quarta-feira, 7 de julho de 2010

A final dos azarões


Brasil, Argentina, Inglaterra, Itália, Alemanha, Holanda e, de uns tempos pra cá, Espanha. Na hora de destacar os favoritos para levarem a Copa do Mundo, são sempre esses os eleitos. Sendo que a Laranja e a Fúria confirmavam sempre a desconfiança implícita da hora do palpite e nunca chegavam na final. Pois bem: os "azarões" dos favoritos vão disputar quem será o primeiro eutopeu campeão fora de seu continente.

Não se pode dizer que é uma final injusta. A Espanha mostra que a derrota no primeiro jogo foi mero acidente de pecurso - embora deva agradecer a David Villa a objetividade que tanto lhe faltou em alguns jogos. A Holanda, cuja diferença de suas últimas campanhas foi não se jogar loucamente ao ataque, faz uma campanha de seis jogos e seis vitórias.

Não se pode condenar a Alemanha pela derrota de hoje. Estava sem Thomas Müller, a válvula de escape mais inteligente da equipe, que não tinha um substituto à altura. E a Espanha jogou sua melhor partida na Copa, empurrando os alemães para dentro do gol deles, se possível.

Se no primeiro tempo ainda faltava um quê de agressividade para assustar de vez os germânicos, ele veio na segunda etapa. Apesar de Iniesta e Xavi serem alérgicos a chutes a gol, Villa, Xabi Alonso e Pedro não eram, e fizeram Neuer suar. Só que a zaga alemã foi perfeita, não perdeu uma só jogada durante toda a partida.

Então, quando os talentos ataque-defesa se anulam, sobressai o inesperado e a raça. Ambos encarnados no gol espanhol: num escanteio, com um "chute" de cabeça de Puyol, o menos habilidoso (e às vezes o mais destrambelhado) do time.

Podemos esperar muitas emoções no jogo de domingo. Holandeses e espanhóis podem entrar para a história do futebol ao vencerem a primeira Copa de seus países. Sneijder e Villa disputando o título de melhor jogador do torneio. Um cochilo da marcação pode significar o resultado final.

A Espanha tem muito mais habilidade, porém carece de definição. A Holanda mascara a habilidade que tem compensando com um poder de definição cruel (vide o jogo com o Uruguai). A partida já começou, psicologicamente.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Uruguainazzo!


Não tenho dúvidas que a torcida mais orgulhosa de sua seleção nessa Copa é a uruguaia. Os alemães podem estar felizes o futebol-total germânico, mas o que a Celeste Olímpica fez na África do Sul, com todas as suas limitações, é pra ficar na história.

É preciso lembrar que o Uruguai classificou-se para a Copa numa repescagem contra a Costa Rica. Depois de vencer fora de casa, empatou em Montevidéu no sufoco. A desconfiança, pra não dizer descrédito absoluto, era o sentimento reinante na torcida, na imprensa, nos críticos.

No sorteio dos grupos, viu que ia enfrentar a França, já campeã mundial; a anfitriã África do Sul; e o experiente México. Difícil imaginar que sequer passaria de fase. Mas foi líder do grupo, sem levar gols. Depois, passou pela Coreia do Sul e então houve o épico jogo contra Gana.

Talvez a missão uruguaia já estivesse cumprida, com esse elenco já tinha feito muito além do que se esperava. Mas a Celeste Olímpica evocou seus antepassados e encarnou uma garra incrível contra a favorita Holanda. A marcação não permitia que a defesa laranja respirasse, os craques Sneijder e Robben só apareciam para reclamar do juiz.

Até que a Holanda fez um golaço de fora da área, talvez a senha para que o Uruguai partisse pro ataque e esperasse a goleada. Mas não. Fórlan e seus companheiros parecem ser a seleção mais equilibrada emocionalmente dessa Copa. Aumentaram o volume de jogo e o camisa 10 acertou mais um chute venenoso, empatando. A Jabulani é o "Wilson" de Fórlan.

No segundo tempo, cadê a Holanda? Se faltava ao Uruguai um atacante com faro de gol (era Suárez, o herói anti-herói, que estava fora), sobrava disposição para sufocar a laranja assustada, criar jogadas, rondar o gol de Stekelemburg.

Mas o talento individual falou mais alto. Sneijder acertou um chute cruzado; Kuyt, no único lance em que ficou livre de marcação, deixou a bola na cabeça de Robben. E foi tudo o que a Holanda fez em mais de 90 minutos de jogo.

Só que a raça uruguaia continuava à flor da pele. Foram pra cima, do jeito que dava, iam morrer de pé. E aos 47 fazem o segundo gol, trazendo de volta as altas emoções numa Copa marcada pelos cautelosos contra-ataques. A laranja surpresa pedia que o juiz acabasse logo aquela tortura.

