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segunda-feira, 17 de junho de 2013
A Espanha de dois gumes
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
As aves têm suas próprias asas
Ganso e Pato. Duas promessas que chegaram jovens ao protagonismo. Dois meteoros que não alcançaram as órbitas vislumbradas. Duas carreiras que a "ejaculação precoce" dos comentaristas esportivos já colocou nas alturas e agora tenta enterrar. A verdade é que Paulo Henrique e Alexandre são incógnitas, tanto pelas contusões recentes como pelo foco que dão às carreiras. Penso que o futebol brasileiro não pode prescindir de nenhum dos dois. Mas se não quiserem pagar o preço devido pra levantar vôo novamente, ninguém vai fazer isso por eles.
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
O representante alienígena
Dias depois do já famoso Santos x Barcelona, o Sirelli me enviou uma entrevista de Xavi, meia do time catalão, publicada no dia do jogo no jornal El Pais.
Só por algumas declarações dele, que destaco abaixo, dá pra entender melhor o sucesso do Barça.
Só por algumas declarações dele, que destaco abaixo, dá pra entender melhor o sucesso do Barça.
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sábado, 24 de dezembro de 2011
Um jogo, uma reflexão coletiva
Santos x Barcelona expôs ao mundo muita coisa, mas principalmente ao Brasil. Suas repercussões comprovam algumas coisas: primeiro, como a TV aberta ainda é fortíssima no Brasil e como ela é crucial para acontecer um debate público. Segundo, como nossa imprensa esportiva é alienada e, por vezes, é pega no flagra. Terceiro, como Neymar é o bode expiatório da vez, para o bem e para o mal.
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Os três mosqueteiros
Atendendo ao clamor popular da vez e às encomendas do patrão Ricardo Teixeira, Mano Menezes entabulou a renovação da Seleção e a volta do futebol ofensivo, com muito cavalheirismo perante imprensa e patrocinadores. Até aí, nada de novo na postura de um técnico de Seleção que começa o seu trabalho.
Porém Mano tem ido além em sua postura. Já declarou que o Brasil precisa retomar o protagonismo no cenário mundial, e que isso deve se refletir dentro de campo com um futebol que intimida o adversário, no sentido talentoso da expressão. Como se não bastasse, ressaltou que os volantes da Seleção devem saber sair pro jogo, e não apenas "combater". E esclarece cada dúvida sobre suas convocações, sem embromation. Também opinou que jovens craques como Neymar devem permanecer mais tempo no país.
Zico assumiu o risco de ser cartola enquanto ainda permanece no panteão dos deuses da torcida do Flamengo. Assim que os primeiros resultados negativos apareceram, veio a pressão para reforçar o time sob pena de ter sua gestão ser tachada de incompetente - com apenas dois meses de vida.
O Galinho já imaginava que haveria gente para jogar contra dentro do próprio clube, que contam até com mensageiros midiáticos. As especulações sobre reforços surgiam na imprensa e Zico não confirmava nenhuma delas. Confrontado por repórteres quando faltavam dois dias para fechar a janela de transferências, ele reiterou: "Só vamos anunciar quando tudo estiver sacramentado e os atletas tiverem condição de jogo".
Dois dias depois, Deivid e Diogo chegaram, e o anúncio foi feito pelo site oficial do Flamengo, dentro das condições acima descritas. Zico não vazou a informação para jornalistas muy amigos, nem prometeu o que não podia só pra acalmar a massa rubro-negra. Ouviu críticas de que não estava se movimentando para resolver o problema e as engoliu em seco. Contratou, e cumpriu o objetivo de não fazer loucuras financeiras ou prejudicar o clube em relação a empresários.
O presidente do Santos fecha o trio com chave de ouro. Em vez de ter o pensamento mercantil de quanto poderia faturar com a venda de Neymar e dar o assunto por encerrado, pensou "fora da caixa". Fez o dever de casa, quebrou a cabeça, fez contatos para saber como convencer o jogador e seu staff a permanecer no Santos.
