé dos técnicos que mandam bater, nos árbitros que não coíbem a violência, nos dirigentes que não honram as dívidas dos clubes... A bronca é sempre maior com quem joga o tal futebol bonito.

E aí Neymar vai jogando, sendo patrulhado por árbitros, marcadores e até colegas goleadores que já passaram pela mesma coisa (Ronaldo). A expulsão diante do Palmeiras, depois de apanhar o jogo inteiro, parece ter sido o primeiro momento em que o garoto cedeu à pressão. Nada mais natural.

Mas já querem dar um gancho de 18 jogos, como se ele fosse o único atleta atual a falar desaforo para o juiz.

Assim, se os demais garotos de sua idade querem ir pra Europa para se destacar mundialmente e ganhar mais dinheiro, Neymar pode ter mais um motivo pra cair fora do país: está sendo muito penoso para o santista ser ele mesmo.

Ou Neymar deixa de ser Neymar e começa a jogar um futebol "mais do mesmo" - sem ousadia, picardia e chiadeira contra a violência - ou ele não serve para o cenário atual do futebol brasileiro. Porque na onda troglodita que se apodera de nossos campos e estádios, não vai faltar gente querendo que alguém "dê uma lição" em Neymar. Ou que tudo o que ele faz é apenas firula sem propósito.

Talvez em um cenário mais civilizado (e não estou sendo eurocêntrico) Neymar possa exibir sua arte e ser aplaudido por todas as torcidas - como acontece com Messi, Tevez ou Cristiano Ronaldo por onde quer que passem. Que Neymar encontre um lugar onde ele possa ser sempre Neymar.

É curioso: parece que o futebol brasileiro só tem chance de sobreviver ao se afastar de suas paragens. A mentalidade coronelista e colonialista continua reinando, levando Neymar e assemelhados para o sacrifício.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O eterno chororô e a maturidade de Neymar

Vou te dizer: não tem nada mais sacal e repetitivo no futebol do que o chororô "o-adversário-não-está-nos-respeitando-ao-tocar-a-bola-com-classe-e-fazer-firulas-para-passar-o-tempo". A carpideira do momento é o Corinthians, tendo no técnico Mano Menezes e no Fofômeno seus principais porta-vozes. Os Meninos da Vila deitaram e rolaram e agora o nhémnhémnhém está do lado do Parque São Jorge.

O que eu fico mais encucado é que os corintianos alegam que esse tipo de atitude não tem objetividade, e visa humilhar o adversário. Então, se o Santos enfiasse uma goleada em vez de fazer a bola correr, isso seria menos humilhante? Quando o Corinthians estiver garantindo uma vaga na fase seguinte da Libertadores e, para não se arriscar, fizerem a bola correr graças ao talento de Ronaldo, Dentinho, Defederico e cia., isso será condenável?

Pra completar o festival de absurdos, Mano Menezes reclama que qualquer contato com os Meninos da Vila é considerado falta, ou cartão amarelo. Bom, se eles têm habilidade e o único recurso dos marcadores acaba sendo "matar a jogada" (o eufemismo mais frequente na boca dos técnicos), então o juiz tem que marcar. Não é óbvio?

"Ah, futebol é esporte de contato". Sim, mas se existem jogadores que fogem do contato para visar somente a bola, isso também deve ser considerado pela arbitragem.

Mas o bom mesmo é ver a maturidade e a personalidade de Neymar, provando que não é mais uma mosca-morta no cenário do futebol brasileiro. Denunciou a ameaça do zagueiro Chicão (que não precisa desse tipo de coisa, é bom jogador) em agredi-lo, afirmou que vai continuar jogando assim e que o Santos utiliza os recursos que têm. Parece veterano falando. Diante de Neymar, Robinho fica ainda mais infantil do que já é.

O Corinthians quer dar o troco? Encontre o Santos na semifinal, faça um placar favorável e firule de volta. Ou já esquecemos que o Brasil deu ao mundo jogadores como Pelé, Garrincha, Julio Cesar Uri Geller, Denner, Robinho mesmo, Ronaldinho Gaúcho, Denílson e tantos outros que fizeram o que suas torcidas adoram - humilhar o adversário com o drible, seja em que situação for.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Arbitrariedades

Depois de passarem mais de um século sendo injuriados, pressionados, com as mães sendo xingadas a torto e a direito, os árbitros de futebol encontraram a profissão certa pra virar a mesa após a aposentadoria  - comentarista de arbitragem.

Não existe ocupação mais cômoda para um ex-árbitro do que avaliar o trabalho de seus colegas do conforto da cabine da emissora, vendo e revendo um milhão de vezes todos os lances do jogo para só depois dar seu veredicto.

Assim, os homens do apito atingem a imortalidade apenas em seus benefícios: continuam julgando os lances que acontecem no gramado, mas sem a responsabilidade e as consequências possíveis. Como o distanciamento crítico relativiza-se diante do corporativismo, não são poucos os ex-árbitros que tão somente confirmam o que seus colegas acabaram de decidir ao vivo. Mesmo que a imagem não seja tão esclarecedora a esse ponto, ou que diga exatamente o contrário.

Sem contar as inúmeras vezes em que o mesmo comentarista avalia um tipo de jogada de maneiras diferentes. E isso pode acontecer até na mesma partida. Uma puxada de camisa pode ser falta, e a mesma puxada minutos depois pode não ser. A regra não é clara.

O mais irônico é que, para o novo ganha-pão, eles se servem da tecnologia que fazem questão de sonegar a seus colegas do presente. São, na maioria das vezes, solidários na hora de comentar os lances, mas sequer cogitam a possibilidade das câmeras e replays auxiliarem os juízes in loco.

O que leva os donos do apito de ontem e de hoje a uma estranha tentativa de manter o status de autoridade máxima em campo, custe o que custar. Perguntem se a Irlanda, que vai assistir à Copa na TV, concorda que o juiz é o sabe-tudo inquestionável em campo.

O pior efeito colateral dessa história é que os comentaristas de arbitragem têm enorme vocação para a arrogância, cujo maior arauto é Arnaldo Cezar Coelho. O vídeo abaixo é emblemático, e é o tipo de postura que temos que aturar nas transmissões de agora.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O rótulo

Um dos grandes problemas na análise de futebol de hoje é quando se observa o rótulo, não o conteúdo. É o que se vê quanto a Ronaldinho Gaúcho, por exemplo.

Colaram em Ronaldinho o rótulo de “ele não é decisivo quando o time precisa”, “pipoqueiro”, “amarelão”, e por aí vai. E é a partir desse estereótipo que as atuações do jogador do Milan são avaliadas. Também é pelo rótulo que opinam se ele deve ir ou não à Copa.

Ronaldinho decidiu um jogo do campeonato italiano? “Ah, só contra time pequeno”. Decidiu o clássico contra a Juventus? “Ah, a Juve faz campanha de rebaixado”. Não jogou bem contra a rival Inter de Milão? “Tá vendo? Pipocou...”.

Hoje, contra o Manchester United, Ronaldinho fez o primeiro gol, deu o passe pro segundo e levou perigo à defesa inglesa várias vezes. Mas como o Milan perdeu levando dois gols de Rooney, automaticamente o brasileiro é classificado como decepção. Se Kaká tivesse o mesmo desempenho com o Real Madrid, com o mesmo resultado final, ninguém diria isso.

É curioso constatar os dois pesos e duas medidas quando se trata de avaliar os medalhões que fracassaram na Copa de 2006. O já citado Kaká ainda faz jus a ser intocável, mas e quanto a Ronaldo, Robinho e Adriano? Ao contrário de Ronaldinho, estes três desistiram de jogar na Europa e voltaram ao Brasil. Diante do êxodo constante dos nossos melhores (e jovens) talentos, é claro que eles iriam sobrar por aqui.

Ronaldinho Gaúcho foi o único a tentar prosseguir jogando em alto nível, sem artimanhas disfarçadas de saudade de casa. Mesmo em seus piores dias na Itália, continuou buscando melhorar em meio aos melhores craques do planeta. E tem conseguido.

Ronaldo, ausente em metade dos jogos do Corinthians, merece a Copa? E Robinho, um fracasso no Manchester City (onde por muito tempo era o jogador mais talentoso mas não mostrou isso em campo)? Adriano conseguiu maior regularidade, mas não na Europa. A condescendência com eles é proporcional à crueldade com que julgam Ronaldinho Gaúcho.