Mesmo que fiquem em 4º lugar, o Uruguai fez uma campanha milagrosa, mas à custa de muito trabalho. A Holanda me parece um "déja vù" do Brasil: prefere os contra-ataques, tem 3 jogadores que fazem a diferença, nervosinhos, fazem um jogo chato. E estão catimbeiros como os Argentinos! Já escolhi um time pra torcer contra, e nem tem a ver com a vitória sobre a gente.

sábado, 3 de julho de 2010

De cinema! De cinema!


Acabei não escrevendo sobre Uruguai x Gana ontem, e pensei ter perdido o timing. Mas ao rever os lances hoje nos telejornais esportivos, não resisti. Foi daquelas partidas em que se entende porque o futebol é um esporte que fascina o mundo inteiro, independente de raça, religião, classe social, localidade geográfica.

Quem imaginaria que tudo aquilo poderia acontecer num jogo de seleções sobre as quais nenhuma boa expectativa pairava antes da Copa? O que mais me cativou foi o revezamento dos papéis de herói/vilão e do humor das torcidas.

O goleiro uruguaio estava mal colocado quando Muntari chutou quase do meio-campo pra fazer 1 x 0 Gana. Muslera virou candidato a vilão.

Nos acréscimos da prorrogação, o atacante Suárez evita um gol, com os pés, em cima da linha: candidato a herói. No lance seguinte, evita outro do mesmo local, usando as duas mãos. Pênalti para a Gana, Suárez expulso: candidato a vilão.

Gyan, que já tinha feito dois gols em cobranças de pênalti nessa Copa, se apresentou para levar a última seleção africana presente no torneio a ser a primeira seleção africana presente em semifinais. Virou candidato a herói.

Mas o atacante ganês perdeu o pênalti, virou vilão. Suárez então volta a ser herói, com o detalhe de ter se sacrificado pela nação uruguaia: estava fora do jogo e de uma possível semifinal.

Nos pênaltis, o goleiro uruguaio defendeu duas cobranças. Deixou de ser vilão, virou herói. E na cobrança final, Sebastian "Loco" Abreu, no começo do chute, honrou o apelido e tinha tudo pra ser vilão. E dos mais inconsequentes! Mas a bola morreu nas redes de Kingson, que se fosse flamenguista, ficaria estático no meio do gol. O camisa 13 uruguaio virou herói.

Foi preciso que um jogador infrigisse descaradamente as regras do futebol (evitar um gol com a mão) para que a grande maioria das emoções acontecesse. Apostou alto na roleta do esporte (já ia ser gol mesmo) e foi devidamente punido com o cartão vermelho.

Mas quem disse que o futebol tem lógica?

Por que tantos tentam encaixotar o futebol para que ele não nos proporcione mais surpresas como essas?

Por que tantos tentam transformar o futebol numa coisa mecânica, sem vida, sem riscos, sem humanidade?

Pois a genética do futebol mostra-se resistente perante seus exterminadores travestidos de sábios do esporte. E faz com que Uruguai x Gana torne-se um jogo que vai entrar para a história. Porque não são apenas os resultados ou as táticas que fazem a graça do futebol.

Danker!


(Foto: Globoesporte.com)

Futebol é gol. Vitórias e títulos só são alcançados por quem faz mais gols. O gol é a alegria maior da torcida e a principal recompensa de um trabalho bem feito. É o último momento da jogada bem sucedida. E a Alemanha está lembrando aos pseudo-doutores chatonildos do futebol que buscar o gol é a principal missão de qualquer time que entre em campo.

Foi assim contra a fraca Austrália, a badalada Inglaterra e à irresponsável Argentina. Irresponsável sim, pois simplesmente não convocou jogadores de defesa. Maradona e Dunga cometeram os mesmos erros: não levaram opções de banco. No caso brasileiro, para o meio-campo.

Mas quero falar da Alemanha. Com sua atemporal frieza, é um time que não "rifa" a bola, não dá chutões, não é violento, não faz catimba e não abdica do objetivo máximo do futebol: fazer gols. Hoje já estamos modorrentamente acostumados à entrada de um defensor e à timidez ofensiva quando um placar seguro é construído. Sendo que esse placar seguro é sempre relativo.

Os alemães, que fizeram uma excelente renovação de talentos (Joachim Lown para técnico do Brasil!), não param de buscar o gol a um só instante. Têm um bom goleiro, uma defesa sólida, um meio-campo que tanto defende como ataca, um ataque objetivo e plural. Em suma, é um time equilibrado.

Porém de nada adianta ser um time equilibrado se o técnico começa a incutir na cultura desses jogadores a necessidade de se encolher em campo, de ficar satisfeito com um 2 x 0. Não. Essa Alemanha faz um, dois, três gols e busca o quarto tento como se ainda estivesse  0 x 0. São nada menos que oito gols feitos em duas fases eliminatórias da Copa, contra adversários tradicionais e campeões do mundo.

