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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Os opostos, o carisma e o iluminado


Era noite de emoção para as duas maiores torcidas do Brasil. Enquanto o Flamengo contava as horas pra festejar Ronaldinho Gaúcho em campo, o Corinthians seguia com Ronaldo para vencer, antes de tudo, o seu próprio nervosismo para passar pelo Tolima e manter viva a Libertadores.

No Brasil, estádio lotado, mosaico, de novo a Gávea volta a ter um camisa 10 de renome, na teoria e na prática. Mas como seria sua volta aos gramados? Fama de baladeiro, chopinho na quadra do samba, muito oba-oba...

Na Colômbia, estádio cheio (não lotado), gramado ruim, camisa 9 que há mais de um ano vive só da fama, engabelando técnicos e torcida, parceiro do marketing e de um presidente falastrão.

Ronaldinho correu, buscou o jogo, deu carrinho, fez suas jogadas de efeito. O Flamengo, desentrosado e ainda desequilibrado entre ataque e defesa, suava pra não levar um susto do quarto melhor time do Rio neste início de estadual.

Ronaldo não conseguia tirar o zero do placar, pênaltis à vista.

O Flamengo botava o coração na ponta da chuteira pra festa não virar pesadelo, não virar mico. O Corinthians se virava pra driblar a redução de seu elenco pro sonho não virar mico.

O Flamengo martelou, tentou, chutou pra fora, substituiu, pressionou. Ronaldinho caiu bem como capitão, se movimentava, incentivava o time, levantava a torcida num "vamoporra!" clássico. Devido ao cansaço, fixou-se na faixa esquerda do campo, deu passes açucarados para finalizações amargas. Cadê a farra, o chinelinho, que mostrariam um R10 se arrastando em campo?

Talvez estivesse em Ibagué, quando o Timão levou um, depois outro. Assistindo tudo lá da frente da outra meia-lua, talvez.

Mas o iluminado nem sempre é o que está debaixo dos holofotes. Assim foi com Fio Maravilha, Nunes, Cocada, Adriano Gabiru, Bujica, Tupãzinho... e Wanderley.

Fim de jogo, estádio ovacionando, hora certa daquela saidinha rápida do gramado depois de ouvir as babaovices dos microfones.

Antes disso Ronaldinho faz questão de cumprimentar Wanderley, o homem que garantiu a sua festa. Depois, agradece a cada canto do estádio, reverencia de volta, mareja os olhos. Quando os homens-óbvios empunham seus instrumentos captadores, flagram um craque que parece ter reencontrado um motivo para ser feliz em campo.

Foi só um jogo do Carioquinha 2011. Mas pergunte ao corintiano se ele não gostaria de trajar vermelho e preto no Engenho de Dentro hoje.


quarta-feira, 2 de julho de 2008

Foi tudo um sonho


O clube levou um ano de planejamento, priorizando a competição sul-americana acima de tudo (até do campeonato nacional). Caiu no "grupo da morte" e saiu líder, acabou com a banca de favoritos ao título e reverteu uma goleada. Era a melhor campanha da Libertadores 2008.

Passaremos décadas tentando explicar porque o Fluminense perdeu esse título para a LDU. Mau aproveitamento nos pênaltis é o fato objetivo. Mas na cabeça fria (se é que isso é possível logo após o jogo) é preciso perceber duas coisas: os méritos do tricolor existem, assim como os erros do time e do comando técnico.

O Flu tinha de longe um time melhor que o da LDU. Experiência também não faltava. E Thiago Neves finalmente chegou ao status de ídolo ao fazer milagre na final da competição, com o Maracanã lotado.

No entanto, sabendo que a principal jogada dos equatorianos era o lado direito, e que o melhor jogador era Guerrón, não houve nenhuma marcação especial. Nem em Quito, nem no Maracanã. Além do gol da LDU, durante toda a partida ele jogou como quis.

Enquanto Thiago Neves e Conca tentavam levar o time à frente, os bons zagueiros Thiago Silva e Luiz Alberto pareciam jogar contra, tamanho o nervosismo e facilidade pra fazer besteiras. Bolaños se divertiu em campo.

Um time que precisa de 3 gols (e evitar levar) não pode começar sem Dodô e com Ygor. Já disse isso aqui antes, e repito: erro (repetido) de Renato Gaúcho, que pareceu sempre estar um nível abaixo do time e de todo o momento histórico.

O futebol não tem misericórdia, nem medo de levar a fama de injusto. O Flu merecia ser campeão, muito mais que a LDU, que empatou tudo das oitavas às semis e não tinha opções de jogo além dos atletas já citados.

Resta aos torcedores chorar e o time sair da ressaca o mais rápido possível, pois já perdeu 21 pontos no Brasileirão.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Está pro Flu... se ele quiser

Ao contrário do que muitos possam pensar, o resultado de ontem não foi ruim para o Fluminense. Principalmente graças ao segundo gol, e também pelo fato de que a LDU tem um ataque atrevido, mas marca muito mal.

Por que o primeiro tempo terminou 4 x 1 para os equatorianos? Porque o Fluminense entrou com o mesmo esquema e espírito defensivo de quando enfrentou o Boca Juniors. Com todo o respeito à LDU, eles não são o temido esquadrão argentino.