Apresentou um plano de carreira que não envolvia só dinheiro, mas a valorização do jogador e do cidadão Neymar, e vai fazer o mesmo com Ganso. Durante todo o ano, assim como o técnico Dorival Junior, respeitou as características dos atletas sem cair no patrulhamento hipócrita e moralista que o mundo do futebol tanto adora.
Pra completar, Luís Alvaro ainda denunciou o Chelsea à Fifa por aliciar Neymar enquanto ele ainda negociava com o Santos. "É necessário mostrar que o Brasil não é coloniazinha subdesenvolvida", disse ele. Esquerdismo de ocasião? Não, apenas a defesa do futebol brasileiro em todas as suas instâncias.
Outra característica comum aos três é que cultivam um bom relacionamento com todas as partes envolvidas no seu trabalho, sem deixar de exercer a autoridade e a responsabilidade que lhe cabem: imprensa, técnicos, jogadores, dirigentes, torcida, patrocinadores.
Mano, Zico e Luis Álvaro dependem de resultados vitoriosos dentro de campo para sacramentarem sua moderna maneira de encarar o futebol. Entretanto já são expoentes de um novo pensar. O país que é o maior celeiro de craques do planeta não pode ser tocado de um jeito amador e antiquado. Nem como se ainda fosse colônia de exploração. Tampouco deve copiar tudo o que vem de fora só por fetiche.
Atitude, trabalho suado e sério, transparência nos métodos e caráter para alcançar os objetivos. Os três mosqueteiros têm tudo isso, e espero que inspirem os demais.
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O voo solo do Santos
Não há no Brasil um time como o Santos. Isso não é uma opinião, é uma constatação. Se Fluminense e Internacional tentam concorrer com a qualidade de elenco e suas opções, a comparação para por aí. O time da Vila Belmiro tem um elenco jovem, que joga no ataque (mesmo que leve muitos gols), que ousa beirando o atrevimento e a marra, que joga bonito, com um técnico humilde. E que é campeão, de novo.
As finais da Copa do Brasil mostraram todo o potencial e os riscos do time do Santos. Um equilíbrio entre jogadores experientes e garotos, mas com o talento e o raciocínio rápido como denominador comum. A correria em busca de todos os gols possíveis e a cadência pra gastar o tempo com o resultado a seu favor. O susto de um pênalti polêmico e a jogada do gol decisivo em Salvador causados pelo atrevimento do mesmo jogador.
Quando o Santos passou dos 100 gols na temporada, foi constatado também que a defesa já tinha levado uns 50. Dorival Jr. afirmou que isso não era um problema, problema seria armar o time contrariando as características ofensivas de seus jogadores. E que a solução seria essa mesma: fazer mais gols do que levar. Não é simples? Essa humildade do comandante do Santos é crucial para o sucesso do time e o máximo aproveitamento de cada atleta.
Dorival pra mim ainda não mostrou que é um grande técnico, mas ao menos seu ego não é maior que seu profissionalismo. Cabia a ele um papel de coadjuvante e auxiliador da voluptuosidade ofensiva e talentosa de Ganso, Neymar e Robinho, e assim o fez. Seu único erro foi querer tirar o camisa 10 na final do Paulistão, mas mostrou maturidade ao não guardar mágoas quando Ganso se recusou a sair.
Eu acho muito engraçado um país que teve Romário, Túlio, Viola e tantos outros marrentos/estrelas ficar tão invocado com um deslumbramento de Neymar. É uma raiva que eu não consigo entender sem ver uma certa inveja no ar.
Se você tivesse 19 anos, fosse cheio da grana e todo o Brasil te adorasse, não seria marrento um só minuto? Com exceção do pênalti na Vila, quando Neymar deixou que sua fama fosse mais importante do que suas tarefas em campo? Deixem o garoto amadurecer no tempo devido, como qualquer pessoa que já teve 19 anos.