O que falar da Argentina? De que adianta ter os melhores atacantes da Copa se do meio pra trás é um desastre total? Todos, do goleiro ao lateral-esquerdo, jogam no time da pizzaria: adoram entregar.

O que Alemanha faz na África do Sul é uma mudança cultural. Que pode ser replicada por todo o mundo se ela sagrar-se campeã jogando esse futebol ofensivo e massacrante.

PS: "Danker" = "Obrigado", em alemão

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Laranja mecânica mesmo: sangue frio nas veias



Ganhou o time que jogou melhor. Não há outra explicação para essa partida entre Brasil x Holanda. No primeiro tempo sufocamos como poucas vezes se viu uma seleção fazer nessa Copa, e poderíamos ter matado o jogo. No segundo tempo, os holandeses mostraram que o equilíbrio entre as equipes existia no futebol, mas não no lado emocional.

Foi a grande surpresa do Brasil: por que o time se mostrou tão nervoso na África do Sul? Foi assim contra Costa do Marfim, Portugal, Chile e Holanda. Hoje, com dois minutos de partida, Robinho encarava um zagueiro de maneira desproporcional. O árbitro era pequeno demais para um jogo dessa importância, mas isso não explica o destempero GENERALIZADO dos brasileiros.

Não concordo com a ideia de que, se tivéssemos no banco alguém capaz de desequilibrar, mais talentoso, o resultado poderia ser diferente. Não nessa partida. Ronaldinho Gaúcho, Neymar, Ganso... Todos iam entrar naquela "pilha" em que até os jogadores mais experientes já tinham embarcado. Enquanto tivemos os nervos no lugar, vencemos a Holanda com o time que estava em campo.

E aqui fica o meu pedido aos torcedores, imprensa esportiva, apresentadores de TV, formadores de opinião: NÃO DEMONIZEM FELIPE MELO. Quem acompanha este blog sabe o quanto critico esse jogador, concordo que não deveria ter ido à Copa, era uma bomba-relógio ambulante etc. Mas hoje ficou claro que todo o time se descontrolou, e não foi a primeira vez, conforme já citado.

Felipe Melo surpreendeu o mundo dando um passe magistral para o primeiro gol do Brasil. No empate, a falha foi de Júlio César (que não gritou e saiu mal). E no momento da expulsão - sem dúvida, um destempero característico do jogador - o jogo já estava 1x2, sem a menor perspectiva de que o Brasil viraria, mesmo com ele. E a Holanda não aproveitou a vantagem de mais um em campo.

Acho um equívoco, pra não falar crime, colocar nos ombros de um atleta todo o fracasso, e ecoar isso milhares de vezes, transformando-o num pária social. Repito: formadores de opinião, imprensa etc têm a RESPONSABILIDADE de não deixar isso acontecer. O futebol é vencido e perdido coletivamente. E nenhum esportista pode ser tratado como um câncer a ser extirpado da sociedade pelo que fez ou deixou de fazer em campo. É muito fácil eleger um Judas e malhá-lo eternamente.

O que lamento é ver Robinho tão nervoso e sumido do jogo do segundo tempo. O mesmo para Luís Fabiano, que sequer voltava pra buscar jogo. Kaká ainda tentou, e está nítido que não está na sua melhor forma física. Será que a contusão no púbis é pior do que se imaginava?

De novo, o campeão da Copa das Confederações não leva a Copa do Mundo. Será que (conforme apontou Lúcio de Castro na ESPN) as equipes chegam o seu máximo um ano antes e começam dali uma certa decadência física?

Agora Dunga deve saber lidar com as críticas e reconhecer (ainda que para si) se suas escolhas foram certas. Adiantou o time ficar tão fechado? Se o objetivo era deixar os jogadores focados, por que perderam o foco no momento decisivo? Por que levar jogadores sobre os quais ele não tinha a menor confiança pra colocar em campo, como Kléberson e Grafite? O que foi feito, após o jogo contra a Costa do Marfim, para acalmar os ânimos dos jogadores?

E Felipão vem aí...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Eu já sabia

Foto: EFE

Eu sei que o título do post é batido e parece gaiatice falar assim após o jogo do Brasil. Mas as críticas não foram mais fortes ao time do Chile antes da partida por puro respeito. Além de jogar ofensivamente, deixando espaços para o contra-ataque, estavam desfalcados e são fregueses contumazes da Seleção. Ganhamos de 3 x 0 deles em Santiago nas Eliminatórias, por exemplo.

E depois de um início claudicante, melhoramos um pouquinho e resolvemos as oitavas-de-final de maneira ainda mais fácil que a Argentina diante do México. Por isso acho que o Brasil tem tudo pra chegar à final: Kaká, Robinho e Luís Fabiano jogam metade do que sabem e conseguem levar o time aos bons resultados.