Encolhido e tendo que se adaptar à altitude, o tricolor foi presa fácil para o time-base da seleção do Equador. Guerrón fez o que quis com o lado esquerdo da defesa do Flu. O meio-campo era todo da LDU, que não teve dificuldade de chegar aos quatro gols.

Nas pouquíssimas vezes que resolveu atacar (e tem talento pra isso), o Fluminense chegava na cara do gol. Washington desperdiçou uma chance incrível, Cícero chegou duas vezes dentro da área e Conca conseguiu empatar. Não estava difícil.

Mas o Flu ficou atrás e ainda assim caiu de quatro. Ou seja, de nada adianta defender sem saber como. E pior: desperdiçando a ofensividade inata a todo o time.

Assim que articulou uma jogada entre Conca, Gabriel e Thiago Neves, o tricolor marcou mais um. Se tivesse essa preocupação desde o começo, seria muito mais fácil, pois a LDU deixava "avenidas" em todos os lados de seu campo.

Não tenho dúvidas que o Fluminense possa fazer dois ou três gols no Maracanã, pela fraqueza defensiva dos equatorianos. Mas como Renato vai botar o time pra jogar? Ygor começa como titular? Dodô começa no banco?

A impressão que se tem é que o Fluminense consegue os resultados na base da disposição, tendo que superar até mesmo os vacilos de seu técnico.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Tá completo, é só querer

Um campeão precisa ter, além do talento e da competência, sorte e estrela. Nos jogos decisivos da Libertadores o Fluminense mostrou que tem tudo isso, inclusive ontem.

Vale dizer que o time começou jogando numa postura encolhida, quase covarde, diante de seus 85 mil torcedores. E Renato errou colocando Ygor em campo. Nada contra colocar um defensor no meio-campo, mas o camisa 5 é ruim demais. Entrou só pra tomar olé dos argentinos.

O jogo era todo do Boca, embora Riquelme estivesse visivelmente abaixo do seu esperado, talvez devido às complicações de saúde às vésperas da semifinal. Mesmo assim, Ibarra, Palacio, Dattolo e Bataglia jogaram por ele até fazer 1 x 0, já no segundo tempo.

Aí vem a estrela, personificada em Washington. Artilheiro nato e humilde, embora sem grande habilidade com a bola, surpreendeu a própria torcida ao fazer um golaço de falta. Tudo igual, embora o Flu continuasse recuado.

Então veio a alteração capital do Fluminense: entra Dodô, sai Ygor. O ataque ganha experiência, vontade de fazer gol e categoria de sobra. O camisa 11 chegou a fazer um drible à la Zidane e deu um jeito dos contra-ataques do tricolor finalmente levarem perigo.

E aí vem a sorte de campeão: após Dodô segurar três marcadores, deu um lindo passe pra Conca que, na raça, acreditou e colocou o coração naquele chute cruzado pra área. Ela bare caprichosamente no zagueiro do Boca e "mata" o goleiro no contrapé. Outra surpresa que nem o mais otimista dos tricolores sonharia em ver no Maraca.

Daí, Fernando Henrique fez mais dois milagres como tem sido de costume. Thiago Neves, que não esteve bem, saiu para a entrada do eficaz Mauricio. E, pra fechar o caixão portenho, Dodô fez um gol com a sua marca de classe.

Por que me refiro o tempo todo ao Flu com características de campeão? Porque, oba-oba à parte, a fraca LDU que me desculpe: o tricolor só não leva essa Libertadores se não quiser.

Ah, ontem também teve Corinthians 3 x 1 Sport, pelo primeiro jogo da Copa do Brasil. Bom resultado do Timão, que não pode subestimar a força do Leão na Ilha do Retiro.

O verde da esperança

É hoje. Depois de 24 anos longe da Taça Libertadores da América, o Fluminense está na semifinal da competição. Vai decidir em casa com chances de ganhar.

Como vai se comportar o time? A torcida espera que joguem o jogo de suas vidas, pois o desmantelamento anual (às vezes semestral) dos times brasileiros e a dificuldade da competição pode impossibilitar os atletas de hoje jogarem novamente uma semifinal dessas.

O Boca vem com a tradição, a história e a liderança de Riquelme para jogar com o Fluminense de igual para igual. Não vai querer perder, de jeito nenhum.

Por mais que se deva respeitar a LDU, que chega à final ao empatar com o América, o grande desafio tricolor é o atual campeão da Libertadores. Como em 98 foi o River Plate para o Vasco, quando também se enfrentaram nas semifinais.

Hoje é o primeiro capítulo para essa geração do Fluminense mostrar que pode ficar na história do clube.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

É com respeito e auto-estima

O Fluminense mostrou ontem como se joga pra perder ou ganhar uma Libertadores. O Boca foi o mesmo de sempre, embora tenha uma defesa abaixo do nível do resto do time.

Todas as vezes que o Flu resolveu atacar (nada de desespero, simplesmente organizar algumas simples jogadas no campo do Boca), assustou e conseguiu os gols. Quando recuava - como nos primeiros 20 minutos do segundo tempo - a bola só parava na rede ou nas mãos de Fernando Henrique (que fez a torcida esquecer todas as suas falhas).

