terça-feira, 18 de maio de 2010

A revolta dos palhaços

Como diria Charles Henriquepédia, o mais novo integrante do Pânico na TV: "esse Felipe Melo é um brincalhão". A mesma destemperança (ou seria falta de inteligência?) que o desgovernado volante exibe em campo aparece fora dos gramados.

Primeiro, bateu boca com o jornalista Paulo Vinicius Coelho, da ESPN Brasil, quando recebeu um questionamento sem a penugem da Globo. Poderia ter respondido com o tom da superação, mas preferiu mostrar as travas do Kichute. Nem quando se desculpou fez diferente.

Agora, em entrevista coletiva, mostra que é o discípulo de Dunga no quesito rancor. Foram muitas declarações polêmicas, mas destaco apenas a mais emblemática: 

"Os números dizem tudo, o que vale é o resultado. Temos que parar com esta palhaçada de ficar criticando!"

Acho que o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, acabou de perder o emprego. Ninguém expressou melhor o ponto de vista dessa Seleção, desse técnico, desse grupo. Resultado acima de tudo, e as críticas são coisa de palhaço.

Felipe Melo ainda vocifera contra a mídia, que parece ser sempre do contra e, não importam as convocações, inventam nomes a serem pedidos. Concordo que a imprensa esportiva deve repensar seus arroubos extremistas, mas como viver num mundo sem críticas? Como ser um jogador de futebol brasileiro, com visibilidade global, sem achar que será criticado?

Os profissionais do esporte mais popular do pais estão muito mal acostumados com a Escola Galvão Bueno de Jornalismo, especialista em fazê-los sorrir mesmo quando não merecem, mesmo quando precisam repensar seus caminhos. E esses atletas/técnicos também não percebem que é essa mesma Escola que os execra sem piedade quando convém (vide Roberto Carlos e o meião).

Se os números dizem tudo, e Felipe cita os seus próprios na Juventus, podemos então dizer que ele é um fracassado. O que ele ganhou na Itália? Nada, assim como a Seleção de 82, que o "Dunguinha" cita na mesma entrevista, com desprezo.

E ainda sobra pros palhaços, coitados.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dunganation

Depois de umas férias forçadas do blog, consegui voltar. Mas como todo mundo já disse tudo e mais um pouco sobre a convocação do Brasil para a Copa 2010, listo apenas as perguntas que ficaram sem resposta:

- Se Ganso e Neymar não foram convocados por falta de experiência na seleção principal, por que Grafite, com 26 minutos jogados pelo Brasil, vai à Copa?

- Se a justificativa para levar Grafite é para ter um outro centroavante "trombador" como reserva de Luís Fabiano, por que não há um outro jogador assim na lista de espera? Caso um dos dois se machuque, o reserva é o magrelinho veloz Diego Tardelli;

- E por que Ganso está na lista reserva, correndo o risco de entrar na Copa sem a tal experiência?

- Por que Jorginho se irritou tanto ao compararem a situação de Neymar à de Pelé em 1958? Pelé não era o Rei do Futebol antes da Copa da Suécia (aliás, era reserva).

Confesso que estou sem estômago para as questões extra-campo da Copa do Mundo. Estou ansioso pra ver logo os jogadores em campo, a bola rolando, que é o que mais importa.

É muito difícil viver num mundo tão extremista, numa dinâmica em que o próprio Dunga acaba sendo, com toda a sua voluptuosidade, um excelente bode expiatório para qualquer que seja o resultado. Se vencer, gênio; se perder, fez tudo errado. Não consigo pensar dessa maneira.

Mas também não aceito sofrer maus-tratos. Ligar a TV para ouvir xingamentos de técnicos em coletivas ou ter que aturar o jornalismo esportivo brasileiro (salvo a exceção de PVC e alguns outros da ESPN Brasil) cobrindo uma Copa do Mundo como se eu não tivesse cérebro, é dose.

Esse 11 de junho vai demorar a chegar...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Alegria, alegria

O Santos é Neymar e mais dez.

O Santos é Neymar.

O Campeonato Paulista é Neymar.

O Brasil é Neymar.

Se o Santos vai ser uma Seleção de 82 - que jogou bonito mas não ganhou - só o Santo André poderá dizer.

Mas de quem vamos falar daqui a alguns anos? "O que era aquele Santos do Neymar, hein?". De maneira que eu não me importo com os títulos que esse time possa ganhar ou não. Claro, não sou santista, fica mais fácil pensar assim.

Só que o Santos de Neymar faz muito mais do que uma ótima campanha num campeonato estadual. Ele mostra que apesar da desorganização de nosso futebol, da sanha exportadora de craques cada vez mais imberbes, do futebolismo carrancudo de resultados... ainda há alegria.

A alegria de Pelé e Garrincha, a que eles sentiam e a que causavam, está revelada em Neymar e cia. Isso não é pouca coisa, e não há título no mundo que seja grande o bastante para legitimar isso.

Assim como a flor citada por Carlos Drummond de Andrade, o futebol da Vila Belmiro em 2010 atropela os malfeitores e ousa sorrir (com a diferença que o futebol do Santos não é feio):

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

(...)

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nenhuma novidade

Alguém duvida que o Carioca 2010 será um título inesquecível para a torcida do Botafogo? Se essa frase fosse proferida no final do ano passado, e até no começo deste ano... Mas olhando para o que foi o campeonato, alguém discorda que o Glorioso foi o time mais arrumado?

Quando se diz que há uma responsabilidade grande de Joel Santana na ressurreição alvinegra pode-se evocar o jeitão do técnico, sua capacidade de motivar, mas também sua competência em armar o time com o que tem nas mãos. Claro que Joel entrou sem pressão alguma, o que facilita.