Até porque nossa defesa está sensacional. Nada passa por Júlio César, Maicon, Lúcio e Juan, e os três últimos também atacam e fazem gol. A exceção é o "bola da vez" Michel Bastos, que nunca foi lateral-esquerdo até ser convocado por Dunga. Mas que não comprometeu no jogo de hoje, e quase fez um golaço.

Porém o nome do jogo foi Ramires. É o volante ideal, assim como Ibson, ex-Flamengo, ou Hernanes do São Paulo: sabe ser volante e jogar ofensivamente. Atletas como ele provam que o futebol não precisa ser tão simplista (ou ataca ou defende, e só). A arrancada para o terceiro gol, os passes precisos, a personalidade. Mas, ironia das ironias, está suspenso por cartão amarelo e ninguém menos que o destemperado Felipe Melo deve voltar ao time.

Quer outra ironia (ao menos, para este blogueiro)? Elano faz falta. Com as recentes atuações, Daniel Alves voltou a ser o reserva de Maicon.

A Holanda brincou com a sorte diante da Eslováquia, mas passou às quartas-de-final. Mais uma ótima geração laranja, com o "sinuqueiro" Robben encaçapando gols no limite dos espaços. Aliás, nesse aspecto, o atacante holandês e Messi desafiam a Física e a história do futebol no quesito "o espaço necessário para se chutar a gol".

Brasil x Holanda, Alemanha x Argentina. E amanhã, ainda pelas oitavas, Espanha x Portugal. Todos com grandes elencos. Que Copa!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Treino fechado não esconde burocracia


E hoje foram, mais uma vez, escancaradas as duas únicas ameaças ao hexa: encontrar um adversário que se feche bem na defesa e a escassez de talento no banco de reservas. Portugal jogou muito bem e mostrou que tem futuro nessa Copa, e foi só Robinho e Kaká sumirem do mapa pro futebol do Brasil ir junto.

Curioso é que não adianta a comissão técnica ficar ocultando informações, pois em algum momento elas virão à tona. Se a princípio Júlio César estava 100%, agora já se viu que ele joga com uma proteção nas costas - menos mal que ele parece mesmo estar 100%, mas pra que esconder isso? E se a ausência de Robinho parecia uma opção tática de um time classificado, revelou-se algum problema extra, até que algum desmentido (como o que informou as perfeitas condições do goleiro) diga o contrário, sem credibilidade.

O certo é que Portugal jogou atrás, mas com volume de jogo pra atacar na hora certa. E, diferente de seleções como Coreia, Bolívia e afins, tem um mínimo de talento e ao menos um jogador fora de série (Ronaldo) para arrancar os cabelos da zaga brasileira. Isso já é meio caminho andado pra se dar bem contra o Brasil. Se Juan não intercepta aquela bola no primeiro tempo...

Porém o mais preocupante é a falta de opções brasileiras para se mudar a cara de um jogo. E o que é pior: a conta tende a ficar para os jogadores. Se Dunga acertou ao tirar o pitboy Felipe Melo, errou ao convocar (e escalar) atletas que não têm condições de atuar com a camisa da Seleção numa Copa. Coitados de Michel Bastos, Josué, Julio Baptista e Grafite, foram colocados numa roubada que o futebol deles não esperava. E o técnico brasileiro ainda fica irritadinho com os erros em campo... Ô Dunga, alguém já te pediu pra fazer um "elástico" quando você jogava? Então...

Continuo achando que o Brasil tem chances nessa Copa se Kaká e Robinho jogarem e, no máximo, Nilmar  e Ramires entrarem para mudar o jogo (e Daniel Alves, que hoje teve um mau dia). Faltam treinamentos para jogadas pelo lado esquerdo, e Ramires precisa ser melhor aproveitado - como volante no lugar de Felipe Melo, que tal?

Se eventualmente chegarmos numa final contra a Argentina (é o meu palpite), ao menos os hermanos não sabem jogar atrás. Assim como Espanha, Chile, Paraguai... A Alemanha tem tudo pra perder da Inglaterra, essa sim com grandes condições de crescer na Copa.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sonhar já custa menos

Gostei da estréia do Brasil. E, além da Alemanha, pode-se dizer que nossa Seleção foi outra das favoritas ao título que mostrou conjunto, com um time onde cada jogador sabe o que tem que fazer em campo, tanto individual quanto coletivamente. Itália e Argentina eram um bando, e a Espanha mostrou pouco poder de decisão.

Para um time em que metade dos jogadores nunca jogou uma Copa, contra um adversário fraco porém mega retrancado, o 2 x 1 só saiu caro por termos levado um gol. Mas a vitória veio, e isso porque o até então teimoso Dunga mexeu no time quando foi necessário, tornando-o, veja só, mais ofensivo.