Pra ser campeão, o tricolor tem que ter respeito pelo adversário, mas auto-estima em alta pra saber que tem talento pra fazer frente. Gabriel não estava bem, mas Junior César não se intimidava, e de lá saíam as boas jogadas. Thiago Silva e Luiz Alberto mostraram muita maturidade.

Thiago Neves, se não atuar bem, sempre terá um bom chute pra manter o time vivo. Ontem, chutou muito pouco, mas contou com o frangaço do goleiro argentino.

E o blogueiro aqui "queima a língua", pois Riquelme sofreu marcação cerrada ontem e nem por isso deixou de exibir seu monstruoso talento. Embora Arouca não seja um marcador clássico, fico com a explicação do maestro Junior na transmissão do SporTV: não adianta marcação individual se o cara sabe tocar de primeira...

Aliás, todo o time do Boca sabe tocar de primeira! Com exceção da irritante catimba, é muito bom ver o atual campeão da Libertadores jogar. Quando o jogo estava em 2 x 1, os argentinos devolviam logo a bola para o Flu, como se estivessem perdendo, sem se acomodarem.

E não duvido nada que o Boca jogue no Maracanã com a mesma atitude que jogou ontem.

Em São Paulo, o Botafogo quase consegue passar pelo Corinthians, mas ficou nos pênaltis. A meu ver, Castillo falhou no primeiro gol - pra que sair naquela bola, já que Herrera estava marcado? Como já apontou um amigo botafoguense, o uruguaio joga muito adiantado sempre, afobando-se em lances como esse.

A verdade é que, com esse elenco, Cuca conseguiu fazer mais um milagre: depois do vice-campeonato carioca, sai da Copa do Brasil nas semifinais, nos pênaltis. Mas o desgaste de mais um título perdido fez o técnico sair. Não à toa está sendo cobiçado pelo Santos.

Mas a tragédia grega da noite estava reservada para São Januário. Aos 45 do segundo tempo, Edmundo conseguiu levar a decisão para os pênaltis. Depois, foi o culpado pela desclassificação ao isolar infantilmente a bola, numa cobrança típica de quem não treina os penais faz tempo.

O Sport chega com moral para a decisão, e o Corinthians que se cuide pra segurar o Leão da Ilha - que vai fazer o jogo mais importante desde a primeira decisão da Copa do Brasil, em 1989, quando perdeu para o Grêmio.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Fluminense com tudo

Quem lê este blog sabe que nunca apreciei a "marra" de Renato Gaúcho, incompatível com sua condição de técnico em início de carreira e com apenas um título.

No entanto, a postura de pensar que o Boca Juniors não é imbatível, que é possível vencer na Argentina e que Riquelme não pode jogar sozinho demonstra opiniões de quem sabe que o Fluminense tem o potencial pra fazer história.

Por que apenas dentro de casa resolve-se jogar pra vencer? Essa modinha asquerosa contaminou os técnicos de hoje, e só faz a força do Boca ficar maior ainda a cada confronto em sua terra. Mas imaginem se levam um, dois gols no primeiro tempo? A vaga nunca fica garantida, mas o feito traz mais tranqüilidade.

Penso que Riquelme é por demais talentoso: um dos melhores passadores da atualidade, sabe criar e finalizar jogadas e bater faltas com perfeição. Mas nunca vi um jogo em que o argentino se desvencilha de uma marcação forte, ganha no corpo-a-corpo e sai em vantagem.

Perceba: em todos os jogos que Riquelme "arrebentou", a marcação era folgada ou não existia. Se Renato souber aplicar a marcação que promete, mais sorrisos pros tricolores.

Enfim: como quase todos os jogos do Fluminense na Libertadores, promessa de mais um jogão nessa quarta.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Com o verde da esperança

Começando pela Ilha do Retiro: o Sport não tomou conhecimento do Vasco, fez 2 x 0 logo nos 20 primeiros minutos e só não fez mais por capricho.

O Vasco pode muito bem reverter a vantagem, mas o Leão pernambucano mais uma vez mostra que leva muito a sério sua caminhada na Copa do Brasil.

Heroicamente o Fluminense faz história, indo pela primeira vez às semifinais da Taça Libertadores da América. O São Paulo, que fazia tempo não levava três gols numa partida, dentre eles levou dois de Washington - que fazia tempo estava em jejum de gols.

Na pressão, o Flu fez 1 x 0 com gol do Coração Valente, que não marcava há quatro jogos. No segundo tempo, Adriano não deixou barato o vacilo da defesa e, sozinho, empatou.

Um minuto depois, Dodô fez um gol simplório para os seu padrão de qualidade, mas manteve o tricolor carioca vivo: 2 x 1.

Só que, além de Adriano, o tricolor paulista também tem Joílson. Em menos de cinco minutos, ele fez a proeza de levar dois cartões e ser expulso. A estratégia defensiva do então classificado São Paulo sofria, no mínimo, um abalo emocional: menos um em campo, com a vaga por um gol.

E aos 46 Washington mostrou que estava predestinado a ser o herói da noite, saltando mais alto que três zagueiros são-paulinos e fazendo 3 x 1. O choro logo após o gol demonstrou que o Coração não é só Valente, mas humilde. Ali não havia marra, só desabafo de quem joga com raça, mesmo que não atue bem tecnicamente.