E desistam de esperar o Gaúcho na Copa 2010. Dunga será mais fiel a seus lacaios, como Josué, Felipe Melo e Gilberto Silva. E até ao próprio Robinho. Está além da capacidade do técnico da Seleção flexibilizar seus métodos em nome da presença de um talentoso (embora inconstante) Ronaldinho. Para Dunga, o importante é a estabilidade e a lealdade, critérios que nunca preocuparão os medíocres com vaga certa na Copa.

Será que Ronaldinho vai ter que reinventar o futebol pra ser levado a sério novamente?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O descaso de Petkovic

Ridícula, absolutamente ridícula, a situação que Petkovic causou no Flamengo. O que você diria de um jogador que se irrita no intervalo de um clássico e deixa o estádio, enquanto todo o time (incluindo o outro atleta também substituído) tem que retornar para reverter o resultado negativo?

E o que é pior: fica circulando de carro nos arredores do estádio ouvindo o jogo no rádio tão somente para, se fosse sorteado no antidoping, voltar a tempo. Todos esses acontecimentos foram admitidos por Petkovic, que ainda mandou essa na coletiva: "Se eu cometi uma indisciplina...". Se?????

A decisão de Marcos Braz, diretor de futebol do clube, em rescindir imediatamente o contrato do sérvio foi desproporcional. Atos de indisciplina devem ser punidos de acordo com o prejuízo causado. Ainda mais no contexto atual do Flamengo, em que privilégios são concedidos e relevados com facilidade.

O empresário de Pet pode estar certo em achar que Braz tem algo pessoal contra o jogador. Mas nada disso teria acontecido se ele não tivesse chutado pro alto o compromisso que tinha com o clube e, principalmente, com seus companheiros.

Patricia Amorim já chegou com panos quentes, pois não vai querer ficar marcada como a presidente que dispensou um ídolo ainda no auge da popularidade. Vai ter que administrar a contrariedade de Marcos Braz, que já foi desgastado em sua autoridade no episódio com Andrade.

E Petkovic, se permanecer no Fla, vai ter que aceitar duas coisas, de imediato: que não é a única estrela magnânima - Vágner Love, na humildade, e Adriano, mais jovem e em ritmo de Copa, estão à sua frente; e que o time tem rendido melhor sem ele, ao menos por enquanto.

Aos 37 anos, Pet pode conseguir uma Libertadores inédita para seu currículo. É só parar com a marra que o caracterizou em outras passagens pelo clube e que estava esquecida até então.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ano domini

 

Camisa nº 3 do Corinthians, apresentada nesta semana. 

Padres designados para velórios em São Paulo  já contam com roupa esporte.

Ainda se faz pesquisa de mercado?

domingo, 31 de janeiro de 2010

O ocaso de Petkovic



O incrível Fla-Flu deste domingo teve 8 gols e a participação de novos e antigos personagens conhecidos das torcidas: Adriano, Vágner Love, Conca, Alan, Maicon, Vinícius Pacheco... Menos um: Petkovic. Ninguém está falando nisso com a veemência necessária. Quer dizer, uma pessoa está: o técnico Andrade, que não hesita em sacar o gringo quando ele não contribui para o time na partida.

Pet já tinha seu lugar garantido no coração da torcida ao fazer aquele gol da final do Carioca de 2001, contra o Vasco, aos 43 do segundo tempo. Ressuscitou em 2009 para contribuir com o tão sonhado hexacampeonato brasileiro, com atuações memoráveis. Mas até então Pet era uma surpresa diante de seus desempenhos recentes no Goiás, Atlético-MG e Santos.

Sendo uma surpresa recheada de talento (que não se esquece) e experiência, foi um dos craques do país no ano passado, e era a cereja do bolo do bem arrumado time de Andrade. No entanto, acredito que o último grande feito de Petkovic tenha sido o gol olímpico que desmontou o Galo em pleno Mineirão, abrindo a vitória final por 3 x 1. De lá pra cá, a verdade é que o sérvio não tem jogado nada, embora saiba muito bem se manter na mídia.

Nos jogos seguintes, Pet teve atuações discretas, com lampejos aqui e ali e escanteios bem cobrados, como no que originou o gol do título de Ronaldo Angelim, contra o Grêmio. Não duvido da capacidade de Pet de se adaptar a novos cenários, mas vamos aos fatos: ele não joga no nível que se espera desde os 6 minutos iniciais contra o Atlético-MG, em setembro!

O camisa 43 da Gávea pode estar manjado, e assim muito bem marcado; também pode estar fora de ritmo, já que foi o último a se apresentar na curta pré-temporada rubro-negra. O certo é que Pet tem sido um peso para o time em campo, e graças à bipolaridade da imprensa esportiva (ou exalta ou crucifica, sem perceber quando não há mais razões para tais atitudes), ainda possui crédito para não ser criticado.

Mas é bom para o Flamengo que o Petkovic atual seja questionado. Não que se apague seu passado no clube, mas olhe-se para o presente com uma pulga atrás da orelha. E ao menos o técnico tem olhado. Percebam como o time ganha em velocidade e poder ofensivo com a simples saída do gringo. Vinícius Pacheco tem aproveitado as chances, e o recém-chegado Ramon tem tudo pra fazer o mesmo.

Assim como de Ronaldinho Gaúcho, não se pode esperar que Petkovic repita temporadas estelares dia após dia. Entretanto o Flamengo precisa enxergar a realidade e saber trabalhar com ela, pois também interessa ao clube preservar um ídolo que carrega a torcida com ele.

Talvez Pet renda mais na Libertadores, diante de adversários que não o conheçam tão bem como os brasileiros. Mas é preciso que o próprio atleta perceba que não está bem (o que não duvido, já que não cria caso com as substituições) e clube e torcida, idem. O pior cego é o que não quer ver. E o que aceita barato o ocaso de um belo jogador como Dejan Petkovic.

ATUALIZAÇÃO À 01:24 - Pet vai embora do Maracanã no intervalo e briga com Marcos Braz, que o exclui do grupo. A notícia saiu horas depois da postagem.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

É de família

Ele foi um autêntico camisa 10, um meia-direita que usava de habilidades físicas e psicológicas para driblar seus marcadores (até escreveu um livro sobre o assunto). É o maior ídolo da história de um clube carioca, que tem uma torcida fiel e tradicional. Estava cotado para o grupo da Copa de 70. Ah, e também é irmão do Zico. 

Mas essa última característica só ficou conhecida depois que EDU tinha uma carreira de craque nacional mais do que consolidada. Segundo maior artilheiro da história do América-RJ (212 gols), não são poucos os que dizem que ele jogou mais que o irmão famoso.

Nessa entrevista exclusiva, concedida por e-mail direto da Grécia, Edu Coimbra transpira alegria por ter encontrado o futebol, conta histórias divertidas e emocionantes – por exemplo, ao jogar com outro irmão, Antunes, em pleno Maracanã – mostrando-se um profissional realizado dentro de campo, como jogador e também como técnico. 

FUTEBOL RACIONAL - Você começou a carreira no América-RJ mesmo. Como você chegou ao clube? Fez testes em outros clubes?

EDU COIMBRA - Comecei em 1963, se não me falha a memória, fazendo testes nos infantis e não passei na primeira tentativa numa peneira no antigo campo do Mavilis, no Caju. No ano seguinte, fui levado pelo Paulo Cesar Martins (o Puruca), meu amigo e vizinho de Quintino, para um novo teste. Aí sim, fui aprovado e nesse mesmo ano fiz minha estreia no time principal, ainda [com idade de] infanto-juvenil. O Paulo me acompanhou no primeiro teste e tinha sido aprovado.

Nunca fiz testes em outro clube a não ser o América. Mas joguei, junto com o Paulo, uma partida pelo Fluminense, na preliminar de um Rio-São Paulo da época brilhante do futebol brasileiro. Flu 3 x 1 São José, com um gol de cada. Ganhamos um belo troféu que até hoje está na galeria tricolor, na sede das Laranjeiras. O Flu nos queria, pelas belas atuações, mas respeitando o clube co-irmão (havia isso na época, acreditem), não forçou a barra.


FR- Você sempre jogou de meia-direita?