Continuo na torcida para que o Santos vença o Campeonato Brasileiro com esse futebol que agrada a todos e resgata nossas melhores tradições - e COM RESULTADO. Se um time perde jogando bonito e automaticamente pensa-se que não dá pra ganhar assim, os Meninos da Vila 2010 invertem o tosco raciocínio. Por que ninguém pensa em jogar bonito quando perde jogando feio? É mais fácil mascarar a mediocridade do que buscar a perfeição...
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
Alegria, alegria
O Santos é Neymar e mais dez.
O Santos é Neymar.
O Campeonato Paulista é Neymar.
O Brasil é Neymar.
Se o Santos vai ser uma Seleção de 82 - que jogou bonito mas não ganhou - só o Santo André poderá dizer.
Mas de quem vamos falar daqui a alguns anos? "O que era aquele Santos do Neymar, hein?". De maneira que eu não me importo com os títulos que esse time possa ganhar ou não. Claro, não sou santista, fica mais fácil pensar assim.
Só que o Santos de Neymar faz muito mais do que uma ótima campanha num campeonato estadual. Ele mostra que apesar da desorganização de nosso futebol, da sanha exportadora de craques cada vez mais imberbes, do futebolismo carrancudo de resultados... ainda há alegria.
A alegria de Pelé e Garrincha, a que eles sentiam e a que causavam, está revelada em Neymar e cia. Isso não é pouca coisa, e não há título no mundo que seja grande o bastante para legitimar isso.
Assim como a flor citada por Carlos Drummond de Andrade, o futebol da Vila Belmiro em 2010 atropela os malfeitores e ousa sorrir (com a diferença que o futebol do Santos não é feio):
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
(...)
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
O Santos é Neymar.
O Campeonato Paulista é Neymar.
O Brasil é Neymar.
Se o Santos vai ser uma Seleção de 82 - que jogou bonito mas não ganhou - só o Santo André poderá dizer.
Mas de quem vamos falar daqui a alguns anos? "O que era aquele Santos do Neymar, hein?". De maneira que eu não me importo com os títulos que esse time possa ganhar ou não. Claro, não sou santista, fica mais fácil pensar assim.
Só que o Santos de Neymar faz muito mais do que uma ótima campanha num campeonato estadual. Ele mostra que apesar da desorganização de nosso futebol, da sanha exportadora de craques cada vez mais imberbes, do futebolismo carrancudo de resultados... ainda há alegria.
A alegria de Pelé e Garrincha, a que eles sentiam e a que causavam, está revelada em Neymar e cia. Isso não é pouca coisa, e não há título no mundo que seja grande o bastante para legitimar isso.
Assim como a flor citada por Carlos Drummond de Andrade, o futebol da Vila Belmiro em 2010 atropela os malfeitores e ousa sorrir (com a diferença que o futebol do Santos não é feio):
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
(...)
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Demagogia? Me poupe...
O futebol atual, vez por outra, é acometido por "modinhas" que, se não duram pra sempre, ficam um bom tempo nos atormentando. Chamar qualquer técnico de "professor" virou lei entre os cada vez mais submissos atletas. Outra moda que enche o saco é a de poupar jogadores. E a torcida santista há de concordar comigo.É certo que a final do Paulistão acontece no domingo que vem (só o primeiro jogo, hein?!), mas a Copa do Brasil é o melhor atalho para a Libertadores, que é o único caminho para o Mundial Interclubes. Por que poupar o time quando precisava vencer o CSA, ainda mais jogando em casa? Perdeu por 1 x 0 e agora vai tentar se consolar com um campeonato regional (se vencer).
Celso Roth foi demitido do Grêmio por ter ignorado, em parte essa modinha. Ele poupou atletas, mas para a Libertadores. E não mostrou o mesmo interesse pelo campeonato gaúcho. Rivalidades à parte (e o Gre-Nal é a maior delas): ele estava errado? Vágner Mancini estava certo? Pergunte aos flamenguistas se eles acham o melhor dos mundos ganhar apenas campeonatos estaduais...