O Flu precisava provar a si mesmo que 2008 não poderia ser o ano de falhar nas decisões. E escolheu a melhor oportunidade pra fazer isso. Agora tem tudo pra acreditar que pode ser campeão da Libertadores.

Só precisa atentar a um detalhe: o Boca Juniors, que cedeu o empate em 2 x 2 para o Atlas em casa, foi ao México e carimbou um 3 x 0 pra continuar instigando medo nos futuros adversários.

Os brasileiros do Brasil e da América

Ontem começou a ser desenhada a final da Copa do Brasil. Digo isso porque foi o primeiro jogo, e não por já existir um finalista. O Botafogo conseguiu a vitória, mas o Corinthians já reverteu em casa uma vantagem de dois gols (contra o Goiás).

O que pode definir a partida são os jogadores que não estarão em campo: o Timão terá quatro suspensos por terem levado o terceiro cartão amarelo ontem, enquanto que o Botafogo apenas dois. Ainda assim, esse gol fora de casa pode ajudar muito o Corinthians.

Sport e Vasco fazem um duelo que, no começo da competição, parecia inesperado. O Leão do Recife eliminou com autoridade dois favoritos ao título do Brasileirão: Internacional e Palmeiras. Mas não pode viver do passado recente se quiser chegar mais longe.

O cruzmaltino aposta no excelente ataque e na experiência de Antonio Lopes pra comandar os nervos dos garotos. Se conseguir um bom resultado na Ilha do Retiro, é meio caminho pra decidir com tudo no caldeirão de São Januário.

E São Paulo e Fluminense decidem quem avança na Libertadores. Como bem apontou Mauro Cezar Pereira, é difícil fazer mais de dois gols no tricolor paulista. Assim como é difícil marcar Adriano.

Se Thiago Neves, Conca e Dodô derem o ar de sua graça nessa primeira grande final de 2008, os mais de 70 mil tricolores (cariocas) saem do Maracanã felizes.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

São-paulinos sorriem

Paulo Vinicius Coelho e suas estatísticas comprovaram que o desempenho do São Paulo em Libertadores é semelhante ao do Boca Juniors.

Digo mais: a história recente do tricolor paulista está mostrando que é o primeiro clube desde o Flamengo de 81 a construir uma sólida hegemonia.

Poderia colocar o Palmeiras de 1993-94, mas eles não ganharam Libertadores. Ou o Vasco de 1997-98, mas não ganharam o Mundial Interclubes. O São Paulo, em duas gerações num curto espaço de tempo (1991-2007) conseguiu três Brasileiros, três Libertadores, três Mundiais. Fora os Campeonatos Paulistas.

Sem um futebol vistoso mas também sem "pipocar", o São Paulo faz mais um bom resultado na competição sul-americana. Adriano, mais uma vez, fez um gol decisivo. Fernando Henrique é bom goleiro, mas falha em jogos cruciais. O Fluminense baseava-se nisso quando buscava um outro nome pra posição.

O São Paulo pode não ser campeão (pode até não passar das quartas), mas não duvido que faça a final com o Boca Juniors.

Na Copa do Brasil, o Botafogo joga com a aplicação necessária: empata fora de casa, vence no Engenhão. O Corinthians se supera: vence na casa do São Caetano e garante a vaga nas semifinais. Promessa de um jogão, tanto no Rio como em São Paulo.

Sport 3 x 1 Internacional. O Colorado gaúcho, favorito para o Brasileirão, está eliminado da Copa do Brasil. Sei não, mas o Leão do Recife parece ter ganhado injeção de maiores ambições para 2008 (já foi tri estadual). A conferir.

Só que o Sport pega o Vasco, que não deu margem pro azar e eliminou o atrevido Corinthians alagoano. Mais um rubro-negro no caminho do time da Colina... Edmundo e Leandro Amaral têm contagiado o time e equilibrando talento, liderança e experiência. Excelentes semifinais.

NOTA FÚNEBRE: o Zenit é campeão da Copa da Uefa.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O resto da rodada

Após uma ressaca inesperada, retomo o fôlego pra comentar os demais jogos da rodada de quarta.

A torcida vascaína só tem o que comemorar. Leandro Amaral, dessa vez, demonstrou profissionalismo (tinha outra escolha?) e mostrou que será muito útil ao time. "Tio" Edmundo agradece, ganhou um garçom e tanto. E que também faz gols.

Depois do fiasco rubro-negro, nenhum cruzmaltino se atreve a dizer que a vaga na próxima fase da Copa do Brasil já está garantida...

Sem brilho nenhum, mas garantindo o máximo de pontos possíveis, o São Paulo segue na Libertadores. 1 x 0 talvez seja o placar mais comum nos jogos do tricolor. Mas o sufoco tem compensado, e quem já é tricampeão do torneio nunca pode ser descartado.

O Fluminense, que terça-feira passou pelo Nacional no estilo do São Paulo, completa o primeiro duelo brasileiro na Libertadores. Tem mais talento que o time paulista, mas precisa traduzir em efetividade e vontade de buscar um título inédito.

O Cruzeiro juntou-se ao "paredão" que o Boca Juniors mantém há séculos. Mais uma vítima do implacável campeão da Libertadores em 2007. Os argentinos jogam como se estivessem sempre em casa, e sempre com raça e disposição, como se estivessem perdendo. Pra mim, será bicampeão.