EC- Fui atacante número 9 por algum tempo, inclusive artilheiro do [Torneio] Roberto Gomes Pedrosa de 1969, e considerado o melhor jogador sul-americano daquele ano. Mesmo assim não fui convocado para a Copa de 70, ficando, porém, entre os 40 inscritos na FIFA. Com a chegada de Zizinho para dirigir o time [do América] fui alçado à camisa 10, sendo considerado o primeiro "número 1", designando o jogador mais livre num sistema inventado por ele e copiado pelo Zagallo em 70 na Copa: o 1-4-3-1-2. Portanto, a maior parte da minha carreira fui uma espécie de pivô entre a defesa e o ataque e articulador de todos os contra ataques. Sem deixar, porém, de continuar fazendo os gols que deram inúmeras alegrias na minha carreira. Foram mais de 500, para meu orgulho.

FR- Quem era o seu ídolo no futebol? Por quê?

EC- O grande ídolo da família, quando criança, foi o inimitável Dida, dono de jogadas sutis, simples e vistosas, com um aproveitamento excepcional no ataque do Flamengo e nas equipes que ele jogou em toda a sua brilhante carreira. Inclusive na Seleção, onde Pelé era seu reserva. Acho que, além do craque que foi, o número 10 do Flamengo ajudou, na construção da sua imagem, como apelo significativo na minha aprendizagem e de meus irmãos. Acima de tudo, [tinha] um grande caráter e [foi] exemplo para as gerações que se seguiram. Saudade desse tempo de Maracanã cheio e Dida fazendo diabruras em cima dos zagueiros contrários. Que belo jogador ele foi!

FR- Qual foi a sua maior alegria pelo América? E a sua maior tristeza?

EC- A alegria permanece em saber que me tornei um símbolo de empenho, dedicação e capacidade profissional, sempre lembrado como um dos maiores ídolos de sua brilhante história. Quanto à tristeza, foi a perda da Taça Guanabara de 1967, quando tínhamos equipe até para sermos campeões.

FR- Dizem que você, baixinho e habilidoso, diante dos zagueirões “grossos”, incentivava-os a fazer jogadas de efeito, sabendo que eles não iam conseguir e aí você se aproveitava para roubar a bola e passar por eles. Era isso mesmo?

EC- Escrevi um livro, Método sensorial no futebol, da infância à idade adulta, que conta um pouco daquilo que usava como meios para conseguir ludibriar os adversários, rumando em direção ao objetivo principal em cada partida: marcar gols e ajudar nas vitórias do time. Na verdade, essa foi uma das artimanhas de tantas que são usadas legalmente dentro do campo. Malícia, no bom sentido, nunca é demais no futebol e faz parte da cultura carioca, principalmente.

FR- Você tem outras histórias curiosas vividas nos tempos de jogador?

EC- A história como jogador é passado, mas creio ter deixado um legado de bons ensinamentos. Entretanto tem uma passagem interessante que posso contar: ano de 1969, jogo América x Botafogo no Maracanã lotado, valendo a Taça Guanabara. Entro em campo e um jogador do Botafogo, o zagueiro Zé Carlos, se não me engano, mais para me distrair do que propriamente falando sério, me diz: "ô baixinho, sabia que aliança de noivado dá azar nos jogos?". Coincidência ou não, o Bota faz o seu gol logo aos 2 minutos da partida, quando eu corria para o banco entregar a aliança que havia retirado do dedo. Então combino com meu saudoso irmão Antunes, grande mestre da família, que jogava ao meu lado, uma jogada em direção ao empate. Não deu outra, gol ... E no segundo tempo, mais um a nosso favor, do querido amigo, também falecido, Eduardo. Achava, a cada minuto que passava, que a virada tinha sido fruto da retirada da aliança.

Quão bobo e inocente eu fui, quando o Botafogo empatou e na prorrogação fez o gol do título com Paulo Cesar Caju, que marcou os 3! Terminada a partida, triste e cabisbaixo, peguei a aliança, recoloquei-a, com todo o carinho, e nunca mais a tirei do dedo até o dia do meu casamento. Quantos e quantos gols e vitórias ainda tive jogando com ela no dedo! Ah, se arrependimento matasse... Quem sabe com ela teríamos vencido e conquistado a Taça Guanabara? Coisas do "infantil "mundo da bola.

FR- Quem foi o seu melhor marcador?

EC- Tantos foram os bons, mas o Brito, do Vasco, foi de grande importância na minha formação adulta. Pela sua experiência, lealdade e incentivo que dava em cada partida, mesmo sendo adversário. Até hoje sou grato pelos ensinamentos e motivação, dados no início de minha carreira. Um grande jogador, zagueiro, com muita justiça campeão do mundo. Um sujeito de um coração muito maior que a sua capacidade profissional.

FR- Qual o seu jogo inesquecível?

EC- América 1 x 0 Nacional do Uruguai, Torneio Negrão de Lima, Maracanã. Jogo final e o gol da vitória feito pelo meu irmão Antunes. Foi o primeiro título da minha carreira no América. A emoção maior foi porque eu fiz o lançamento para o meu irmão e ele aproveitou magistralmente, driblando Emilio Alvarez e deslocando o fabuloso Domingues com um toque sutil e desconcertante. Um golaço confeccionado por dois irmãos!

Quando nos abraçamos na volta, para o recomeço da partida e ainda comemorando o gol, o público inteiro, com mais de 50 mil espectadores, aplaudindo de pé e reconhecendo a beleza do lance. Isso foi magnífico em minha carreira e a maior emoção que vivenciei.

FR- E o gol inesquecível? Por quê?


EC- Campo Grande 2 x 0 Portuguesa, preliminar de Vasco x Flamengo no Maraca colocando gente "pelo ladrão". Jogando pelo Campo Grande, quase em fim de carreira , aos 40 do segundo tempo, fiz um golaço,de bicicleta , numa feliz performance elástica e fazendo vibrar as duas torcidas que, juntas, gritavam “EDU! EDU! EDU!”. Foi uma apoteose tão surpreendente que meu irmão Zico, mudando a roupa no vestiário, preparando-se para o jogo principal, correu à boca do túnel para saber o que havia acontecido. Moral da história: de tão feliz ao saber do ocorrido, resolveu orgulhar ainda mais a família e deu um show no clássico, protagonizando um dos dias mais felizes para os Antunes Coimbra .

FR- Pra você, o que falta pro América voltar a ser grande? O que tem achado do momento atual do clube?

EC- O América voltou à primeira divisão, vai passar sufoco no início mas deve melhorar no decorrer da competição, caso haja investimentos em jogadores com mais bagagem e experiência que os atuais. Como sempre, uma incógnita!

FR- Você foi campeão estadual pelo Bahia em 1975. Que lembranças tem do seu período lá?

EC- Minha passagem pelo Bahia foi vitoriosa pela conquista estadual e pelos bons momentos de alegria vivenciados naquela terra abençoada pelos deuses da alegria, nos aspectos profissional, social e familiar.

FR- Você já tem uma longa carreira como técnico. O que você tem a dizer sobre essa experiência?

EC- De grande valia na minha evolução como homem das quatro linhas e com uma infinidade de ótimos resultados. Feliz pela escolha, continuando no futebol, após a carreira de jogador. Me preparei, estudei e lucro com este investimento.

FR- Você tem vontade de voltar a ser técnico de um time grande no Brasil?

EC- Estou bem auxiliando meu irmão e enquanto ele me quiser estarei fielmente ao seu lado. Até porque é uma parceria que tem dado certo .

FR- Desde o Kashima Antlers você tem trabalhado como auxiliar-técnico do Zico. Como é o dia a dia de trabalho vocês? Como é a relação entre os dois, que possuem tanta experiência dentro de campo (embora como técnico você esteja há mais tempo que ele)?

EC- De lealdade, carinho, atenção e participação efetiva . Há empatia e confiança mútuas.

FR- Você gostaria de trabalhar na comissão técnica de algum grande time da Europa?

EC- Quero estar junto do meu irmão, não importa onde e quando. Esse é meu interesse maior.

FR- O Flamengo contratou Vagner Love, jogador que trabalhou com vocês no CSKA Moscou. O que você acha?

EC- O Love é craque e portanto vai ser uma peça muito importante na temporada do Flamengo. É um grande cara que tem qualidades inquestionáveis e vai ser feliz desde que se cuide bem e atue com afinco e confiança. A torcida vai gostar, tenho certeza!

Ainda a orfandade

Segundo jogo do Botafogo na temporada, segunda vitória, após sufoco. Declaração do lateral-direito Alessandro após a partida:

"A torcida do Botafogo é isso aí. Não dá para entender. Começo de temporada. Sabe que é a dificuldade é tão grande. Torcemos para eles apoiarem a gente...Mas temos que levantar a cabeça. O grupo está junto. Temos que continuar trabalhando e esquecer o torcedor. Não podemos deixar o que vem de fora nos atingir. Uma hora, eles vão nos apoiar."