É óbvio que cada título é diferente do outro. Mas veja o Sport, que joga com o time titular no campeonato pernambucano e na Libertadores, poupando seus atletas apenas nas substituições durante os jogos. Foi campeão e já está classificado para as oitavas-de-final na competição sulamericana. Não subestimem o campeonato de lá, pois o Náutico, o Santa Cruz e todas as torcidas não fazem pressão menor do que cá embaixo no Rio-SP.
Portanto, bem-feito para o Santos. E amadureçam também os técnicos que se lamentam por não ter tempo de montar o time e entrosá-lo para a temporada se na primeira oportunidade poupam seus elencos. Sim, na Europa isso acontece, mas não vamos comparar quanto ao nível dos reservas e à competitividade.
E esse negócio de dizer que o campeonato estadual é mais importante do que um título que poucos times brasileiros tem é demagogia pura. Só pros passionais de plantão não perturbarem o sono (e às vezes a integridade física) do treinador.
Posto isso, falemos do resto da rodada: o Cruzeiro segue bem na Libertadores. No entanto, toda primeira fase do time mineiro na competição é exemplar, mas na hora do mata-mata tem caído, ao menos nos últimos anos. Vamos ver se em 2009 a história muda.
Pelo placar não parece, mas o Fluminense sofreu para vencer o Águia de Marabá. Antes do primeiro gol, o time paraense já tinha ameaçado duas vezes e teve quatro (eu disse QUATRO) impedimentos mal marcados, que deixariam seus atacantes na cara do gol.
Aí Parreira resolveu resolver o lado direito, colocando Maicon no lugar do sumido Everton Santos. E o garoto acabou com o jogo, correndo muito, fazendo gol com as duas pernas e dando passe pra mais um. Mas o técnico campeão de 94, teimoso conservador como ele só, não deve efetivar logo o atacante como titular, mesmo tendo aparecido bem nas partidas. Pergunte a Romário se não estou certo...
(Fotos: Globoesporte.com - Santos; Julio Cesar Guimaraes - Flu)
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quarta-feira, 9 de abril de 2008
Agora sim!
O Flamengo mostrou nessa noite de quarta que os fantasmas eram bem menores do que se pensava. Após uma preparação séria, o time agüentou bem a altitude (substituição só a menos de 5 minutos do fim), suportou a pressão sem perder a cabeça e usou o talento que tem pra fechar em 3 x 0 a primeira vitória fora de casa em 2008.No primeiro tempo faltou meio-de-campo ao Fla. Ibson não se apresentou para a armação, Renato Augusto voltava (um pouco), deixando Souza isolado. Kleberson e Cristian estavam ordenados a não passar da linha central. Bruno vale cada centavo que o clube gasta com ele: transmite muita segurança, sem pose. Fez defesas cruciais, de novo.

No segundo tempo resolveu-se o problema do meio com Ibson resolvendo jogar. E outra vez Souza dá o passe pro gol. É um dos jogadores mais importantes do esquema de Joel, pois engana a marcação já pela aparência: um grandalhão camisa 9 tem tudo pra ser um centroavante clássico. Pois Souza faz o pivô, puxa o zagueiro e dá verdadeiras assistências. Custei a acreditar que Renato Augusto saiu tão fácil na cara do gol.
Depois da expulsão, tudo foi mais fácil. Toró começa a redenção pessoal aparecendo bem na marcação e fazendo o gol mais importante do jogo - o da serenidade.
O time soube tocar a bola (a altitude ainda serviu pra isso) e um detalhe importantíssimo: finalmente um cobrador de faltas oficial. Juan disse após o jogo que já vinha treinando, e taí o resultado.
O ótimo juiz não deixou o jogo descambar pra catimba de nenhum dos dois times e não inverteu faltas. O bandeirinha deixou muito a desejar, mas convenhamos que o Cienciano teve um gol mal anulado no Maracanã.