E sábado começa o Brasileirão!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Vexaminoso

Não há outra palavra pra descrever o que foi a partida e o resultado de ontem no Maracanã. O Flamengo jogou como não se deve jogar uma Libertadores: com displicência e achando que seria fácil. Todos os jogos da competição são difíceis e com clima de final.

Caio Júnior que se cuide: sem Fábio Luciano, a defesa rubro-negra fica totalmente desorientada. Por isso tomou sufoco e o segundo gol, o mais importante do jogo (deixou o Flamengo e a torcida nervosos e em dúvida). Só Juan parecia sóbrio.

Souza, que quase não protagoniza os jogos devido a sua função tática de pivô, não escolheu pior momento para aparecer e jogar terrivelmente. Marcinho estava mal, Leo Moura estava mal, Obina e Tardelli não resolveram e Renato Augusto entrou tarde demais.

Não era a noite do Fla. Tanto o primeiro como o terceiro gols mostraram que a sorte não estava do lado do campeão carioca. O que não é desculpa: quem fez quatro gols fora de casa não conseguiu fazer um sequer - o que seria suficiente - diante da torcida?

Agora, resta chegar entre os 4 primeiros do difícil Campeonato Brasileiro para tentar, novamente, a Libertadores. O Flamengo jogou fora todo o planejamento focado na competição sul-americana.

Espera-se dos dirigentes cabeça fria e de Caio Júnior muita psicologia para o elenco perceber que ainda há um ano inteiro pela frente para apagar essa mancha histórica. Precisa pensar no título nacional, nada aquém disso. Apesar de ontem, tem time pra tentar a conquista.

Quando o Cruzeiro pensava que seria o papelão da noite, o Flamengo tratou de ser campeão nisso também. Afinal, o Boca Juniors é o atual campeão da Libertadores, e não o último colocado do campeonato mexicano.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A cada quatro gols, uma surpresa

A noite de quarta foi recheada de goleadas inesperadas, gerando esperanças onde antes não havia. Ou mascarando erros - o que pode ser fatal mais à frente.

É impressionante a capacidade do time do Flamengo para complicar jogos fáceis. O América é o lanterna do campeonato mexicano e já tinha declarado que um empate (em casa!) era um bom resultado. E não consegue acertar um seqüência de três passes.

Pois o Fla fez questão de jogar como se fosse o lanterna do Brasileirão. Muitos erros de marcação primários, passes curtos desperdiçados sem parar, mau posicionamento. Parecia um time que nunca tinha jogado junto.

E sem meio-de-campo. Jailton, como sempre, inútil; Ibson, inexplicavelmente parece que desistiu de jogar futebol; Kléberson, irritante. Só se salva Cristian, que mesmo assim não cria. Daí, Luizinho é lateral autêntico, ao contrário do ala Leo Moura, que se aventura nos bons passes e lançamentos.

Só Juan não dava conta, e Souza voltava pra buscar jogo e se via isolado no ataque, já que Marcinho não aparecia para tabelar.

Só que o ex-jogador do Atlético-MG provou que é a melhor contratação do Flamengo na temporada. Com lançamento de Bruno (mais uma prova do deserto de criação no meio-campo), Marcinho dominou, partiu pra cima e fez algo simples que não estava sendo feito: chutou a gol. 1x0 Fla.

Logo depois, um empate com falha de marcação no cruzamento. No segundo tempo, os mesmos erros e, de novo, Marcinho resolveu chutar (certo) a gol e fez o 2x1. Numa bisonha falha de marcação da zaga, 2x2. O rubro-negro parecia querer drama atrás de drama.

Até que, após mais um chute na trave, Léo Moura (que não estava impedido), cruza para Tardelli (esse eu tenho minhas dúvidas) que só empurra pro gol. Ainda deu tempo, sob o terror de levar mais um gol de empate, de fazer o quarto e praticamente garantir a vaga nas quartas.

Mas se não resolver esse terrível meio-campo, sei não...

O Fluminense também conseguiu ótimo resultado vencendo o Nacional fora de casa. Precisa manter a concentração pra não "apagar" durante as partidas decisivas.

O Cruzeiro fez um importante gol na Bombonera e pode vencer o Boca Juniors em casa. Só não pode pensar que saiu com vantagem, porque o Boca é o Boca, veterano campeão da competição.

O São Paulo arrancou um empate com o Nacional do caldeirão de Montevidéu, mas a torcida ainda hesita em comemorar, com razão.

O Palmeiras caiu de quatro em Recife, provando que sua prioridade é o Campeonato Paulista. Ficar de bem em casa com a torcida, ganhando dos principais rivais, vai dar a tranqüilidade necessária pra começar bem o Brasileirão - onde Luxemburgo deve apostar todas as suas fichas certeiras.

Se eu fosse o técnico da Ponte Preta, diria para seus atletas que domingo é o jogo da vida deles. E aí...