O problema é que o péssimo relacionamento entre Dunga e a imprensa prejudica a melhor análise sobre o rendimento da Seleção em campo – que é o que mais interessa. Este blog criticou o técnico quando isso se justificava, mas é preciso reconhecer os seus méritos, que apareceram já no primeiro jogo da Copa.

Primeiro: o espírito de grupo (que na minha opinião não precisava ser de quartel), matou as possíveis vaidades. É um problema a menos na hora de definir quem é titular e quem é reserva. Nada de pirraças durante as substituições, por exemplo.

E se Elano é um jogador burocrático (e é mesmo), ao menos tem seus lampejos de proatividade. Foi dele o passe para deixar Maicon usar o talento que tem e fazer um gol  “à la Gigghia”. Depois, graças ao entrosamento da Seleção, apareceu bem pra fazer o segundo. E aí bateu o ponto, saiu e já estava de bom tamanho.

Dunga também provou que Julio Baptista não é o natural substituto de Kaká, e sim Robinho. O mesmo esquema utilizado na Copa América de 2007, agora com a entrada do esperto Nilmar pra compor o ataque. O lindo passe do jogador do Santos para o segundo gol provou que a alternativa é boa.

Daniel Alves e Ramires entraram, mudando a cara da Seleção. Sim, eles poderiam começar jogando, e Dunga cada vez mais parece simpático à idéia. Mas enquanto isso não acontece, acaba sendo um fator surpresa – assim como Nilmar. E não se pode colocar na conta do técnico a falta de ritmo de Kaká e Luís Fabiano.

Enfim, não concordo com a opinião geral da imprensa esportiva de que foi uma estréia ruim. Foi a estréia possível, que mostrou as qualidades (conjunto, opções de elenco) e os defeitos (time titular ainda sem a devida iniciativa ou sem estar 100% fisicamente, casos de Luís Fabiano e Kaká).

Dunga escolheu um método de trabalho: fechar o grupo, restringir contato com a imprensa, não se render a lobbies de última hora etc. Concordando ou não, foi uma decisão que ele tomou. Além disso, o técnico faz questão de expor as precipitações e limitações dos jornalistas esportivos. A tensão entre as partes aumenta, o que é natural.

Mas não adianta os profissionais de imprensa fazerem beicinho e quererem vilanizar Dunga a qualquer custo. Vamos falar de futebol, antes de tudo. O Brasil jogou bem, embora possa melhorar. E encerro com três grandes pérolas do técnico, com as quais concordo plenamente. Todas servem de reflexão para o tipo de jornalismo esportivo que se faz no país:

SOBRE OS TREINOS FECHADOS:

“É uma nova forma de trabalhar, e vocês, da imprensa, não estão acostumados. Mas assim como vocês cobram criatividade da Seleção, podem se tornar criativos na hora de cobrir a Seleção.”

SOBRE A FAMA DE RABUGENTO:

“Eu apanho de manhã à noite e, quando dou uma resposta atravessada, sou rancoroso, rabugento. E vocês (jornalistas) se acham, sempre, simpáticos, bem-humorados... Mas vocês têm 24 horas pra me bater e eu só um minuto pra responder.”

RESPONDENDO AO ELOGIO DE UM JORNALISTA À ATUAÇÃO DE ROBINHO:

“Pois é, quando ele estava no Manchester City queriam que eu parasse de convocá-lo. Você mesmo era um desses, né? O problema é que eu tenho memória de elefante, lembro de tudo...”

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Eu, brasileiro, lamento

Triste ver que Didier Drogba, atacante da Costa do Marfim, pode ficar fora da Copa do Mundo. No mínimo, já está com a participação prejudicada, pois a solução seria uma cirurgia no braço esquerdo para entrar em campo dois dias depois.

Há quem fique aliviado por ser menos um perigoso adversário a enfrentar o Brasil na primeira fase. Quem gosta de futebol bem jogado, discorda. Drogba é um centroavante raro atualmente: é forte sem deixar de ser rápido, com técnica para armar e concluir todo tipo de jogada. A Copa perde o brilho sem ele.

Do mesmo modo, não consigo engrossar o coro dos que torcem contra a Argentina em toda e qualquer situação. Sim, há uma rivalidade e Maradona não aposenta sua "marra", mas racionalmente falando, o sempre vistoso futebol dos hermanos dá gosto de ver. E se não queremos uma explosão mundial de "São Paulos à la Muricy", times que sabem jogar devem sempre chegar o mais longe possível.

E afinal, queremos ser campeões jogando contra times meia-boca? Um dos grandes orgulhos canarinhos do ano foi ver o capitão Lúcio anulando Drogba na Liga dos Campeões da Europa. E quero ver Cristiano Ronaldo "voando" contra o Brasil, para que tenhamos a chance de provar que em campo podemos ser melhores. Quero gritar "Ô Messi, pode esperar, que a tua hora vai chegar!". E enquanto não chega, ver o argentino entortando todo mundo pela frente.