Um psicológo para a torcida alvinegra, por favor! Jogador que precisa esquecer da torcida pra jogar é o cúmulo. É melhor fechar os portões de uma vez.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Roberto Carlos: maturidade


Nunca vi nada de mais no Roberto Carlos como pessoa, embora esteja na história da Seleção como um dos melhores laterais-esquerdos que por ali passaram. Mas numa entrevista coletiva no Corinthians demonstrou maturidade, exercendo a crítica da maneira que deve ser.

Repare como o atleta lida bem com a pergunta idiota que recebe, sem cair na vulgaridade ao criticar Galvão Bueno e toda a miríade de maus profissionais que infestam o jornalismo esportivo brasileiro. Veja o vídeo aqui.

O Linha de Passe da ESPN também repercutiu o episódio.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Romário no Botafogo



Começa a temporada 2010 do futebol brasileiro e os clubes vão anunciando os seus reforços. Esperanças renovadas, torcida dando crédito e todo mundo querendo ver no que vai dar.

O que mais me chamou a atenção nessas contratações foi a repercussão da chegada de “El Loco” Abreu ao Botafogo. O segundo maior artilheiro da seleção uruguaia, de 33 anos, teve calorosa recepção no Rio de Janeiro. No dia seguinte, o clube já vendia camisas promocionais enquanto o atacante posava com o eterno Zagallo, já que vai herdar a camisa 13.

“Não era para isso tudo não. Mas carência é fogo!”, resumiu bem um amigo botafoguense. O escritor Sergio Augusto destacou a mesma coisa em artigo da revista da ESPN. Os ídolos rarearam em General Severiano, e é preciso retomar essa tradição. Até para a sobrevivência: pesquisas apontam o envelhecimento da torcida do Botafogo.

Mas eu vou além: o Botafogo não precisa somente de ídolos, mas de uma pitada de “marra”. A imagem do depressivo Cuca e do “chororô” fizeram mal ao clube, de uma maneira mais profunda que se possa imaginar. Cristalizou-se no inconsciente coletivo a idéia do “Foguinho”, o apequenamento dos sonhos do time em qualquer competição.

A partir daí, as diretorias contribuíram para a sedimentação dessa imagem para dentro de seus domínios. Nunca mais contratou jogadores com personalidade de time grande e vencedor. Todos os que chegavam tinham pés-no-chão até demais. Só almejavam uma boa campanha, nada além disso. É pouco para um dos grandes do Rio, mas ninguém lá pensava assim.

Quando Maicossuel ressuscitou seu empolgante futebol no Botafogo, ali parecia a hora da virada: melhor jogador do Carioca 2009, goleada no Vasco, defesas adversárias assustadas. Mas em maio o meio-campo seguiu para a Alemanha e o clube voltou ao que era antes. E em todos esses momentos a auto-estima da torcida acompanhou o ritmo.

O Botafogo precisa de jogadores com vontade de vencer e ganhar títulos, é certo. Mas também precisa de provocadores, de gente que reanime a gana da torcida. Atletas que não deixem barato as zoações, respondendo dentro e fora de campo. Que não admitam o tal apequenamento. A contratação de “El Loco” foi o primeiro grande passo dado nesse sentido.

Não que o uruguaio seja um fenômeno. Porém pode ser o início da mudança psicológica que o time precisa. Ainda há muito a fazer: contratar mais gente confiável, em breve trocar o técnico – se Estevam Soares der certo em 2010, ótimo. Só que também tem o hábito da murmuração, o tipo de coisa que o Botafogo não pode mais reproduzir.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pelo bem do jornalismo esportivo

Erich Beting, do site Universidade do Futebol, fez uma ótima análise sobre a cobertura jornalística do futebol nos meses em que não há competição. Muita especulação e fontes nada isentas, com prejuízo para os torcedores.

O jornalismo esportivo precisa ser levado a sério - a começar por seus profissionais. Leia o texto de Beting aqui.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O título da humildade

Se já não bastasse Andrade com seu jeitão, Petkovic recomeçando quase do zero e Adriano e suas raízes na Vila Cruzeiro... Ronaldo Angelim faz o gol do título.

Pela história do zagueiro, o hexa ganha um sabor ainda mais heróico. Assista aqui.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Os sabichões perderam

A grande contribuição do Brasileirão 2009 para o futebol é que ele deu uma rasteira nos experts que teimam em prever logicamente o que vai acontecer a cada rodada, ou ao final do campeonato. Além dos matemáticos (e de seus puxa-sacos incondicionais), que devem ter virado muitas noites refazendo seus cálculos tão certeiros. O campeonato desse ano foi uma vitória da humildade - é preciso retornar a ela para não passar vergonha em público.

E isso vale também para os técnicos que "se acham" e os jogadores que relaxam antes da hora. É só olhar, principalmente, o segundo turno do campeonato. Começou com um Palmeiras embalado e disparado na frente e um Fluminense praticamente extinto do calendário oficial. E depois? Um revezamento contínuo de candidatos ao título e suplentes da zona de rebaixamento.

O mais engraçado era ver a crônica esportiva decretar, semana após semana, que agora ia ser assim e assim (este blog aqui inclusive!), e aí o imponderável do futebol acontecia, o favorito tropeçava e a sabedoria dos entendidos da bola virava um castelo de cartas.

E assim como o Lázaro bíblico, quem poderia prever o festival de ressurreições? Fluminense, Fred, Petkovic, Andrade, Ricardo Gomes, o próprio Adriano... Quem poderia prever que até o último suspiro um monte de times poderia levar o título? Pergunte aos torcedores do Flamengo se eles estão tranquilos para domingo que vem.

Especificamente sobre a rodada de ontem, quais as constatações? O Corinthians continuou com a preguiça de vaga garantida na Libertadores; o Flamengo mostrou que tem elenco, já que Adriano (e Pet, convenhamos) foram desfalques; o Inter prova que tem um bom time; o Palmeiras, se mantiver o elenco, pode acertar com Muricy em 2010; o Fluminense dá ainda mais orgulho para a torcida; o Botafogo está pedindo para fecharem o caixão da Série A.

Não concordo quando dizem que o Campeonato Brasileiro está nivelado por baixo. Tivemos jogos bons de emoção e de qualidade. Vamos admitir de uma vez por todas! Nossos talentos vão-se embora? Sim. Há jogos ruins? Como em qualquer campeonato nacional. A arbitragem está catastrófica? Talvez, ainda mais em tempo de TV. Mas foi um campeonato muito, muito bom de ver, do começo ao fim.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Alergia ao título?

Será que a taça do Campeonato Brasileiro foi contaminada pelo vírus da gripe suína? Só por aí dá pra explicar o "esforço" que os postulantes ao título têm feito para deixá-la escapar, tal e qual uma batata quente.

Tudo começou com o Palmeiras, que estava 500 mil pontos à frente dos demais e corria pra repetir o feito do São Paulo, de acabar com a festa muito antes do final. Mas lá veio o Verdão, descendo a ladeira, e agora a vaguinha na Libertadores vira a maior ambição do Palestra Itália.

Depois o Internacional não conseguiu lidar com o desmanche e com a troca de técnico e ficou mais longe da taça. O Atlético-MG, regular toda vida no topo da tabela, beliscou a liderança até ser derrubado pelo Flamengo em casa e também se deprimiu.

Quando São Paulo e Flamengo ficaram como virtuais candidatos para serem campeões, cada passo em falso poderia decidir a disputa. O tricolor cambaleou contra o Grêmio, deu uma recuperada contra o Vitória e então veio o jogo-chave, contra o Botafogo, no Engenhão.

E não é que o São Paulo perdeu, de virada, para o heróico Botafogo? Com o jogo acontecendo antes de Fla x Goiás, o Maracanã rubro-negro comemorou cada gol alvinegro. Uma vitória simples bastava para colocar o time da Gávea na liderança.

E não é que o Flamengo empatou sem gols contra o Goiás, em casa? Jogou com um salto tamanho 14, achando que venceria a qualquer momento. E jogou muito, muito mal.

Aí a taça do Brasileirão 2009 segue acabrunhada e com a auto-estima lá embaixo, sendo rejeitada rodada após rodada. Um dos melhores campeonatos da década pode terminar com uma grande contradição: um campeão vacilante em momentos decisivos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Desproporções

O Palmeiras demitiu Obina e Maurício após a confusão de ontem?