Classificação garantida, clima de paz e missão cumprida. O Flamengo nunca pode desacreditar de seu potencial, seja contra o Bolognesi ou o Boca. Todos esperam que entre sempre em campo pra ganhar. Se pensar assim, a tendência é crescer na competição.
O Fluminense perdeu a invencibilidade aleijado de um ataque experiente e titular (ok, ao menos Cícero jogou). Levou 2 x 0 do Arsenal num jogo anormal: Thiago Neves expulso e Thiago Silva falhando feio.ATUALIZAÇÃO: na verdade, o erro feio (no segundo gol) foi de Ygor.
Nada que arranhe a campanha ou assuste o torcedor. Mas terminar a primeira fase como líder é uma mão na roda, pois o segundo jogo da eliminatória seria em casa.
O Santos perdeu do Chivas mas continua em segundo do grupo. Tem tudo pra passar (vai decidir em casa), já que recuperou o mais importante: a auto-estima. A legião estrangeira tem feito a diferença na Libertadores, e acredito que possa até passar das oitavas, dependendo do adversário.
Isso aí, Botafogo. 2 x 0 contra o River e risco de trauma deixado pra trás. O artilheiro Wellington Paulista confirma a seqüência de fazer gols em jogos decisivos. Nessa toada, domingo promete.Mas o time precisa fazer como Corinthians e Vasco: sua principal meta deve ser a Copa do Brasil, atalho preciso pra Libertadores 2009 - com status de campeonato nacional.
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quinta-feira, 27 de março de 2008
Ninguém é Pato
Em cada estréia (Inter, Milan e Seleção principal), um gol. Constantemente, a personalidade para chamar o jogo pra si e não duvidar de sua capacidade para decidi-lo. São características de Alexandre Pato que puderam ser vistas no lance que definiu o Brasil x Suécia de ontem, e que colaboram para transformar o atacante de apenas 18 anos no novo fenômeno midiático do esporte das multidões.O fato de ser midiático não ofusca o talento que ele tem. É impressionante que um garoto que despontou aos 17 anos e foi logo campeão mundial interclubes não tenha sucumbido à superexposição e à gama de expectativas que lhe foram colocadas. Ao contrário: foi um dos que se salvou na seleção sub-20 e não parece pesar nunca a responsabilidade de estar sob holofotes de todo o tipo.
O que pode explicar a constância de Pato é sua personalidade simples, que parece não ter se deslumbrado com os mundos e fundos que surgiram em seu caminho. Aos 18 anos, já pensa em se casar com a namorada (para quem dedica todos os gols); fala e se veste do mesmo jeito que fazia em Porto Alegre; aceita a reserva tendo a consciência de quem, apesar dos recordes, está no começo da carreira. É o Alexandre de sempre, e isso não dá sinais de que vá mudar.
Ontem a estrela Alexandre Pato não precisava ter corrido na direção do goleiro, numa bola que normalmente vai pro campo de ataque ou rebate em lateral a favor do adversário. Pois ele foi, e mostrou que tem talento (pra acertar um chute dali), raciocínio rápido (pra decidir chutar dali) e noção de quem é ("posso decidir esse jogo"). O 1 x 0 foi justo principalmente para Pato ser, com motivo, a estrela do dia.
Mesmo com todo o blá-blá-blá de que a Olimpíada não é proridade, Dunga vai convocando metade dos jogadores com idade pra Pequim. E são eles que têm feito a diferença nos jogos, além de Robinho. Diego parece que veio pra ficar, mas dificilmente ele e Kaká jogarão juntos. O técnico da Seleção prefere seus amados volantes e o trambolhão Júlio Baptista. E ele já decretou que Richarlyson é lateral-esquerdo, apesar de ter se destacado como meio-campo e de agora não estar jogando nada em posição alguma. Haja paciência...