O Corinthians não quis saber do Goiás e fez um 4 x 0 pra dar moral. Também é um time que não empolga e nem possui grande elenco, mas vai se valer da raça pra avançar na Copa do Brasil. Será que a torcida esperava um placar tão dilatado?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Uma outra Libertadores

Definidos os confrontos das oitavas-de-final, começa agora uma nova competição. Não se pode exagerar, mas a verdade é que muito do que foi apresentado pelos times até agora não vai valer tanto a partir da semana que vem.

Campanhas ruins na primeira fase têm a chance de se redimir a partir de agora. Líderes estão em pé de igualdade com os últimos classificados, e podem cair a qualquer instante. Cada jogo será uma final, e isso muda tudo.

O Flamengo sofreu (de novo!) ao enfrentar o Coronel Bolognesi. Pareciam estar de ressaca da notícia da saída de Joel Santana. Mas Bruno resolveu salvar a noite com um lindo gol de falta. Milhões de passes errados e o golaço do goleiro: assim se resume a noite rubro-negra.

Aliás, o Fla vai jogar na altitude novamente, viajando até o México em meio às finais do Carioca. E no jogo de volta estará com técnico estreante. Perigo...

O São Paulo prossegue se especializando na contagem mínima e avança. O Cruzeiro pega de cara a pedreira chamada Boca Juniors. Mas os times brasileiros têm chance de chegar à final.

O Botafogo não deixou a Portuguesa fazer a festa e venceu com placar suficiente. Chega com moral à final do Carioca embora desfalcado, o que pode prejudicar um pouco. Digo um pouco porque em um mês Cuca montou um novo time, no início da temporada. Pode fazer novas mágicas para um jogo.

A garotada do Vasco vai tentando redimir a imagem do time. Desde o jogo com o Fluminense mostram disposição e raça, numa evolução crescente. O mata-mata da Copa do Brasil favorece o contexto do elenco cruzmaltino. Com Edmundo fazendo a diferença então...

A Ponte Preta promete endurecer contra o Palmeiras, anunciando até marcação especial sobre Valdivia. E quanto a Diego Souza, Kleber, Alex Mineiro, Lenny, Leo Lima...? Missão dificílima para a Macaca.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Agora sim!

O Flamengo mostrou nessa noite de quarta que os fantasmas eram bem menores do que se pensava. Após uma preparação séria, o time agüentou bem a altitude (substituição só a menos de 5 minutos do fim), suportou a pressão sem perder a cabeça e usou o talento que tem pra fechar em 3 x 0 a primeira vitória fora de casa em 2008.

No primeiro tempo faltou meio-de-campo ao Fla. Ibson não se apresentou para a armação, Renato Augusto voltava (um pouco), deixando Souza isolado. Kleberson e Cristian estavam ordenados a não passar da linha central. Bruno vale cada centavo que o clube gasta com ele: transmite muita segurança, sem pose. Fez defesas cruciais, de novo.

No segundo tempo resolveu-se o problema do meio com Ibson resolvendo jogar. E outra vez Souza dá o passe pro gol. É um dos jogadores mais importantes do esquema de Joel, pois engana a marcação já pela aparência: um grandalhão camisa 9 tem tudo pra ser um centroavante clássico. Pois Souza faz o pivô, puxa o zagueiro e dá verdadeiras assistências. Custei a acreditar que Renato Augusto saiu tão fácil na cara do gol.

Depois da expulsão, tudo foi mais fácil. Toró começa a redenção pessoal aparecendo bem na marcação e fazendo o gol mais importante do jogo - o da serenidade.

O time soube tocar a bola (a altitude ainda serviu pra isso) e um detalhe importantíssimo: finalmente um cobrador de faltas oficial. Juan disse após o jogo que já vinha treinando, e taí o resultado.

O ótimo juiz não deixou o jogo descambar pra catimba de nenhum dos dois times e não inverteu faltas. O bandeirinha deixou muito a desejar, mas convenhamos que o Cienciano teve um gol mal anulado no Maracanã.

Classificação garantida, clima de paz e missão cumprida. O Flamengo nunca pode desacreditar de seu potencial, seja contra o Bolognesi ou o Boca. Todos esperam que entre sempre em campo pra ganhar. Se pensar assim, a tendência é crescer na competição.

O Fluminense perdeu a invencibilidade aleijado de um ataque experiente e titular (ok, ao menos Cícero jogou). Levou 2 x 0 do Arsenal num jogo anormal: Thiago Neves expulso e Thiago Silva falhando feio.

ATUALIZAÇÃO: na verdade, o erro feio (no segundo gol) foi de Ygor.

Nada que arranhe a campanha ou assuste o torcedor. Mas terminar a primeira fase como líder é uma mão na roda, pois o segundo jogo da eliminatória seria em casa.

O Santos perdeu do Chivas mas continua em segundo do grupo. Tem tudo pra passar (vai decidir em casa), já que recuperou o mais importante: a auto-estima. A legião estrangeira tem feito a diferença na Libertadores, e acredito que possa até passar das oitavas, dependendo do adversário.

Isso aí, Botafogo. 2 x 0 contra o River e risco de trauma deixado pra trás. O artilheiro Wellington Paulista confirma a seqüência de fazer gols em jogos decisivos. Nessa toada, domingo promete.