Então deveria ter demitido Diego Souza pelo papelão contra o Santos, no campeonato paulista deste ano, ao voltar a campo pra "bicar" Domingos.

O presidente, Luiz Gonzaga Belluzo, também deveria se demitir após o destempero rasteiro (e repetido no dia seguinte) contra a arbitragem - que prejudicou o time, sem dúvida.

O futebol brasileiro virou especialista em desproporções.

É desproporcional a pena de três jogos aplicada a Jean, volante do São Paulo. Assim como é desproporcional a cobertura da imprensa sobre as fanfarronices do STJD.

No caso do Palmeiras, uma suspensão com multa já daria conta do recado. Agora, desperdiça um zagueiro promissor e um dos artilheiros do time, que a torcida abraçou desde o começo? Em nome do quê? Da "honra às tradições do clube"? Ah, faça-me o favor.

Honrem as tradições dentro de campo, jogando bola e administrando com competência.

Nunca torci tanto pro Flamengo vencer um campeonato: um time que anda em paz, fincado no talento de seus atletas e no bom senso de seu técnico. Não dá pra elogiar a diretoria, mas ao menos Marcio Braga calou a boca.



Chutando o politicamente correto pro alto: adorei quando o argentino Nani, que tinha aberto o supercílio de Gum, leva uma cacetada e não consegue levantar, aos 47 do segundo tempo. Melhor ainda porque, na sequência, o próprio Gum decretou a desclassificação do Cerro Porteño.

Assim como foi muito bom ver o Fluminense virando o jogo na bola, a despeito da cumplicidade criminosa da arbitragem com a maldade do time paraguaio.

***

Henry não foi o primeiro, e não será o último. Ao menos enquanto a Fifa ignorar que as câmeras podem ajudar o árbitro e o espetáculo.

domingo, 15 de novembro de 2009

Primeiro e segundo normalíssimos

Analisando o momento atual (sem apontar o final da história), pode-se dizer que os times mais sólidos dessa reta final do campeonato estão nas duas primeiras colocações. São Paulo e Flamengo apresentam características muito semelhantes.

Ambos possuem um elenco cuja base joga junta há algum tempo, facilitando o entrosamento. Seus técnicos foram oficializados em meio ao Brasileirão e debaixo de muita desconfiança, e fazem campanhas melhores que os "medalhões". O clima nos dois times é bom, e tanto o carioca quanto o paulista possuem uma boa mescla de jogadores experientes e jovens.

Isso tudo talvez explique porque estão bem mais estáveis do que os que gravitam no topo da tabela. O Cruzeiro perdeu do Flu e empatou com o Grêmio quando não podia; Palmeiras e Atlético-MG não têm aguentado a pressão e ficaram ansiosos demais com a possibilidade de serem campeões, o que atrapalhou seus rendimentos. O Internacional coleciona maneiras de irritar a própria torcida.

No entanto, vejo vantagem para o Flamengo, que possui jogadores mais decisivos: Adriano e Petkovic atravessam uma fase madura, assumindo seus papéis de liderança. No São Paulo, Rogério Ceni é o único que pode ser comparado à dupla rubro-negra, mas fica lá no gol. E a arrancada rubro-negra (típica do tricolor do ano passado, vejam só) não parece querer se contentar com Libertadores.

Do lado de baixo da tabela, é de admirar a reação do Fluminense. Até jogadores medianos como Mariano estão fazendo boas partidas, e o ataque relembra a dupla vascaína Romário-Euller: Maicon transformou-se num "garçom" para Fred. O centroavante fez dez gols em dez jogos, não preciso dizer mais nada. E o passe de Conca no segundo gol foi sensacional.

Faço questão de destacar a bela homenagem feita a Washington, ex-craque do Flu, que passa por problemas de saúde. As camisas, a campanha para ajudar, fazer o Maracanã inteiro saudá-lo ao vivo foi de arrepiar. Parabéns à torcida e aos idealizadores, solidariedade e memória made in Laranjeiras.

E o Botafogo, hein? Esqueceram de levar a disposição na bagagem pra Barueri. O Fla agradece, pois o jogo contra o São Paulo, no Engenhão, virou final de Copa.

Acho um absurdo que a grande campanha do Avaí esteja sendo negligenciada pela crônica esportiva. Um time que volta à primeira divisão depois de muito tempo, já se garante na Copa Sulamericana e ameaça ir à Libertadores merece todo aplauso. E sempre jogando de igual para igual com os principais clubes do país.

Parabéns também ao técnico Silas, que faz ótimo trabalho e ainda tem uma postura exemplar, sem cair no rame-rame arrogante de muitos "cãomandantes" tupiniquins.

sábado, 14 de novembro de 2009

É Nilmar é mais 22

E o Brasil venceu a Inglaterra mais uma vez, num jogo que só valeu pelo segundo tempo. Não tem jeito: quando acontece o famigerado "nó tático" por parte de algum técnico, é garantido que a partida perde em espontaneidade e qualidade.

Quando a Seleção começou a bagunçar a marcação inglesa, ficou fácil. Até porque esse era o English Team B. Sem Terry, Gerrard, Lampard, Beckham, Ferdinand não dá pra esperar muito.

Elano vai deixando de ser o jogador burocrático de sempre pra se especializar em dar passes precisos. Michel Bastos não comprometeu na lateral-esquerda, mas também não encheu os olhos. Vou dar o desconto da pressão, mas o Brasil precisaria de outros jogos até a Copa pra fechar seu elenco com mais certeza. Corre o risco de ir à África do Sul com uma interrogação na camisa 6, seja quem for.

Ponto também pra Thiago Silva: tem uma personalidade impressionante. Vai fazer carreira na Seleção brincando.

E de novo, Nilmar é o nome do jogo. Não só mostra disposição, como uma inteligência acima da média entre os atacantes brasileiros. Mirradinho, virou especialista em se posicionar bem e usar a velocidade pra vencer mil zagueiros (estagiou no futebol gaúcho, né?).

O atacante do Villareal ainda pensa rápido: é difícil vê-lo se enrolando com a bola ou perdendo uma oportunidade - se vacilarem na frente dele, já era. Que o digam Brown e Foster, após o jogo de hoje. Isso acontece porque Nilmar já sabe o que vai fazer antes da bola chegar a ele. É a tal capacidade de antecipação, comum a grandes craques do futebol.

Agora vamos nos preparar para o próximo clássico arranjado pela CBF: Brasil x Omã...

domingo, 8 de novembro de 2009

Ao torcedor, tudo

Quem acompanha este blog sabe o quanto critico a irracionalidade do torcedor (como já diz o título). Não desprezo a paixão, mas a irracionalidade que beira a agressão.

No entanto, precisamos voltar ao beabá do futebol, desde o seu surgimento: quem faz o espetáculo dentro de campo são os jogadores; fora dele, o torcedor. Abaixo com a supervalorização de técnicos e as "melancias no pescoço" de dirigentes quase inúteis.

O que se tem visto no Mineirão com o Atlético, no Maracanã com Fla, Vasco e Flu, na Ressacada com o Avaí, nos Aflitos com o Náutico, no Palestra Itália com o Palmeiras é pra se destacar. Milhares de torcedores acompanhando seus times, lotando estádios, vibrando e cantando muito, estejam eles em cima ou embaixo na tabela.

E é pra eles que tudo deve ser proporcionado. É neles que se deve fazer um bom planejamento, boas contratações, pagar em dia, jogar com raça, treinar sempre.

Mais do que bons jogos, o returno do Brasileirão está proporcionando que testemunhemos como o torcedor comparece, mesmo sendo tratado mal - com Estatuto de Torcedor e tudo. (Os vândalos que se travestem de torcedores para brigar não são torcedores.)

Um brinde aos autênticos torcedores, que não merecem:

- um time cuja única jogada seja a bola alta na área, como o Palmeiras do "gênio" Muricy;

- uma direção que bagunça o time até não poder mais, como foi com Sport e Fluminense durante o ano;

- um calendário em que os jogos não param em datas FIFA, fazendo da convocação de seus ídolos um tormento paradoxal;

- jogos no calor escaldante, cansando-os e também aos atletas em campo, detonando a qualidade das partidas;

- um árbitro como Carlos Eugenio Simon, que depois de dar pênaltis fantasmas, parece ver o jogo com óculos do Mundo Bizarro, como na hora de anular o gol legítimo de Obina.