Veja só: no mulambado amistoso com Zimbábue vimos três golaços do Brasil. Não é legal? Até o sisudo Dunga levantou pra aplaudir e (quiçá!) pode ter pensado como é bom jogar bem e bonito, com prazer e não só dever.

A Copa já não tem Beckham, Ballack, pode ficar sem Drogba. Mas Felipe Melo segue com sua saúde de ferro. E já encontrou um gêmeo: a entrada de Tanaka no centroavante marfinense, levantando o pé daquele jeito no meio-de-campo, mostra que os representantes do Açougue Futebol Clube não vão deixar os artistas da bola impunes.

terça-feira, 18 de maio de 2010

A revolta dos palhaços

Como diria Charles Henriquepédia, o mais novo integrante do Pânico na TV: "esse Felipe Melo é um brincalhão". A mesma destemperança (ou seria falta de inteligência?) que o desgovernado volante exibe em campo aparece fora dos gramados.

Primeiro, bateu boca com o jornalista Paulo Vinicius Coelho, da ESPN Brasil, quando recebeu um questionamento sem a penugem da Globo. Poderia ter respondido com o tom da superação, mas preferiu mostrar as travas do Kichute. Nem quando se desculpou fez diferente.

Agora, em entrevista coletiva, mostra que é o discípulo de Dunga no quesito rancor. Foram muitas declarações polêmicas, mas destaco apenas a mais emblemática: 

"Os números dizem tudo, o que vale é o resultado. Temos que parar com esta palhaçada de ficar criticando!"

Acho que o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, acabou de perder o emprego. Ninguém expressou melhor o ponto de vista dessa Seleção, desse técnico, desse grupo. Resultado acima de tudo, e as críticas são coisa de palhaço.

Felipe Melo ainda vocifera contra a mídia, que parece ser sempre do contra e, não importam as convocações, inventam nomes a serem pedidos. Concordo que a imprensa esportiva deve repensar seus arroubos extremistas, mas como viver num mundo sem críticas? Como ser um jogador de futebol brasileiro, com visibilidade global, sem achar que será criticado?

Os profissionais do esporte mais popular do pais estão muito mal acostumados com a Escola Galvão Bueno de Jornalismo, especialista em fazê-los sorrir mesmo quando não merecem, mesmo quando precisam repensar seus caminhos. E esses atletas/técnicos também não percebem que é essa mesma Escola que os execra sem piedade quando convém (vide Roberto Carlos e o meião).

Se os números dizem tudo, e Felipe cita os seus próprios na Juventus, podemos então dizer que ele é um fracassado. O que ele ganhou na Itália? Nada, assim como a Seleção de 82, que o "Dunguinha" cita na mesma entrevista, com desprezo.

E ainda sobra pros palhaços, coitados.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dunganation

Depois de umas férias forçadas do blog, consegui voltar. Mas como todo mundo já disse tudo e mais um pouco sobre a convocação do Brasil para a Copa 2010, listo apenas as perguntas que ficaram sem resposta:

- Se Ganso e Neymar não foram convocados por falta de experiência na seleção principal, por que Grafite, com 26 minutos jogados pelo Brasil, vai à Copa?

- Se a justificativa para levar Grafite é para ter um outro centroavante "trombador" como reserva de Luís Fabiano, por que não há um outro jogador assim na lista de espera? Caso um dos dois se machuque, o reserva é o magrelinho veloz Diego Tardelli;

- E por que Ganso está na lista reserva, correndo o risco de entrar na Copa sem a tal experiência?

- Por que Jorginho se irritou tanto ao compararem a situação de Neymar à de Pelé em 1958? Pelé não era o Rei do Futebol antes da Copa da Suécia (aliás, era reserva).

Confesso que estou sem estômago para as questões extra-campo da Copa do Mundo. Estou ansioso pra ver logo os jogadores em campo, a bola rolando, que é o que mais importa.

É muito difícil viver num mundo tão extremista, numa dinâmica em que o próprio Dunga acaba sendo, com toda a sua voluptuosidade, um excelente bode expiatório para qualquer que seja o resultado. Se vencer, gênio; se perder, fez tudo errado. Não consigo pensar dessa maneira.

Mas também não aceito sofrer maus-tratos. Ligar a TV para ouvir xingamentos de técnicos em coletivas ou ter que aturar o jornalismo esportivo brasileiro (salvo a exceção de PVC e alguns outros da ESPN Brasil) cobrindo uma Copa do Mundo como se eu não tivesse cérebro, é dose.

Esse 11 de junho vai demorar a chegar...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Alegria, alegria

O Santos é Neymar e mais dez.

O Santos é Neymar.

O Campeonato Paulista é Neymar.

O Brasil é Neymar.