"Sem pressão??" É isso mesmo, sem pressão. Depois do 0 x 6 pro Vasco, quem tinha alguma expectativa com o Botafogo? Sobre o Fla estrelado e campeão brasileiro, o Flu reforçado e entrosado após a luta contra o rebaixamento e o Vasco voltando por cima da série B, era exatamente o contrário.

Então enquanto a torcida botafoguense não levava fé e não tinha o que cobrar (nem elenco decente ela tinha), Joel contou com a confiança devota da diretoria e mostrou ao grupo o  pouco que eles tinham de bom. E que deveriam ser os melhores nesse pouco.

Os rivais, com sua gama de possibilidades de escalação, variação de jogadas, competições paralelas que disputavam atenção com o Carioca, não sabiam direito no que se concentrar. O Botafogo sabia: em fazer uma campanha digna e saber que, numa competição de baixo nível e com tiro curto, era sua grande chance de redenção.

E foi com essa confissão de fé que o Botafogo realizou a sua "procissão". E a cada "milagre" realizado, maior a crença de que algo mais era possível. Desbancou o Flamengo quando o rubro-negro ainda impunha respeito; expôs as fraquezas táticas do Vasco e conseguiu o primeiro grito de campeão; aproveitou-se da indefinição tricolor e venceu de virada o Fluminense; e chutou cachorro morto ao vencer o Fla na decisão da Taça Rio.

O Campeonato Carioca é um feijão com arroz básico (e se continuar do jeito que está, vai virar um feijão com farinha, no máximo). Mas Joel Santana não tem nada com isso e mais uma vez entregou sua especialidade: um saboroso feijão com arroz, daqueles que nem a mamãe faria.

Após a ressaca geral, resta ao Botafogo decidir: está satisfeito com o básico, ou vai partir para culinárias mais refinadas?

sexta-feira, 19 de março de 2010

A quase vitória dos chatos

O Chelsea quer levar Neymar. Estava demorando que voltasse a aparecer uma proposta milionária pelo craque da Vila Belmiro - a primeira veio do Real Madrid, antes da fama, tentando um projeto "Messi 2". Não me surpreenderia se o garoto quiser mudar de ares, mas por motivos bem diferentes da maioria dos seus contemporâneos.

Neymar tem apresentado maturidade em forma de frieza dentro de campo. Ainda em seus 19 anos não sente o peso de ser uma estrela, o principal jogador, o mais visado pelos marcadores e pelas cobranças em geral. Seja diante de um timeco ou num clássico, Neymar é sempre o mesmo: parte pra cima, não se intimida, faz gol, dribla, firula e tudo o mais.

Só que desde que humilhou o time de segunda maior torcida do país, Neymar passou a ser patrulhado como nunca antes. Se o chapéu em Chicão foi desnecessário e irritou, quando o santista justificou-se dizendo que fez porque "deu vontade", aí é que o moralismo hipócrita e subalterno não o deixou em paz.

Em vez de fazerem como o time do Palmeiras - revidando a provocação na mesma moeda, com gols e dancinhas - todo o resto do Brasil usou dos mais variados argumentos para que olhássemos Neymar como um inconsequente. E que em breve ia pagar o pato, quem sabe até fisicamente.

Fiquei impressionado em ver como a crítica esportiva e seus protagonistas se habituaram a, veementemente, condenar a malemolência brasileira que sempre existiu no futebol. Não se pega no pé dos técnicos que mandam bater, nos árbitros que não coíbem a violência, nos dirigentes que não honram as dívidas dos clubes... A bronca é sempre maior com quem joga o tal futebol bonito.

E aí Neymar vai jogando, sendo patrulhado por árbitros, marcadores e até colegas goleadores que já passaram pela mesma coisa (Ronaldo). A expulsão diante do Palmeiras, depois de apanhar o jogo inteiro, parece ter sido o primeiro momento em que o garoto cedeu à pressão. Nada mais natural.

Mas já querem dar um gancho de 18 jogos, como se ele fosse o único atleta atual a falar desaforo para o juiz.

Assim, se os demais garotos de sua idade querem ir pra Europa para se destacar mundialmente e ganhar mais dinheiro, Neymar pode ter mais um motivo pra cair fora do país: está sendo muito penoso para o santista ser ele mesmo.

Ou Neymar deixa de ser Neymar e começa a jogar um futebol "mais do mesmo" - sem ousadia, picardia e chiadeira contra a violência - ou ele não serve para o cenário atual do futebol brasileiro. Porque na onda troglodita que se apodera de nossos campos e estádios, não vai faltar gente querendo que alguém "dê uma lição" em Neymar. Ou que tudo o que ele faz é apenas firula sem propósito.

Talvez em um cenário mais civilizado (e não estou sendo eurocêntrico) Neymar possa exibir sua arte e ser aplaudido por todas as torcidas - como acontece com Messi, Tevez ou Cristiano Ronaldo por onde quer que passem. Que Neymar encontre um lugar onde ele possa ser sempre Neymar.

É curioso: parece que o futebol brasileiro só tem chance de sobreviver ao se afastar de suas paragens. A mentalidade coronelista e colonialista continua reinando, levando Neymar e assemelhados para o sacrifício.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O eterno chororô e a maturidade de Neymar

Vou te dizer: não tem nada mais sacal e repetitivo no futebol do que o chororô "o-adversário-não-está-nos-respeitando-ao-tocar-a-bola-com-classe-e-fazer-firulas-para-passar-o-tempo". A carpideira do momento é o Corinthians, tendo no técnico Mano Menezes e no Fofômeno seus principais porta-vozes. Os Meninos da Vila deitaram e rolaram e agora o nhémnhémnhém está do lado do Parque São Jorge.