Mas os torcedores merecem:

- um Petkovic cheio de dores brincando de fazer gol olímpico diante da massa atleticana;

- um Fred ressurgindo contra a desconfiança dos próprios adeptos tricolores, e levando o time com ele;

- um Ronaldo fazendo gols em clássicos e golaços até em jogos que não valem nada.

domingo, 1 de novembro de 2009

Criogenia, tamos aí!

Petkovic virou maestro do Flamengo aos 37 anos...

Marcos fecha o gol do Palmeiras aos 36 anos...

Iarley comanda o ataque do Goiás aos 37 anos e o goleiro Harley segura a onda com seus 36...

Marcelinho Carioca aguenta um jogo inteiro no Santo André, aos 38 anos...

E agora o Botafogo quer entrar na festa da meia-idade, trazendo de volta Dodô, com 36 anos.

A longevidade dos jogadores acima tem a ver com a queda de qualidade do futebol brasileiro (no Brasil) em geral? Ou eles souberam criar um novo estilo de jogo de acordo com os novos limites?

Baresi foi líbero do Milan beirando os quarenta anos. Maldini continuou por lá até os 40. E o que dizer de Zanetti, 36 anos, titular da Inter de Milão? Até o ano passado, Nedved e seus 35 desfilavam e faziam gols na Juventus.

Bom, mas o futebol italiano também anda em viés de baixa, se comparado com o restante da Europa. Ainda assim, o fenômeno não deixa de ser um prêmio de consolação para o extrativismo contínuo dos talentos da casa brasileira.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vampeta finge?

Em entrevista ao blog do Cosme Rímoli, no portal R7, Vampeta pede desculpas à torcida do Flamengo pela frase "eles fingem que pagam, eu finjo que jogo", e conta como entrou em campo por conta própria, no Juventus-SP, sem consultar o técnico.

Vampeta também chuta o politicamente correto pra longe, assumindo que criou o apelido de "bambi" para o São Paulo e criticando a marra de Luxemburgo ao tentar a carreira política. Aliás, o ex-meio-campista do Corinthians é candidato a deputado federal.

Como é raro ver uma entrevista espirituosa e transparente no futebol, indico essa.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Feliz Obina pra vocês


Atualmente, é o atacante mais carismático do futebol brasileiro. E não tem a maldade e a malandragem maliciosa de tantos jogadores pedantes que vemos por aí.

Xinguei muito Obina quando ainda estava no Fla neste ano, mas sabia que assim que mudasse de ares ele melhoraria. Nunca tive uma raiva pelo atleta, pois seu bom coração sempre estava exposto. Folclórico, mas nem por isso indigno de respeito.

Essa foto diz tudo. E logo numa noite em que fez 3 gols. Fico feliz pelo Obina, mesmo sabendo que o melhor a fazer é não voltar para o Flamengo. Para o bem de todos e felicidade geral da nação.

Mas que o pai da Sayonara continue se dando bem em São Paulo!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Copa 78 - o poder do futebol

Gostaria de conferir um documentário que será exibido neste fim de semana no Canal Brasil: Copa 78 - o poder do futebol. Uma espécie de Globo Repórter (dos áureos tempos) contando o desenrolar do campeonato mais cretino de todos os tempos - competindo talvez, com a Copa de 1934, jogada na Itália e vencida pelo país-sede quer também contava com ditador e arbitragens pró.

Mesmo sem poder assistir, fica a indicação, já que o pessoal do É tudo verdade não dá ponto sem nó.

Canal Brasil
Sábados, às 21h
Horário alternativo: Domingos às 14h

NET: Canal 66
SKY: Canal 66
TVA: Canal 79

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tostão de novo, por favor

Já exaltei por aqui a clarividência de Tostão ao analisar futebol. Poucos são tão concisos sem serem superficiais, ou críticos sem serem intratáveis. Mas o ex-craque do Cruzeiro e da Copa de 70 dá um show toda a vez que escreve ou comenta.

Recomendo a entrevista que Tostão concedeu ao blog A Fala da Bola. Coloca os técnicos no seu devido lugar, assim como os craques e pretensos craques. Se você gosta de futebol e de palavras fruto de inteligência, leia.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Esse faz falta...

Contra o politicamente correto e o espírito de "ovelhinha" dos jogadores diante dos "professores" técnicos... Romário neles!

domingo, 4 de outubro de 2009

Um fim de semana sem novidades?

O Palmeiras disparou na liderança vencendo o Santos...

Adriano ajudou o Flamengo a afundar o Fluminense...

O Atlético-MG venceu o Barueri...

O Corinthians perdeu outra em casa...

Mas o Botafogo venceu! Se bem que foi fora de casa (e não no Esvazião, como ouvi de um gaiato hoje). Tava na cara que o Goiás não ia aguentar um jogo disputado depois da raçuda exibição de quinta-feira pela sul-americana. Respira o alvinegro, mas ainda está na zona do rebaixamento.

Tá difícil bater o Verdão. São muitos bons jogadores em boa forma, e agora abriram 5 pontos de vantagem pro segundo colocado. Muricy deve estar tremendo de medo com a ideia de acabarem com os pontos corridos...

Ledio Carmona pontuou bem: o Galo conseguiu fazer um time mais forte depois da janela de transferências. Se não bobear, garante a vaga na Libertadores.

A melhor coisa da temporada 2009 para o Flamengo, se a torcida e os dirigentes pensarem longe, foi a afirmação de Andrade como técnico. Em todos os jogos o time joga pra frente, e percebe-se um espírito solidário em cada atleta. Que diferença dos tempos de Cuca...

Ronaldo e cia. já estão com a cabeça na Libertadores 2010. Mas alguém pode culpá-los? Vaga garantida, sem chance de cair ou de disputar o título... Eu estaria esperando pelas férias.

O Internacional despenca, o que é uma pena. Taison e D'Alessandro poderiam estar fazendo boas partidas, mas o fator psicológico de ficar tanto tempo sem vencer e jogando mal também deve estar pesando.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O fator Muricy

Muricy faz parte da geração de técnicos vitoriosos na era do Brasileirão de pontos corridos. Também é da turma dos mal-educados em entrevistas coletivas e dos que garantem o futebol de resultados sem se preocupar com beleza e leveza em campo. Não se pode negar que, ao chegar num grupo formado e com potencial para ser campeão, vai pesar sua experiência em levantar a taça nesse tipo de campeonato.

Até porque o Palmeiras já joga com o jeitão de Muricy, como se viu no sábado. Muito esforço e pegada, menos jogadas de efeito. Preferia o Verdão da época do interino Jorginho, mas a segurança de que a qualquer momento o time vai decidir a partida a seu favor só veio com o ex-são-paulino. 50 pontos faltando 12 jogos? Vão precisar conter a euforia.

Bom é ver o Goiás assumindo a vice-liderança. Um time fora do eixo Rio-SP que, até por isso mesmo, não possui uma cobertura da imprensa esportiva em nível nacional. Assim, não dá pra acompanharmos os bons jogadores que vão se formando por lá durante o ano. A boa estrutura do clube também não aprece na mídia. Logo, o Goiás aparece como um "intruso", e a história não é bem assim.

ATUALIZAÇÃO EM 29/09: o goleiro Harlei confirma a informação sobre a estrutura do clube.

Depois do clássico paulista, mais um chororô contra a arbitragem, dessa vez do lado corintiano. O presidente Andre Sanchez mesmo admitiu que já foi prejudicado e favorecido outras vezes, mas que "dessa vez foi demais". Estou de saco cheio desses papos. Ou a cartolagem faz pressão na CBF e na Comissão de Arbitragem para que os homens do apito sejam melhor preparados ou vai ser uma eterna reclamação.

Pena que a chuva acabou com Internacional x Flamengo, que tinha tudo pra ser um dos melhores jogos da rodada. Fico pensando se não seria o caso de adiar a partida quando isso acontece, pois o que se viu no Beira-Rio não foi futebol, e nem tinha condições de ser.

O Fluminense venceu a primeira, mas não me engana. Trago pro ar a tese que um grande amigo levantou ontem: será que Cuca já foi contratado tendo a Série B em vista? Não há pressão sobre o técnico, que se daria muito bem nesse tipo de disputa.

O Botafogo perdeu em casa e Jônatas foi afastado do elenco por indisciplina. Quando o filme mudar, me avisem.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Quase lá

Fora meus protestos de sempre quanto à convocação do inexpressivo Josué, acho que a Seleção Brasileira que vai enfrentar Bolívia e Venezuela está com um bom elenco, na medida do possível. Queria falar especificamente de dois jogadores, onde a justiça da convocação está e não está sendo feita.