Se o Santos vai ser uma Seleção de 82 - que jogou bonito mas não ganhou - só o Santo André poderá dizer.

Mas de quem vamos falar daqui a alguns anos? "O que era aquele Santos do Neymar, hein?". De maneira que eu não me importo com os títulos que esse time possa ganhar ou não. Claro, não sou santista, fica mais fácil pensar assim.

Só que o Santos de Neymar faz muito mais do que uma ótima campanha num campeonato estadual. Ele mostra que apesar da desorganização de nosso futebol, da sanha exportadora de craques cada vez mais imberbes, do futebolismo carrancudo de resultados... ainda há alegria.

A alegria de Pelé e Garrincha, a que eles sentiam e a que causavam, está revelada em Neymar e cia. Isso não é pouca coisa, e não há título no mundo que seja grande o bastante para legitimar isso.

Assim como a flor citada por Carlos Drummond de Andrade, o futebol da Vila Belmiro em 2010 atropela os malfeitores e ousa sorrir (com a diferença que o futebol do Santos não é feio):

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

(...)

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nenhuma novidade

Alguém duvida que o Carioca 2010 será um título inesquecível para a torcida do Botafogo? Se essa frase fosse proferida no final do ano passado, e até no começo deste ano... Mas olhando para o que foi o campeonato, alguém discorda que o Glorioso foi o time mais arrumado?

Quando se diz que há uma responsabilidade grande de Joel Santana na ressurreição alvinegra pode-se evocar o jeitão do técnico, sua capacidade de motivar, mas também sua competência em armar o time com o que tem nas mãos. Claro que Joel entrou sem pressão alguma, o que facilita.

"Sem pressão??" É isso mesmo, sem pressão. Depois do 0 x 6 pro Vasco, quem tinha alguma expectativa com o Botafogo? Sobre o Fla estrelado e campeão brasileiro, o Flu reforçado e entrosado após a luta contra o rebaixamento e o Vasco voltando por cima da série B, era exatamente o contrário.

Então enquanto a torcida botafoguense não levava fé e não tinha o que cobrar (nem elenco decente ela tinha), Joel contou com a confiança devota da diretoria e mostrou ao grupo o  pouco que eles tinham de bom. E que deveriam ser os melhores nesse pouco.

Os rivais, com sua gama de possibilidades de escalação, variação de jogadas, competições paralelas que disputavam atenção com o Carioca, não sabiam direito no que se concentrar. O Botafogo sabia: em fazer uma campanha digna e saber que, numa competição de baixo nível e com tiro curto, era sua grande chance de redenção.

E foi com essa confissão de fé que o Botafogo realizou a sua "procissão". E a cada "milagre" realizado, maior a crença de que algo mais era possível. Desbancou o Flamengo quando o rubro-negro ainda impunha respeito; expôs as fraquezas táticas do Vasco e conseguiu o primeiro grito de campeão; aproveitou-se da indefinição tricolor e venceu de virada o Fluminense; e chutou cachorro morto ao vencer o Fla na decisão da Taça Rio.

O Campeonato Carioca é um feijão com arroz básico (e se continuar do jeito que está, vai virar um feijão com farinha, no máximo). Mas Joel Santana não tem nada com isso e mais uma vez entregou sua especialidade: um saboroso feijão com arroz, daqueles que nem a mamãe faria.

Após a ressaca geral, resta ao Botafogo decidir: está satisfeito com o básico, ou vai partir para culinárias mais refinadas?

sexta-feira, 19 de março de 2010

A quase vitória dos chatos

O Chelsea quer levar Neymar. Estava demorando que voltasse a aparecer uma proposta milionária pelo craque da Vila Belmiro - a primeira veio do Real Madrid, antes da fama, tentando um projeto "Messi 2". Não me surpreenderia se o garoto quiser mudar de ares, mas por motivos bem diferentes da maioria dos seus contemporâneos.

Neymar tem apresentado maturidade em forma de frieza dentro de campo. Ainda em seus 19 anos não sente o peso de ser uma estrela, o principal jogador, o mais visado pelos marcadores e pelas cobranças em geral. Seja diante de um timeco ou num clássico, Neymar é sempre o mesmo: parte pra cima, não se intimida, faz gol, dribla, firula e tudo o mais.

Só que desde que humilhou o time de segunda maior torcida do país, Neymar passou a ser patrulhado como nunca antes. Se o chapéu em Chicão foi desnecessário e irritou, quando o santista justificou-se dizendo que fez porque "deu vontade", aí é que o moralismo hipócrita e subalterno não o deixou em paz.

Em vez de fazerem como o time do Palmeiras - revidando a provocação na mesma moeda, com gols e dancinhas - todo o resto do Brasil usou dos mais variados argumentos para que olhássemos Neymar como um inconsequente. E que em breve ia pagar o pato, quem sabe até fisicamente.