O que falar do Campeonato Carioca? Fla e Flu ganharam de 4 x 1. Você quer mesmo saber de quem, ou quem fez os gols? Faz diferença? Prefiro imaginar qual o futuro dessas equipes que, motivadas pela rivalidade das torcidas, pode dar um bom caldo futebolístico. O time do Flu, cada vez mais homogêneo, vai corresponder nas semifinais e ser campeão carioca? Ou perde e segue na Libertadores, vencendo a inexperiência e a desconfiança? O time do Fla, com seu futebol de resultados, vai vencer a Taça Rio e dispensar as finais? Passa das oitavas na Libertadores além de ganhar o Carioca? Ou nenhum dos times corresponderá a nada, e os coadjuvantes abocanham as chances? E nisso tudo, Fla e Flu se enfrentam nas finais? Ou nos cruzamentos do torneio continental? Aqui sim, Galvão, haja coração!
O Campeonato Paulista é que está valendo a pena acompanhar. O Santos ressurge a cada jogo e ontem venceu o Corinthians em casa por 2 x 1, aproximando-se da vaga nas semifinais. Quem diria, olhando pra confusão da Vila Belmiro no começo do ano? Com a vitória por 1 x 0 sobre a Portuguesa, o Palmeiras é líder - o que não acontecia há 2 anos! O São Paulo tem chance, a Ponte Preta continua em terceiro, o Corinthians não pode perder... As probabilidades se divertem no Paulistão.
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quinta-feira, 20 de março de 2008
Na conta do chá
Sobrevive o Flamengo. Os 2 x 0 contra o Nacional trouxeram a liderança e a tranqüilidade de volta. O time jogou compacto, ainda que exposto na defesa - mas era o risco calculado. Menos mal que Joel colocou um time ofensivo: Cristian ficou à frente da zaga e foi o melhor em campo, roubou bolas e acabou com vários ataques uruguaios. Kléberson, Ibson e Marcinho jogam pra frente. Luizinho melhora a cada jogo e mostrou raça e disposição impressionantes (a desconfiança inicial de Joel parece ter motivado o atleta).Marcinho foi, simbolicamente, o nome do jogo. Irritou a torcida com sua lentidão de raciocínio mas compensa tudo com oportunismo na área. Todos os seus gols pelo Flamengo foram assim. Embora não estivesse jogando maravilhas, aproveitou as oportunidades - assim como o resto do time. Bruno ainda salvou os cardíacos fazendo uma defesa incrível quando estava 0 x 0.
Por mais xodó que seja, Obina tem sido um retrocesso quando entra no jogo. Se Tardelli tivesse entrado no lugar de Souza, aposto que faria ao menos um gol. E Joel não pode insistir, nos próximos jogos, com a volta de Toró. Além de não ter tantas qualidades como se fala, está passando por um momento péssimo, em todos os sentidos. Dizem que o Fla atual é um time caseiro, que só ganha no Maracanã. Estatisticamente, não há o que discordar. Porém é preciso ressaltar que nos últimos anos, flertando com o rebaixamento no Brasileirão, até isso o Fla tinha perdido. Era "sacode" fora de casa e "sacode" diante da torcida. Metade do problema se resolveu. Quer mudar o resto da história? É só enfrentar o Cienciano, em Cuzco, de igual pra igual, querendo a vitória. Se já for pensando em empate e na desculpa da altitude não vai dar...
O Fluminense foi exemplar: não se intimidou após levar o primeiro gol e poderia até ter feito mais um. Contou com a valiosa ajuda dos perebas do Libertad, que desperdiçaram gols incríveis. Mas, ao menos na competição da qual não participava há 23 anos, tem mostrado regularidade. Se não vencer o Carioca mas emplacar na Libertadores, a torcida vai ter muito pó-de-arroz pra jogar.
O Santos perdeu, mas nada desastroso. Pra expectativa que o time apresentava no começo da temporada, está de ótimo tamanho: com chances de se classificar no Paulista e na Libertadores, sem dar vexame. Mesmo que não avance tanto nas duas competições, a casa não caiu. Hoje é a vez do São Paulo: mais uma incógnita que traz adrenalina ao torcedor.
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