O que eu fico mais encucado é que os corintianos alegam que esse tipo de atitude não tem objetividade, e visa humilhar o adversário. Então, se o Santos enfiasse uma goleada em vez de fazer a bola correr, isso seria menos humilhante? Quando o Corinthians estiver garantindo uma vaga na fase seguinte da Libertadores e, para não se arriscar, fizerem a bola correr graças ao talento de Ronaldo, Dentinho, Defederico e cia., isso será condenável?

Pra completar o festival de absurdos, Mano Menezes reclama que qualquer contato com os Meninos da Vila é considerado falta, ou cartão amarelo. Bom, se eles têm habilidade e o único recurso dos marcadores acaba sendo "matar a jogada" (o eufemismo mais frequente na boca dos técnicos), então o juiz tem que marcar. Não é óbvio?

"Ah, futebol é esporte de contato". Sim, mas se existem jogadores que fogem do contato para visar somente a bola, isso também deve ser considerado pela arbitragem.

Mas o bom mesmo é ver a maturidade e a personalidade de Neymar, provando que não é mais uma mosca-morta no cenário do futebol brasileiro. Denunciou a ameaça do zagueiro Chicão (que não precisa desse tipo de coisa, é bom jogador) em agredi-lo, afirmou que vai continuar jogando assim e que o Santos utiliza os recursos que têm. Parece veterano falando. Diante de Neymar, Robinho fica ainda mais infantil do que já é.

O Corinthians quer dar o troco? Encontre o Santos na semifinal, faça um placar favorável e firule de volta. Ou já esquecemos que o Brasil deu ao mundo jogadores como Pelé, Garrincha, Julio Cesar Uri Geller, Denner, Robinho mesmo, Ronaldinho Gaúcho, Denílson e tantos outros que fizeram o que suas torcidas adoram - humilhar o adversário com o drible, seja em que situação for.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Arbitrariedades

Depois de passarem mais de um século sendo injuriados, pressionados, com as mães sendo xingadas a torto e a direito, os árbitros de futebol encontraram a profissão certa pra virar a mesa após a aposentadoria  - comentarista de arbitragem.

Não existe ocupação mais cômoda para um ex-árbitro do que avaliar o trabalho de seus colegas do conforto da cabine da emissora, vendo e revendo um milhão de vezes todos os lances do jogo para só depois dar seu veredicto.

Assim, os homens do apito atingem a imortalidade apenas em seus benefícios: continuam julgando os lances que acontecem no gramado, mas sem a responsabilidade e as consequências possíveis. Como o distanciamento crítico relativiza-se diante do corporativismo, não são poucos os ex-árbitros que tão somente confirmam o que seus colegas acabaram de decidir ao vivo. Mesmo que a imagem não seja tão esclarecedora a esse ponto, ou que diga exatamente o contrário.

Sem contar as inúmeras vezes em que o mesmo comentarista avalia um tipo de jogada de maneiras diferentes. E isso pode acontecer até na mesma partida. Uma puxada de camisa pode ser falta, e a mesma puxada minutos depois pode não ser. A regra não é clara.

O mais irônico é que, para o novo ganha-pão, eles se servem da tecnologia que fazem questão de sonegar a seus colegas do presente. São, na maioria das vezes, solidários na hora de comentar os lances, mas sequer cogitam a possibilidade das câmeras e replays auxiliarem os juízes in loco.

O que leva os donos do apito de ontem e de hoje a uma estranha tentativa de manter o status de autoridade máxima em campo, custe o que custar. Perguntem se a Irlanda, que vai assistir à Copa na TV, concorda que o juiz é o sabe-tudo inquestionável em campo.

O pior efeito colateral dessa história é que os comentaristas de arbitragem têm enorme vocação para a arrogância, cujo maior arauto é Arnaldo Cezar Coelho. O vídeo abaixo é emblemático, e é o tipo de postura que temos que aturar nas transmissões de agora.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O rótulo

Um dos grandes problemas na análise de futebol de hoje é quando se observa o rótulo, não o conteúdo. É o que se vê quanto a Ronaldinho Gaúcho, por exemplo.

Colaram em Ronaldinho o rótulo de “ele não é decisivo quando o time precisa”, “pipoqueiro”, “amarelão”, e por aí vai. E é a partir desse estereótipo que as atuações do jogador do Milan são avaliadas. Também é pelo rótulo que opinam se ele deve ir ou não à Copa.

Ronaldinho decidiu um jogo do campeonato italiano? “Ah, só contra time pequeno”. Decidiu o clássico contra a Juventus? “Ah, a Juve faz campanha de rebaixado”. Não jogou bem contra a rival Inter de Milão? “Tá vendo? Pipocou...”.

Hoje, contra o Manchester United, Ronaldinho fez o primeiro gol, deu o passe pro segundo e levou perigo à defesa inglesa várias vezes. Mas como o Milan perdeu levando dois gols de Rooney, automaticamente o brasileiro é classificado como decepção. Se Kaká tivesse o mesmo desempenho com o Real Madrid, com o mesmo resultado final, ninguém diria isso.

É curioso constatar os dois pesos e duas medidas quando se trata de avaliar os medalhões que fracassaram na Copa de 2006. O já citado Kaká ainda faz jus a ser intocável, mas e quanto a Ronaldo, Robinho e Adriano? Ao contrário de Ronaldinho, estes três desistiram de jogar na Europa e voltaram ao Brasil. Diante do êxodo constante dos nossos melhores (e jovens) talentos, é claro que eles iriam sobrar por aqui.