Alex, ex-Internacional e hoje no Spartak Moscou, é um dos poucos camisas 10 clássicos, daqueles que armam e chegam na frente pra conferir quando preciso, sempre chamando a responsabilidade pra resolver a partida quando ninguém ainda o fez. Merece estar no grupo faz tempo, talvez seja o reserva ideal de Kaká (Diego, da Juventus, corre por fora).


Já Diego Souza tem talento, mas nenhuma cabeça. É protagonista de vários lances destemperados que causaram brigas em campo e expulsões ridículas. Deveria estar suspenso pela rasteira em Domingos (o cara voltou a campo pra brigar, depois de ter levado o vermelho!). E agora ganha de presente sua segunda convocação pra Seleção. A mensagem da impunidade adentra os gramados e ganha a chancela de Dunga.

Fora isso, o grupo parece estar se fechando. A lateral-esquerda, a meu ver, é a única posição em aberto. O resto é definir os reservas.

A lenda do "um a menos"


O Palmeiras virou contra o Cruzeiro fora de casa, com raça e vontade de ser campeão. A cobrança de falta de Diego Souza foi incrível, e Cleiton Xavier deu mais uma assistência açucarada para um gol decisivo do Verdão.

Há de se ressaltar que o péssimo juiz deixou de dar um pênalti a favor do Cruzeiro. Se aquele "rapa" não é falta, é melhor tirar o árbitro de cena e deixar os próprios jogadores decidirem, como se faz nas melhores peladas.

Mas o jogo também voltou a demonstrar que o time que tem um a menos após uma expulsão não necessariamente está em desvantagem. Aconteceu na Inglaterra, no jogo do Manchester United, e com o Vasco no sábado - quase o Guarani empata. E vai continuar acontecendo enquanto os técnicos não ensinarem seus atletas a se posicionarem taticamente diante da situação.

Os times treinam sempre 11 contra 11, e quando o adversário está com menos um, ocupando então menos espaço no campo, o outro time continua jogando como se não tivesse acontecido nada. Os técnicos não percebem o que mudou e aí fica fácil para a equipe punida. Fico impressionado, pois o exemplo se repete mundo afora.

O Botafogo só venceu o Emelec porque o time equatoriano não estava a fim de jogo. Perdendo de 0 x 2, o goleiro deles fazia cera! Pelo que vi ontem, já começo a ter minhas dúvidas se o time escapa do rebaixamento. Os erros eram infantis...

O Internacional empatando em casa, depois de começar perdendo... A cabeça de Tite vai ferver para o jogo contra um Flamengo embalado no domingo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O que que há, velhinho?

O domingo foi deles, os craques da meia-idade. Petkovic e Iarley, cada um com 37 anos e ainda muita bola pra jogar, reinaram nos jogos de Flamengo e Goiás, respectivamente. Não são apenas lampejos, eles têm feito uma sequência de atuações pra ficar na memória do torcedor.

Pet encarnou o déjà vu coletivo contra o Coritiba: cobrou uma falta magistral e ainda fez lançamentos e passes precisos com a assinatura de Zico, como há muito não se via nos jogos do Fla. Ele e Adriano botam medo nas defesas, e a experiência de ambos está dando o tom da ascensão rubro-negra. Embora ache difícil vencer o Internacional no Beira-Rio, o time da Gávea parece, agora sim, ter decolado.

Achei uma injustiça quando Iarley foi dispensado do Colorado após o título mundial de 2006. Mas o meia se encontrou no Goiás e ontem comandou uma goleada histórica no Corinthians, que festejava a volta de Ronaldo. A equipe de Hélio sexo dos Anjos jogou com autoridade pra não deixar dúvida que vai brigar pelo G-4 até o fim.

Tropeços e destruições

O alto da tabela foi marcado por tropeços que, a princípio, beneficiaram o lídeer Palmeiras. Digo a princípio porque quem garante que o Verdão não vai seguir a moda na quarta-feira? O São Paulo vacilou diante do frágil Santo André - e ainda foi ajudado pelo juiz, que não marcou um pênalti escandaloso cometido por Miranda.

O Internacional não fez tão feio, pois perdeu do Vitória no Barradão, um resultado nada anormal. Ainda assim, era uma rodada boa pra garantir 3 pontos - até porque o Colorado tem um elenco melhor que o rubro-negro baiano. Mas cada jogo é um jogo, e ontem era o dia da redundância, isto é, do Vitória vencer.

O Grêmio, sem amor algum no coração, arrebentou com o Fluminense no Olímpico. A formação do tricolor gaúcho, liberando Souza, Tcheco, Herrera e Jonas foi fundamental pra confundir a marcação.

Mas... que marcação? O que se vê nos jogos do Flu é um bando em campo: alguns sem saber o que fazer, outros sem motivação até pra correr. Só Conca e o limitado Kieza parecem interessados em produzir alguma coisa. Ruy é a encarnação da incompetência. Só volto a comentar sobre o Fluminense se o quadro mudar - o que não acontece há várias rodadas...

(Foto: Jorge William/O Globo)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ele vem chegando...

BUUUU!
Quem não sabe brincar (ou não sabe a hora de brincar)... tem que aturar o São Paulo no cangote. Palmeiras e Internacional resolveram fazer suas estripulias e agora sofrem a pressão do time expert em pontos corridos. A constância tricolor, agora jogando mais solto e com a bola no chão, não é de hoje e será de amanhã, podem apostar.

Como um goleiraço experiente como Marcos consegue fazer lambanças dignas de um atleta mirim? Não foi a única, e outra vez num jogo que pode ser decisivo. Não espero perfeição de nenhum jogador, mas o lance do primeiro gol do Vitória beira a displicência - que já tinha acontecido no primeiro turno, contra o Barueri. E não adianta dizer que o time estava desfalcado. O elenco do Verdão é suficiente para passar pelo rubro-negro baiano.

Não sei quem saiu mais surpreendido: o time do Inter ou a torcida do Cruzeiro. Vencer o Colorado no Beira-Rio, sem baixar a cabeça, com gols do incógnito Gilberto, é pra ser comemorado. Guiñazu voltou a mostrar suas garras, dessa vez prejudicando o time ao cometer um pênalti desnecessário. Se sabe jogar bola, pra que apelar pra violência? A gauchada deve adorar, não tenho dúvida. Mas jogar pra torcida nem sempre é a melhor solução.

O Atlético-MG vence o primeiro round contra o Goiás. Ganhou em casa, enquanto o então ocupante do G-4 perdeu para o Barueri! Diego Tardelli e seu sonho dourado da África do Sul ainda vão ajudar muito o Galo.

O mesmo para Adriano, que fez o golaço do fim de semana. Petkovic vai calando a boca de Kleber Leite e cia., tornando-se o camisa 10 de fato do Flamengo. O time mostrou ótima ofensividade e disposição contra o desfalcado e combalido Sport, que ainda teve um expulso. Mas daí a dizer que o time lembrou o da geração Zico... Depois é o Maradona que dá água batizada pros outros.

Agora não adianta dizer, mas eu tinha um grande pressentimento que Botafogo x Fluminense terminaria num 0 x 0 de dar dó. Ambos os times se esqueceram do que é vencer e até mesmo de fazer gols, protagonizando um show de caneladas. Parece que a pipa do clássico-vovô não sobe mais...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O bonito e o feio

Os reservas da Seleção Brasileira ficaram gratos pela leva de cartões amarelos que suspendeu vários titulares para o jogo de ontem. Mas o agradecimento maior deve ser de Nilmar à condição física de Robinho. Com o corte do atacante do Manchester City, o versátil ex-Internacional mostrou para Dunga que é indispensável no grupo da Copa.

Bonito!

Nilmar apresentou atributos que agradam ao técnico, à torcida e aos demais jogadores. Ele não desiste de nenhuma bola - foi assim que fez o primeiro gol (poderia ter ficado na expectativa de Adriano conferir) e roubou a bola que originou o segundo. Tal disposição, colaborando na marcação, fazem Dunga sorrir.

Quando o infeliz Felipe Melo foi expulso (falaremos mais adiante) e a Seleção ficou desconcertada, Nilmar voltou para fazer o trabalho do quarto homem do meio-campo, distribuindo bolas e tabelando. Seu raciocínio é sempre rápido, com toques de primeira ao chegar a marcação, fazendo também ótimo trabalho de pivô. O time agradece, pois o jogador consegue se desdobrar em todas essas funções.