Mas o time precisa fazer como Corinthians e Vasco: sua principal meta deve ser a Copa do Brasil, atalho preciso pra Libertadores 2009 - com status de campeonato nacional.

sábado, 5 de abril de 2008

Alerta vermelho e preto

Juca Kfouri resumiu bem a situação brasileira na Libertadores: só o Flamengo corre sério risco de ficar pela primeira fase. Fluminense e Cruzeiro estão classificados, São Paulo quase lá, Santos com chances.

A princípio, o rubro-negro pensou ter pego um grupo fraco. Acho que pegou mesmo, mas se complicou devido a dois resultados: matematicamente, no empate em 0 x 0 contra o Coronel Bolognesi, um jogo que poderia ter ganho com facilidade. Emocionalmente, na derrota de 0 x 3 para o Nacional. Quatro pontos que fazem muita falta ao Fla.

Pois o Cienciano e o Nacional trataram de fazer boas campanhas e agora o Flamengo precisa ao menos de um ponto pra continuar sonhando com a vaga. Vai pra altitude enfrentar um adversário que deu trabalho no Maracanã. A dificuldade de vencer fora de casa é um ingrediente a mais.

De novo, o time chega na hora da verdade. O Flamengo sempre vive jogos, não necessariamente em fases finais, que valem o ano. Se não passar, compromete; se passar, motiva. Tudo é épico no clube da Gávea.

Antes do flerte anual com o rebaixamento no Brasileirão, o Fla tinha uma fama: se deixar chegar, ninguém segura. Mas tem que chegar. Será que a fama volta? A torcida rubro-negra tem uma relação com o drama no sentido de que nada pro Fla é fácil de conseguir.

Taí mais uma situação. Se os jogadores compreenderem esse contexto (e se ao menos Renato Augusto jogar no meio, pelamordedeus!), não tem Cienciano que segure. O que é o Cienciano no futebol? Oitavo lugar no campeonato peruano. E o que é o Flamengo no futebol? Zico, Júnior e companhia já responderam.

Uma vez, Flamengo, sempre Flamengo. Fazer o quê? Blogueiro também tem (time de) coração.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Na conta do chá

Sobrevive o Flamengo. Os 2 x 0 contra o Nacional trouxeram a liderança e a tranqüilidade de volta. O time jogou compacto, ainda que exposto na defesa - mas era o risco calculado. Menos mal que Joel colocou um time ofensivo: Cristian ficou à frente da zaga e foi o melhor em campo, roubou bolas e acabou com vários ataques uruguaios. Kléberson, Ibson e Marcinho jogam pra frente. Luizinho melhora a cada jogo e mostrou raça e disposição impressionantes (a desconfiança inicial de Joel parece ter motivado o atleta).

Marcinho foi, simbolicamente, o nome do jogo. Irritou a torcida com sua lentidão de raciocínio mas compensa tudo com oportunismo na área. Todos os seus gols pelo Flamengo foram assim. Embora não estivesse jogando maravilhas, aproveitou as oportunidades - assim como o resto do time. Bruno ainda salvou os cardíacos fazendo uma defesa incrível quando estava 0 x 0.

Por mais xodó que seja, Obina tem sido um retrocesso quando entra no jogo. Se Tardelli tivesse entrado no lugar de Souza, aposto que faria ao menos um gol. E Joel não pode insistir, nos próximos jogos, com a volta de Toró. Além de não ter tantas qualidades como se fala, está passando por um momento péssimo, em todos os sentidos.

Dizem que o Fla atual é um time caseiro, que só ganha no Maracanã. Estatisticamente, não há o que discordar. Porém é preciso ressaltar que nos últimos anos, flertando com o rebaixamento no Brasileirão, até isso o Fla tinha perdido. Era "sacode" fora de casa e "sacode" diante da torcida. Metade do problema se resolveu. Quer mudar o resto da história? É só enfrentar o Cienciano, em Cuzco, de igual pra igual, querendo a vitória. Se já for pensando em empate e na desculpa da altitude não vai dar...

O Fluminense foi exemplar: não se intimidou após levar o primeiro gol e poderia até ter feito mais um. Contou com a valiosa ajuda dos perebas do Libertad, que desperdiçaram gols incríveis. Mas, ao menos na competição da qual não participava há 23 anos, tem mostrado regularidade. Se não vencer o Carioca mas emplacar na Libertadores, a torcida vai ter muito pó-de-arroz pra jogar.

O Santos perdeu, mas nada desastroso. Pra expectativa que o time apresentava no começo da temporada, está de ótimo tamanho: com chances de se classificar no Paulista e na Libertadores, sem dar vexame. Mesmo que não avance tanto nas duas competições, a casa não caiu. Hoje é a vez do São Paulo: mais uma incógnita que traz adrenalina ao torcedor.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Cruzeiro querido. E o Mais Querido?

O Cruzeiro arrancou um empate em Caracas e segue líder invicto de seu grupo na Libertadores. Curioso é que o clube só conseguiu entrar no torneio porque o Fluminense, campeão da Copa do Brasil, ficou em quarto lugar no Brasileirão 2007 e liberou a vaga para o quinto colocado. Terminou o ano envolto em desconfiança mas acertou o elenco e confirma a vocação "copeira". Ramires mostra que a safra de volantes com habilidade veio pra ficar, Marcelo Moreno tem boa média de gols (feitos e perdidos, diga-se) e não duvido que o time de Minas brigue pelo título.