Ronaldinho Gaúcho foi o único a tentar prosseguir jogando em alto nível, sem artimanhas disfarçadas de saudade de casa. Mesmo em seus piores dias na Itália, continuou buscando melhorar em meio aos melhores craques do planeta. E tem conseguido.

Ronaldo, ausente em metade dos jogos do Corinthians, merece a Copa? E Robinho, um fracasso no Manchester City (onde por muito tempo era o jogador mais talentoso mas não mostrou isso em campo)? Adriano conseguiu maior regularidade, mas não na Europa. A condescendência com eles é proporcional à crueldade com que julgam Ronaldinho Gaúcho.

E desistam de esperar o Gaúcho na Copa 2010. Dunga será mais fiel a seus lacaios, como Josué, Felipe Melo e Gilberto Silva. E até ao próprio Robinho. Está além da capacidade do técnico da Seleção flexibilizar seus métodos em nome da presença de um talentoso (embora inconstante) Ronaldinho. Para Dunga, o importante é a estabilidade e a lealdade, critérios que nunca preocuparão os medíocres com vaga certa na Copa.

Será que Ronaldinho vai ter que reinventar o futebol pra ser levado a sério novamente?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O descaso de Petkovic

Ridícula, absolutamente ridícula, a situação que Petkovic causou no Flamengo. O que você diria de um jogador que se irrita no intervalo de um clássico e deixa o estádio, enquanto todo o time (incluindo o outro atleta também substituído) tem que retornar para reverter o resultado negativo?

E o que é pior: fica circulando de carro nos arredores do estádio ouvindo o jogo no rádio tão somente para, se fosse sorteado no antidoping, voltar a tempo. Todos esses acontecimentos foram admitidos por Petkovic, que ainda mandou essa na coletiva: "Se eu cometi uma indisciplina...". Se?????

A decisão de Marcos Braz, diretor de futebol do clube, em rescindir imediatamente o contrato do sérvio foi desproporcional. Atos de indisciplina devem ser punidos de acordo com o prejuízo causado. Ainda mais no contexto atual do Flamengo, em que privilégios são concedidos e relevados com facilidade.

O empresário de Pet pode estar certo em achar que Braz tem algo pessoal contra o jogador. Mas nada disso teria acontecido se ele não tivesse chutado pro alto o compromisso que tinha com o clube e, principalmente, com seus companheiros.

Patricia Amorim já chegou com panos quentes, pois não vai querer ficar marcada como a presidente que dispensou um ídolo ainda no auge da popularidade. Vai ter que administrar a contrariedade de Marcos Braz, que já foi desgastado em sua autoridade no episódio com Andrade.

E Petkovic, se permanecer no Fla, vai ter que aceitar duas coisas, de imediato: que não é a única estrela magnânima - Vágner Love, na humildade, e Adriano, mais jovem e em ritmo de Copa, estão à sua frente; e que o time tem rendido melhor sem ele, ao menos por enquanto.

Aos 37 anos, Pet pode conseguir uma Libertadores inédita para seu currículo. É só parar com a marra que o caracterizou em outras passagens pelo clube e que estava esquecida até então.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ano domini

 

Camisa nº 3 do Corinthians, apresentada nesta semana. 

Padres designados para velórios em São Paulo  já contam com roupa esporte.

Ainda se faz pesquisa de mercado?

domingo, 31 de janeiro de 2010

O ocaso de Petkovic



O incrível Fla-Flu deste domingo teve 8 gols e a participação de novos e antigos personagens conhecidos das torcidas: Adriano, Vágner Love, Conca, Alan, Maicon, Vinícius Pacheco... Menos um: Petkovic. Ninguém está falando nisso com a veemência necessária. Quer dizer, uma pessoa está: o técnico Andrade, que não hesita em sacar o gringo quando ele não contribui para o time na partida.

Pet já tinha seu lugar garantido no coração da torcida ao fazer aquele gol da final do Carioca de 2001, contra o Vasco, aos 43 do segundo tempo. Ressuscitou em 2009 para contribuir com o tão sonhado hexacampeonato brasileiro, com atuações memoráveis. Mas até então Pet era uma surpresa diante de seus desempenhos recentes no Goiás, Atlético-MG e Santos.

Sendo uma surpresa recheada de talento (que não se esquece) e experiência, foi um dos craques do país no ano passado, e era a cereja do bolo do bem arrumado time de Andrade. No entanto, acredito que o último grande feito de Petkovic tenha sido o gol olímpico que desmontou o Galo em pleno Mineirão, abrindo a vitória final por 3 x 1. De lá pra cá, a verdade é que o sérvio não tem jogado nada, embora saiba muito bem se manter na mídia.

Nos jogos seguintes, Pet teve atuações discretas, com lampejos aqui e ali e escanteios bem cobrados, como no que originou o gol do título de Ronaldo Angelim, contra o Grêmio. Não duvido da capacidade de Pet de se adaptar a novos cenários, mas vamos aos fatos: ele não joga no nível que se espera desde os 6 minutos iniciais contra o Atlético-MG, em setembro!

O camisa 43 da Gávea pode estar manjado, e assim muito bem marcado; também pode estar fora de ritmo, já que foi o último a se apresentar na curta pré-temporada rubro-negra. O certo é que Pet tem sido um peso para o time em campo, e graças à bipolaridade da imprensa esportiva (ou exalta ou crucifica, sem perceber quando não há mais razões para tais atitudes), ainda possui crédito para não ser criticado.