E como se não bastasse, Nilmar faz gols. Com oportunismo, atitude, habilidade e jogando verticalmente, sem os irritantes toquinhos pro lado. A torcida vai à loucura, sabendo que existe alguém cuja presença em campo é garantia de espetáculo.

Nilmar é jóia rara: seu futebol é bonito e de resultados. Tem que ir à África do Sul.


Coisa feia...

Outro espetáculo, esse de baixíssima qualidade, foi produzido por Felipe Melo. Promovido a titular em tempo recorde, parece ter entendido bem o que Dunga quer do camisa 5 da Seleção. Mas vestiu uma máscara incrível no jogo de ontem. Aquele toquinho de calcanhar no meio-campo, causando um contra-ataque chileno, resume bem o que estou falando.

Só que ainda tinha mais: chegou completamente atrasado no lance do pênalti e no segundo tempo deu uma entrada criminosa no adversário, no que foi bem expulso. Pra completar o circo dos horrores, ao sair de campo grunhiu: "Futebol é coisa pra homem". Se pensa assim, por que enterrou a trava das chuteiras na genitália do chileno? Não deixa de ser irônico.

Outro que adora uma máscara é André Santos. Sua vez na Seleção só chegou por que os laterais convocados antes não emplacaram. Está jogando bem, é verdade. Mas poderia ter sido expulso ao abrir os braços na disputa de bola com outro chileno, dando uma cotovelada que o juiz deixou passar. A impressão é que, agora que sua vaga está quase garantida, não precisa se empenhar tanto em campo - e é só olhar Daniel Alves, Kaká, Lúcio pra ver que não é assim que a banda toca.

Felipe Melo e André Santos podem até ter futebol para estar na seleção de Dunga. Mas irem para a Copa como dois barris de pólvora pode trazer prejuízos consideráveis.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Palmeiras, Internacional ou São Paulo


Se nesses sete anos de Campeonato Brasileiro por pontos corridos uma lição pode ser tirada é: os times que conseguem alguma regularidade chegam na frente. Essa regularidade não precisa acontecer desde o começo, e até pode passar por "apagões" no meio da competição. Mas uma vez retomada, é difícil segurar.

É por essa constatação que aponto os três times do título deste post como favoritos ao título. E se não vencerem, com certeza estarão na Libertadores. Só mesmo o quarto colocado fica em aberto, devido ao equilíbrio dos demais elencos e suas posturas.

A fase turbulenta do Palmeiras foi logo no início, pós-Libertadores e ainda com Luxemburgo. Porém não foi um desastre, esteve sempre da metade da tabela pra cima. Com o técnico interino, muitas vitórias. Obina chegou e voltou a ser artilheiro. Manteve todo o elenco (com exceção de Keirrison) e ainda trouxe Vágner Love, motivado para tentar ir à Copa. Tem tudo pra conseguir o caneco.

O Internacional era sim, o melhor time do Brasil no primeiro semestre. Não por ter craques galáticos, mas por ter se acertado antes de todos os outros. A torcida, o técnico e os jogadores já sabiam como atuar, tanto que o time reserva pontuou muito bem nas primeiras rodadas. Com a perda da Copa do Brasil, veio um desânimo e o tal "apagão". Mas Tite foi mantido e a maioria do elenco, também. E aí está o Colorado novamente vencendo e convencendo.

O São Paulo arrancou do Flamengo a lenda-fantasma do "se deixar chegar...". A ponto de nenhum comentarista esportivo se arriscar a descartar o tricolor da disputa, mesmo quando estava por baixo. Ricardo Gomes surpreendeu tanto quanto Obina, e os jogadores se sentiram à vontade: não havia mais as aporrinhações com Muricy e encarnaram a mística que acompanha o clube há três anos.

E o Brasileirão deve se decidir por aí, agora que a janela fechou. Goiás e Atlético-MG ainda precisam provar para eles mesmos que têm direito ao G-4. Quem perder a regularidade fica pra trás.

O meio da tabela continua caracterizado por um misto de esperança e preocupação: se poucos pontos separam os times do G-4, o mesmo vale para a zona do rebaixamento. E assim como a donzela na varanda aguardando seu amado, as torcidas desses times esperam pela salvadora decolagem de vitórias - e recorrentemente prometida por dirigentes, técnicos e jogadores rodada após rodada.

Quanto aos futuros habitantes da Série B: o Fluminense já está lá, há algum tempo. Só falta enterrar. Moral em baixa, caos administrativo, panelinhas e agora... Cuca, aquela injeção (letal) de ânimo. As outras vagas para descer possuem muitos candidatos. Alguns deles, talvez nem tenham se dado conta de que o risco existe...

PS: Escrevi esse texto antes de ler a matéria do Globoesporte.com, ok?

domingo, 6 de setembro de 2009

Dois pés na África do Sul


Por mais que seja Brasil x Argentina, por mais que seja futebol, não se pode dizer que o resultado de ontem foi imprevisível. A Seleção de Dunga, cada vez mais especialista em contra-ataque, venceu a Seleção de Maradona, desajustada como há muito não se via nos hermanos.

A impressão que se tem é que, se Maradona tivesse assumido o cargo de treinador na mesma época que Dunga, já teria passado pela "fase inferno" que o caracteriza agora, e teria tempo para se recuperar para a Copa. Afinal, ambos não tinham experiência e sempre tiveram ótimo material humano nas mãos.

Esse acerto do time ficou claro no jogo em Rosario. O Brasil não se apavorou com a pressão inicial da Argentina e o clima de "caldeirão". Tal postura é característica de um time entrosado e que sabe como se portar taticamente. Já Messi e cia., em situação desesperadora na tabela, faziam as tabelinhas e os dribles que estão no seu estilo de jogo, mas não se pode dizer que assustaram.

O problema do Brasil, pra variar, é no meio-campo. Gilberto Silva e Felipe Melo não marcavam bem. E se não faziam isso, o que mais podem fazer? O volante da Juventus ainda arrisca umas arrancadas aqui e ali, mas seria perigoso tentar isso ontem. Elano, lento como sempre, só contribui quando bate as faltas na cabeça dos jogadores de área - é muito pouco para estar na Seleção. Kaká, então, era o homem-solo: tentava criar e apanhava muito, sempre sozinho.

Verón e Zanetti podem ter qualidade de sobra (e têm) mas a competitividade física não pode ser descartada - ao menos na seleção nacional. Em seus respectivos times jogam sob esquemas que compensam os problemas da idade. Mas não é o caso da Argentina de hoje, que tem uma defesa toda ruim e completamente desprotegida.

O que traz problemas para o ataque: por melhor que sejam, Messi, Tevez, Agüero e Milito ficam com uma responsabilidade em dobro se não conseguirem os gols. E tal nervosismo era visível em vários momentos da partida.

E o que foi a jogada do terceiro gol do Brasil? Kaká, à la Zico, esperou o momento exato para dar um lindo passe para Luís Fabiano, que só tinha uma opção e a executou: um clássico toquezinho de cobertura. Do autêntico camisa 10 para o autêntico camisa 9.

Aliás, dá gosto ver Luís Fabiano sossegando lobbies de outros centroavantes para o seu lugar. É o artilheiro das Eliminatórias e não passa um jogo sem deixar o seu. Já Robinho parece hibernar faz tempo. Acorda a tempo da Copa?

E se alguma vantagem há para a Seleção Brasileira atual, é a versatilidade de seu elenco. Daniel Alves e Ramires podem jogar na defesa, no meio e no ataque, fazendo gols até. Eu colocaria o ex-cruzeirense de início, já que o time joga no contra-ataque (o que é preciso rapidez pra pensar e correr, tudo o que Elano não tem).

Por mais que exista a rivalidade, não gostaria de ver a Argentina fora da Copa, pelo bem do bom futebol. Mas os dirigentes de lá podem pagar muito caro por jogar a responsabilidade nas mãos de Maradona tão em cima da hora. E o risco é duplo: de perder a vaga e de arranhar a imagem do mito.

Estou curioso pra ver como o Brasil se porta sem Kaká. Não acredito que Julio Baptista seja o reserva ideal, embora sempre mostre espírito de Seleção e de "deixa que eu resolvo". Diego já começou a fazer chover na Itália, e seria muito bom se acertasse de vez se for convocado.