E chegou o grande dia do reencontro do Fla com o Nacional. Como já falei antes em relação ao Fluminense, a torcida rubro-negra não sabe o que esperar do confronto. Principalmente do "momento estressadinho" que o time atravessa. Será que já existe bolão pra quem vai levar cartão amarelo ou ser expulso? O capitão Fábio Luciano espera que dessa vez o Fla termine o jogo com seus 11 jogadores em campo... Pode??

A história do Fla é repleta de drama e situações épicas. A panela de pressão é o normal da Gávea, e os próprios jogadores admitem isso. As vitórias e os títulos sempre tiveram duas características: raça e talento. Quem não tem o último, compensa com o primeiro (sem violência). Bruno, Leonardo Moura, Fábio Luciano, Juan, Ibson, Renato Augusto, Diego Tardelli e Souza: é com a bola bem tratada por estes que a torcida conta.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Nasce outro blog (apesar do dia ruim)

É estranho um rubro-negro resolver criar um blog sobre futebol após uma derrota do Flamengo. Mas assim surgiu a vontade, não posso discutir com a inspiração. Pois blogarei por aqui minhas humildes opiniões sobre esse esporte que mexe comigo e com tanta gente no mundo. E não escondo o jogo: meu time estará bastante presente nas futuras análises.

Falando sobre o triste presente, foi terrível a derrota do Fla para o Nacional do Uruguai, por 3 x 0. Mas por que foi tão terrível?

Primeiro: o Nacional é um time muito ruinzinho, com um Jardel uruguaio na frente - a diferença é que Morales não sabe cabecear como o ex-atacante gremista, então imaginem... Eles erram passes demais, o mesmo quanto aos chutes. O jogo estava equilibrado, mesmo quando o Fla levou o primeiro gol: foram duas finalizações perigosas pro campeão da Taça Guanabara, contra três do time uruguaio.

Ibson mais uma vez provou ser o termômetro do time: muito nervoso, levou cartão amarelo por reclamação, e a intranqüilidade começou a contagiar os companheiros. Daí veio a expulsão de Toró, o que demonstrou como a falta de experiência internacional prejudica um jogador. O apoiador de 21 anos foi mandado embora por empurrar o gandula! O capitão Fábio Luciano chutou a cara de um adversário no chão, mas o juiz não viu. Num jogo que estava tranqüilo, o Fla jogando razoavelmente e podendo virar no segundo tempo.

Então veio o segundo tempo, e logo no começo Leo Moura também é expulso! Um dos melhores e mais regulares jogadores, com uma Libertadores nas costas, bota o pé nas costelas do uruguaio e... rua. Aí destrambelhou de vez. O Fla levou mais dois gols e um sufoco graças ao nervosismo.

O que mais me preocupa é que o elenco do Flamengo não parece ter cabeça pra suportar a pressão de uma Libertadores. Num jogo de primeira fase, que não complicaria a situação do time no grupo, são duas expulsões e um temperamento de jogadores juvenis. E se passar pra próxima fase e pegar o Boca Juniors na Bombonera?

A viagem de volta será bem mais longa, os lances desastrosos passarão pela cabeça dos atletas um milhão de vezes. Mas é preciso juntar os cacos com maturidade: não se pode desesperar com tão pouco numa partida, e sem serenidade o talento não flui.

Outras preocupações: quando o técnico Joel Santana vai escalar alguns jogadores para treinar cobrança de faltas? Nunca ouvi falar de um time campeão que não sabe fazer gols assim. E o Kléberson, que sabe jogar, tem apagões alternados: joga bem no domingo, desaparece na quinta.

E nem adianta reclamar do juiz ou do bandeirinha (que marcou uns três impedimentos errados do Fla), porque em 1981 Zico e cia. enfrentaram os açougueiros do Cobreloa e ganharam na bola, sem chiar e sem cair na pilha errada dos catimbeiros. Assim deve agir o Fla de hoje.

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O Fluminense mandou bem: venceu o campeão argentino Arsenal com um retumbante 6 x 0, o time todo jogando bem. Mas Dodô colaborou com os dirigentes: sua atuação valeu o caro ingresso que o torcedor carioca é obrigado a pagar. Participou de quatro gols e fez dois golaços (o segundo, lembrando Zidane na final da Liga dos Campeões). Aliás, quando foi a última vez que Dodô fez um gol feio, ou simplesmente normal? Ele e Robinho são dois jogadores que me fazem querer assistir a qualquer jogo em que atuem, pois já criaram o hábito de zelar pela estética com resultado que sempre caracterizou o bom futebol.


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Existiu um imperador chamado Adriano. É por isso que o apelido do jogador do São Paulo é esse, no afã do marketing. Nada do que ele já fez no futebol (ou fora dele) justifica tão pomposa e imponente alcunha. Então, Adriano, faça um favor a todos nós: cale a boca e faça gols, aproveitando a força física que você tem. Ronaldo construiu a carreira assim (só tome cuidado para não romper os tendões por excesso de massa muscular). O São Paulo só precisa do que aconteceu ontem: que você seja decisivo com o que sabe fazer. No caso, dois gols pra virar o jogo. E a gente precisa de menos besteiras pra encher as páginas de jornais.