Mas é bom para o Flamengo que o Petkovic atual seja questionado. Não que se apague seu passado no clube, mas olhe-se para o presente com uma pulga atrás da orelha. E ao menos o técnico tem olhado. Percebam como o time ganha em velocidade e poder ofensivo com a simples saída do gringo. Vinícius Pacheco tem aproveitado as chances, e o recém-chegado Ramon tem tudo pra fazer o mesmo.

Assim como de Ronaldinho Gaúcho, não se pode esperar que Petkovic repita temporadas estelares dia após dia. Entretanto o Flamengo precisa enxergar a realidade e saber trabalhar com ela, pois também interessa ao clube preservar um ídolo que carrega a torcida com ele.

Talvez Pet renda mais na Libertadores, diante de adversários que não o conheçam tão bem como os brasileiros. Mas é preciso que o próprio atleta perceba que não está bem (o que não duvido, já que não cria caso com as substituições) e clube e torcida, idem. O pior cego é o que não quer ver. E o que aceita barato o ocaso de um belo jogador como Dejan Petkovic.

ATUALIZAÇÃO À 01:24 - Pet vai embora do Maracanã no intervalo e briga com Marcos Braz, que o exclui do grupo. A notícia saiu horas depois da postagem.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

É de família

Ele foi um autêntico camisa 10, um meia-direita que usava de habilidades físicas e psicológicas para driblar seus marcadores (até escreveu um livro sobre o assunto). É o maior ídolo da história de um clube carioca, que tem uma torcida fiel e tradicional. Estava cotado para o grupo da Copa de 70. Ah, e também é irmão do Zico. 

Mas essa última característica só ficou conhecida depois que EDU tinha uma carreira de craque nacional mais do que consolidada. Segundo maior artilheiro da história do América-RJ (212 gols), não são poucos os que dizem que ele jogou mais que o irmão famoso.

Nessa entrevista exclusiva, concedida por e-mail direto da Grécia, Edu Coimbra transpira alegria por ter encontrado o futebol, conta histórias divertidas e emocionantes – por exemplo, ao jogar com outro irmão, Antunes, em pleno Maracanã – mostrando-se um profissional realizado dentro de campo, como jogador e também como técnico. 

FUTEBOL RACIONAL - Você começou a carreira no América-RJ mesmo. Como você chegou ao clube? Fez testes em outros clubes?

EDU COIMBRA - Comecei em 1963, se não me falha a memória, fazendo testes nos infantis e não passei na primeira tentativa numa peneira no antigo campo do Mavilis, no Caju. No ano seguinte, fui levado pelo Paulo Cesar Martins (o Puruca), meu amigo e vizinho de Quintino, para um novo teste. Aí sim, fui aprovado e nesse mesmo ano fiz minha estreia no time principal, ainda [com idade de] infanto-juvenil. O Paulo me acompanhou no primeiro teste e tinha sido aprovado.

Nunca fiz testes em outro clube a não ser o América. Mas joguei, junto com o Paulo, uma partida pelo Fluminense, na preliminar de um Rio-São Paulo da época brilhante do futebol brasileiro. Flu 3 x 1 São José, com um gol de cada. Ganhamos um belo troféu que até hoje está na galeria tricolor, na sede das Laranjeiras. O Flu nos queria, pelas belas atuações, mas respeitando o clube co-irmão (havia isso na época, acreditem), não forçou a barra.


FR- Você sempre jogou de meia-direita?

EC- Fui atacante número 9 por algum tempo, inclusive artilheiro do [Torneio] Roberto Gomes Pedrosa de 1969, e considerado o melhor jogador sul-americano daquele ano. Mesmo assim não fui convocado para a Copa de 70, ficando, porém, entre os 40 inscritos na FIFA. Com a chegada de Zizinho para dirigir o time [do América] fui alçado à camisa 10, sendo considerado o primeiro "número 1", designando o jogador mais livre num sistema inventado por ele e copiado pelo Zagallo em 70 na Copa: o 1-4-3-1-2. Portanto, a maior parte da minha carreira fui uma espécie de pivô entre a defesa e o ataque e articulador de todos os contra ataques. Sem deixar, porém, de continuar fazendo os gols que deram inúmeras alegrias na minha carreira. Foram mais de 500, para meu orgulho.

FR- Quem era o seu ídolo no futebol? Por quê?

EC- O grande ídolo da família, quando criança, foi o inimitável Dida, dono de jogadas sutis, simples e vistosas, com um aproveitamento excepcional no ataque do Flamengo e nas equipes que ele jogou em toda a sua brilhante carreira. Inclusive na Seleção, onde Pelé era seu reserva. Acho que, além do craque que foi, o número 10 do Flamengo ajudou, na construção da sua imagem, como apelo significativo na minha aprendizagem e de meus irmãos. Acima de tudo, [tinha] um grande caráter e [foi] exemplo para as gerações que se seguiram. Saudade desse tempo de Maracanã cheio e Dida fazendo diabruras em cima dos zagueiros contrários. Que belo jogador ele foi!

FR- Qual foi a sua maior alegria pelo América? E a sua maior tristeza?

EC- A alegria permanece em saber que me tornei um símbolo de empenho, dedicação e capacidade profissional, sempre lembrado como um dos maiores ídolos de sua brilhante história. Quanto à tristeza, foi a perda da Taça Guanabara de 1967, quando tínhamos equipe até para sermos campeões.

FR- Dizem que você, baixinho e habilidoso, diante dos zagueirões “grossos”, incentivava-os a fazer jogadas de efeito, sabendo que eles não iam conseguir e aí você se aproveitava para roubar a bola e passar por eles. Era isso mesmo?

EC- Escrevi um livro, Método sensorial no futebol, da infância à idade adulta, que conta um pouco daquilo que usava como meios para conseguir ludibriar os adversários, rumando em direção ao objetivo principal em cada partida: marcar gols e ajudar nas vitórias do time. Na verdade, essa foi uma das artimanhas de tantas que são usadas legalmente dentro do campo. Malícia, no bom sentido, nunca é demais no futebol e faz parte da cultura carioca, principalmente.

FR- Você tem outras histórias curiosas vividas nos tempos de jogador?

EC- A história como jogador é passado, mas creio ter deixado um legado de bons ensinamentos. Entretanto tem uma passagem interessante que posso contar: ano de 1969, jogo América x Botafogo no Maracanã lotado, valendo a Taça Guanabara. Entro em campo e um jogador do Botafogo, o zagueiro Zé Carlos, se não me engano, mais para me distrair do que propriamente falando sério, me diz: "ô baixinho, sabia que aliança de noivado dá azar nos jogos?". Coincidência ou não, o Bota faz o seu gol logo aos 2 minutos da partida, quando eu corria para o banco entregar a aliança que havia retirado do dedo. Então combino com meu saudoso irmão Antunes, grande mestre da família, que jogava ao meu lado, uma jogada em direção ao empate. Não deu outra, gol ... E no segundo tempo, mais um a nosso favor, do querido amigo, também falecido, Eduardo. Achava, a cada minuto que passava, que a virada tinha sido fruto da retirada da aliança.

Quão bobo e inocente eu fui, quando o Botafogo empatou e na prorrogação fez o gol do título com Paulo Cesar Caju, que marcou os 3! Terminada a partida, triste e cabisbaixo, peguei a aliança, recoloquei-a, com todo o carinho, e nunca mais a tirei do dedo até o dia do meu casamento. Quantos e quantos gols e vitórias ainda tive jogando com ela no dedo! Ah, se arrependimento matasse... Quem sabe com ela teríamos vencido e conquistado a Taça Guanabara? Coisas do "infantil "mundo da bola.

FR- Quem foi o seu melhor marcador?

EC- Tantos foram os bons, mas o Brito, do Vasco, foi de grande importância na minha formação adulta. Pela sua experiência, lealdade e incentivo que dava em cada partida, mesmo sendo adversário. Até hoje sou grato pelos ensinamentos e motivação, dados no início de minha carreira. Um grande jogador, zagueiro, com muita justiça campeão do mundo. Um sujeito de um coração muito maior que a sua capacidade profissional.

FR- Qual o seu jogo inesquecível?

EC- América 1 x 0 Nacional do Uruguai, Torneio Negrão de Lima, Maracanã. Jogo final e o gol da vitória feito pelo meu irmão Antunes. Foi o primeiro título da minha carreira no América. A emoção maior foi porque eu fiz o lançamento para o meu irmão e ele aproveitou magistralmente, driblando Emilio Alvarez e deslocando o fabuloso Domingues com um toque sutil e desconcertante. Um golaço confeccionado por dois irmãos!

Quando nos abraçamos na volta, para o recomeço da partida e ainda comemorando o gol, o público inteiro, com mais de 50 mil espectadores, aplaudindo de pé e reconhecendo a beleza do lance. Isso foi magnífico em minha carreira e a maior emoção que vivenciei.

FR- E o gol inesquecível? Por quê?


EC- Campo Grande 2 x 0 Portuguesa, preliminar de Vasco x Flamengo no Maraca colocando gente "pelo ladrão". Jogando pelo Campo Grande, quase em fim de carreira , aos 40 do segundo tempo, fiz um golaço,de bicicleta , numa feliz performance elástica e fazendo vibrar as duas torcidas que, juntas, gritavam “EDU! EDU! EDU!”. Foi uma apoteose tão surpreendente que meu irmão Zico, mudando a roupa no vestiário, preparando-se para o jogo principal, correu à boca do túnel para saber o que havia acontecido. Moral da história: de tão feliz ao saber do ocorrido, resolveu orgulhar ainda mais a família e deu um show no clássico, protagonizando um dos dias mais felizes para os Antunes Coimbra .

FR- Pra você, o que falta pro América voltar a ser grande? O que tem achado do momento atual do clube?

EC- O América voltou à primeira divisão, vai passar sufoco no início mas deve melhorar no decorrer da competição, caso haja investimentos em jogadores com mais bagagem e experiência que os atuais. Como sempre, uma incógnita!

FR- Você foi campeão estadual pelo Bahia em 1975. Que lembranças tem do seu período lá?

EC- Minha passagem pelo Bahia foi vitoriosa pela conquista estadual e pelos bons momentos de alegria vivenciados naquela terra abençoada pelos deuses da alegria, nos aspectos profissional, social e familiar.

FR- Você já tem uma longa carreira como técnico. O que você tem a dizer sobre essa experiência?

EC- De grande valia na minha evolução como homem das quatro linhas e com uma infinidade de ótimos resultados. Feliz pela escolha, continuando no futebol, após a carreira de jogador. Me preparei, estudei e lucro com este investimento.

FR- Você tem vontade de voltar a ser técnico de um time grande no Brasil?

EC- Estou bem auxiliando meu irmão e enquanto ele me quiser estarei fielmente ao seu lado. Até porque é uma parceria que tem dado certo .

FR- Desde o Kashima Antlers você tem trabalhado como auxiliar-técnico do Zico. Como é o dia a dia de trabalho vocês? Como é a relação entre os dois, que possuem tanta experiência dentro de campo (embora como técnico você esteja há mais tempo que ele)?

EC- De lealdade, carinho, atenção e participação efetiva . Há empatia e confiança mútuas.

FR- Você gostaria de trabalhar na comissão técnica de algum grande time da Europa?

EC- Quero estar junto do meu irmão, não importa onde e quando. Esse é meu interesse maior.

FR- O Flamengo contratou Vagner Love, jogador que trabalhou com vocês no CSKA Moscou. O que você acha?

EC- O Love é craque e portanto vai ser uma peça muito importante na temporada do Flamengo. É um grande cara que tem qualidades inquestionáveis e vai ser feliz desde que se cuide bem e atue com afinco e confiança. A torcida vai gostar, tenho certeza!

Ainda a orfandade

Segundo jogo do Botafogo na temporada, segunda vitória, após sufoco. Declaração do lateral-direito Alessandro após a partida:

"A torcida do Botafogo é isso aí. Não dá para entender. Começo de temporada. Sabe que é a dificuldade é tão grande. Torcemos para eles apoiarem a gente...Mas temos que levantar a cabeça. O grupo está junto. Temos que continuar trabalhando e esquecer o torcedor. Não podemos deixar o que vem de fora nos atingir. Uma hora, eles vão nos apoiar."

Um psicológo para a torcida alvinegra, por favor! Jogador que precisa esquecer da torcida pra jogar é o cúmulo. É melhor fechar os portões de uma vez.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Roberto Carlos: maturidade


Nunca vi nada de mais no Roberto Carlos como pessoa, embora esteja na história da Seleção como um dos melhores laterais-esquerdos que por ali passaram. Mas numa entrevista coletiva no Corinthians demonstrou maturidade, exercendo a crítica da maneira que deve ser.

Repare como o atleta lida bem com a pergunta idiota que recebe, sem cair na vulgaridade ao criticar Galvão Bueno e toda a miríade de maus profissionais que infestam o jornalismo esportivo brasileiro. Veja o vídeo aqui.

O Linha de Passe da ESPN também repercutiu o episódio.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Romário no Botafogo



Começa a temporada 2010 do futebol brasileiro e os clubes vão anunciando os seus reforços. Esperanças renovadas, torcida dando crédito e todo mundo querendo ver no que vai dar.

O que mais me chamou a atenção nessas contratações foi a repercussão da chegada de “El Loco” Abreu ao Botafogo. O segundo maior artilheiro da seleção uruguaia, de 33 anos, teve calorosa recepção no Rio de Janeiro. No dia seguinte, o clube já vendia camisas promocionais enquanto o atacante posava com o eterno Zagallo, já que vai herdar a camisa 13.

“Não era para isso tudo não. Mas carência é fogo!”, resumiu bem um amigo botafoguense. O escritor Sergio Augusto destacou a mesma coisa em artigo da revista da ESPN. Os ídolos rarearam em General Severiano, e é preciso retomar essa tradição. Até para a sobrevivência: pesquisas apontam o envelhecimento da torcida do Botafogo.

Mas eu vou além: o Botafogo não precisa somente de ídolos, mas de uma pitada de “marra”. A imagem do depressivo Cuca e do “chororô” fizeram mal ao clube, de uma maneira mais profunda que se possa imaginar. Cristalizou-se no inconsciente coletivo a idéia do “Foguinho”, o apequenamento dos sonhos do time em qualquer competição.

A partir daí, as diretorias contribuíram para a sedimentação dessa imagem para dentro de seus domínios. Nunca mais contratou jogadores com personalidade de time grande e vencedor. Todos os que chegavam tinham pés-no-chão até demais. Só almejavam uma boa campanha, nada além disso. É pouco para um dos grandes do Rio, mas ninguém lá pensava assim.

Quando Maicossuel ressuscitou seu empolgante futebol no Botafogo, ali parecia a hora da virada: melhor jogador do Carioca 2009, goleada no Vasco, defesas adversárias assustadas. Mas em maio o meio-campo seguiu para a Alemanha e o clube voltou ao que era antes. E em todos esses momentos a auto-estima da torcida acompanhou o ritmo.

O Botafogo precisa de jogadores com vontade de vencer e ganhar títulos, é certo. Mas também precisa de provocadores, de gente que reanime a gana da torcida. Atletas que não deixem barato as zoações, respondendo dentro e fora de campo. Que não admitam o tal apequenamento. A contratação de “El Loco” foi o primeiro grande passo dado nesse sentido.

Não que o uruguaio seja um fenômeno. Porém pode ser o início da mudança psicológica que o time precisa. Ainda há muito a fazer: contratar mais gente confiável, em breve trocar o técnico – se Estevam Soares der certo em 2010, ótimo. Só que também tem o hábito da murmuração, o tipo de coisa que o Botafogo não pode mais reproduzir.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pelo bem do jornalismo esportivo

Erich Beting, do site Universidade do Futebol, fez uma ótima análise sobre a cobertura jornalística do futebol nos meses em que não há competição. Muita especulação e fontes nada isentas, com prejuízo para os torcedores.

O jornalismo esportivo precisa ser levado a sério - a começar por seus profissionais. Leia o texto de Beting aqui.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O título da humildade

Se já não bastasse Andrade com seu jeitão, Petkovic recomeçando quase do zero e Adriano e suas raízes na Vila Cruzeiro... Ronaldo Angelim faz o gol do título.

Pela história do zagueiro, o hexa ganha um sabor ainda mais heróico. Assista aqui.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Os sabichões perderam

A grande contribuição do Brasileirão 2009 para o futebol é que ele deu uma rasteira nos experts que teimam em prever logicamente o que vai acontecer a cada rodada, ou ao final do campeonato. Além dos matemáticos (e de seus puxa-sacos incondicionais), que devem ter virado muitas noites refazendo seus cálculos tão certeiros. O campeonato desse ano foi uma vitória da humildade - é preciso retornar a ela para não passar vergonha em público.

E isso vale também para os técnicos que "se acham" e os jogadores que relaxam antes da hora. É só olhar, principalmente, o segundo turno do campeonato. Começou com um Palmeiras embalado e disparado na frente e um Fluminense praticamente extinto do calendário oficial. E depois? Um revezamento contínuo de candidatos ao título e suplentes da zona de rebaixamento.

O mais engraçado era ver a crônica esportiva decretar, semana após semana, que agora ia ser assim e assim (este blog aqui inclusive!), e aí o imponderável do futebol acontecia, o favorito tropeçava e a sabedoria dos entendidos da bola virava um castelo de cartas.

E assim como o Lázaro bíblico, quem poderia prever o festival de ressurreições? Fluminense, Fred, Petkovic, Andrade, Ricardo Gomes, o próprio Adriano... Quem poderia prever que até o último suspiro um monte de times poderia levar o título? Pergunte aos torcedores do Flamengo se eles estão tranquilos para domingo que vem.

Especificamente sobre a rodada de ontem, quais as constatações? O Corinthians continuou com a preguiça de vaga garantida na Libertadores; o Flamengo mostrou que tem elenco, já que Adriano (e Pet, convenhamos) foram desfalques; o Inter prova que tem um bom time; o Palmeiras, se mantiver o elenco, pode acertar com Muricy em 2010; o Fluminense dá ainda mais orgulho para a torcida; o Botafogo está pedindo para fecharem o caixão da Série A.

Não concordo quando dizem que o Campeonato Brasileiro está nivelado por baixo. Tivemos jogos bons de emoção e de qualidade. Vamos admitir de uma vez por todas! Nossos talentos vão-se embora? Sim. Há jogos ruins? Como em qualquer campeonato nacional. A arbitragem está catastrófica? Talvez, ainda mais em tempo de TV. Mas foi um campeonato muito, muito bom de ver, do começo ao fim.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Alergia ao título?

Será que a taça do Campeonato Brasileiro foi contaminada pelo vírus da gripe suína? Só por aí dá pra explicar o "esforço" que os postulantes ao título têm feito para deixá-la escapar, tal e qual uma batata quente.

Tudo começou com o Palmeiras, que estava 500 mil pontos à frente dos demais e corria pra repetir o feito do São Paulo, de acabar com a festa muito antes do final. Mas lá veio o Verdão, descendo a ladeira, e agora a vaguinha na Libertadores vira a maior ambição do Palestra Itália.

Depois o Internacional não conseguiu lidar com o desmanche e com a troca de técnico e ficou mais longe da taça. O Atlético-MG, regular toda vida no topo da tabela, beliscou a liderança até ser derrubado pelo Flamengo em casa e também se deprimiu.

Quando São Paulo e Flamengo ficaram como virtuais candidatos para serem campeões, cada passo em falso poderia decidir a disputa. O tricolor cambaleou contra o Grêmio, deu uma recuperada contra o Vitória e então veio o jogo-chave, contra o Botafogo, no Engenhão.

E não é que o São Paulo perdeu, de virada, para o heróico Botafogo? Com o jogo acontecendo antes de Fla x Goiás, o Maracanã rubro-negro comemorou cada gol alvinegro. Uma vitória simples bastava para colocar o time da Gávea na liderança.

E não é que o Flamengo empatou sem gols contra o Goiás, em casa? Jogou com um salto tamanho 14, achando que venceria a qualquer momento. E jogou muito, muito mal.

Aí a taça do Brasileirão 2009 segue acabrunhada e com a auto-estima lá embaixo, sendo rejeitada rodada após rodada. Um dos melhores campeonatos da década pode terminar com uma grande contradição: um campeão vacilante em momentos decisivos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Desproporções

O Palmeiras demitiu Obina e Maurício após a confusão de ontem?

Então deveria ter demitido Diego Souza pelo papelão contra o Santos, no campeonato paulista deste ano, ao voltar a campo pra "bicar" Domingos.

O presidente, Luiz Gonzaga Belluzo, também deveria se demitir após o destempero rasteiro (e repetido no dia seguinte) contra a arbitragem - que prejudicou o time, sem dúvida.

O futebol brasileiro virou especialista em desproporções.

É desproporcional a pena de três jogos aplicada a Jean, volante do São Paulo. Assim como é desproporcional a cobertura da imprensa sobre as fanfarronices do STJD.

No caso do Palmeiras, uma suspensão com multa já daria conta do recado. Agora, desperdiça um zagueiro promissor e um dos artilheiros do time, que a torcida abraçou desde o começo? Em nome do quê? Da "honra às tradições do clube"? Ah, faça-me o favor.

Honrem as tradições dentro de campo, jogando bola e administrando com competência.

Nunca torci tanto pro Flamengo vencer um campeonato: um time que anda em paz, fincado no talento de seus atletas e no bom senso de seu técnico. Não dá pra elogiar a diretoria, mas ao menos Marcio Braga calou a boca.



Chutando o politicamente correto pro alto: adorei quando o argentino Nani, que tinha aberto o supercílio de Gum, leva uma cacetada e não consegue levantar, aos 47 do segundo tempo. Melhor ainda porque, na sequência, o próprio Gum decretou a desclassificação do Cerro Porteño.

Assim como foi muito bom ver o Fluminense virando o jogo na bola, a despeito da cumplicidade criminosa da arbitragem com a maldade do time paraguaio.

***

Henry não foi o primeiro, e não será o último. Ao menos enquanto a Fifa ignorar que as câmeras podem ajudar o árbitro e o espetáculo.