Fiquei impressionado em ver como a crítica esportiva e seus protagonistas se habituaram a, veementemente, condenar a malemolência brasileira que sempre existiu no futebol. Não se pega no pé dos técnicos que mandam bater, nos árbitros que não coíbem a violência, nos dirigentes que não honram as dívidas dos clubes... A bronca é sempre maior com quem joga o tal futebol bonito.

E aí Neymar vai jogando, sendo patrulhado por árbitros, marcadores e até colegas goleadores que já passaram pela mesma coisa (Ronaldo). A expulsão diante do Palmeiras, depois de apanhar o jogo inteiro, parece ter sido o primeiro momento em que o garoto cedeu à pressão. Nada mais natural.

Mas já querem dar um gancho de 18 jogos, como se ele fosse o único atleta atual a falar desaforo para o juiz.

Assim, se os demais garotos de sua idade querem ir pra Europa para se destacar mundialmente e ganhar mais dinheiro, Neymar pode ter mais um motivo pra cair fora do país: está sendo muito penoso para o santista ser ele mesmo.

Ou Neymar deixa de ser Neymar e começa a jogar um futebol "mais do mesmo" - sem ousadia, picardia e chiadeira contra a violência - ou ele não serve para o cenário atual do futebol brasileiro. Porque na onda troglodita que se apodera de nossos campos e estádios, não vai faltar gente querendo que alguém "dê uma lição" em Neymar. Ou que tudo o que ele faz é apenas firula sem propósito.

Talvez em um cenário mais civilizado (e não estou sendo eurocêntrico) Neymar possa exibir sua arte e ser aplaudido por todas as torcidas - como acontece com Messi, Tevez ou Cristiano Ronaldo por onde quer que passem. Que Neymar encontre um lugar onde ele possa ser sempre Neymar.

É curioso: parece que o futebol brasileiro só tem chance de sobreviver ao se afastar de suas paragens. A mentalidade coronelista e colonialista continua reinando, levando Neymar e assemelhados para o sacrifício.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O eterno chororô e a maturidade de Neymar

Vou te dizer: não tem nada mais sacal e repetitivo no futebol do que o chororô "o-adversário-não-está-nos-respeitando-ao-tocar-a-bola-com-classe-e-fazer-firulas-para-passar-o-tempo". A carpideira do momento é o Corinthians, tendo no técnico Mano Menezes e no Fofômeno seus principais porta-vozes. Os Meninos da Vila deitaram e rolaram e agora o nhémnhémnhém está do lado do Parque São Jorge.

O que eu fico mais encucado é que os corintianos alegam que esse tipo de atitude não tem objetividade, e visa humilhar o adversário. Então, se o Santos enfiasse uma goleada em vez de fazer a bola correr, isso seria menos humilhante? Quando o Corinthians estiver garantindo uma vaga na fase seguinte da Libertadores e, para não se arriscar, fizerem a bola correr graças ao talento de Ronaldo, Dentinho, Defederico e cia., isso será condenável?

Pra completar o festival de absurdos, Mano Menezes reclama que qualquer contato com os Meninos da Vila é considerado falta, ou cartão amarelo. Bom, se eles têm habilidade e o único recurso dos marcadores acaba sendo "matar a jogada" (o eufemismo mais frequente na boca dos técnicos), então o juiz tem que marcar. Não é óbvio?

"Ah, futebol é esporte de contato". Sim, mas se existem jogadores que fogem do contato para visar somente a bola, isso também deve ser considerado pela arbitragem.

Mas o bom mesmo é ver a maturidade e a personalidade de Neymar, provando que não é mais uma mosca-morta no cenário do futebol brasileiro. Denunciou a ameaça do zagueiro Chicão (que não precisa desse tipo de coisa, é bom jogador) em agredi-lo, afirmou que vai continuar jogando assim e que o Santos utiliza os recursos que têm. Parece veterano falando. Diante de Neymar, Robinho fica ainda mais infantil do que já é.

O Corinthians quer dar o troco? Encontre o Santos na semifinal, faça um placar favorável e firule de volta. Ou já esquecemos que o Brasil deu ao mundo jogadores como Pelé, Garrincha, Julio Cesar Uri Geller, Denner, Robinho mesmo, Ronaldinho Gaúcho, Denílson e tantos outros que fizeram o que suas torcidas adoram - humilhar o adversário com o drible, seja em que situação for.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Arbitrariedades

Depois de passarem mais de um século sendo injuriados, pressionados, com as mães sendo xingadas a torto e a direito, os árbitros de futebol encontraram a profissão certa pra virar a mesa após a aposentadoria  - comentarista de arbitragem.

Não existe ocupação mais cômoda para um ex-árbitro do que avaliar o trabalho de seus colegas do conforto da cabine da emissora, vendo e revendo um milhão de vezes todos os lances do jogo para só depois dar seu veredicto.

Assim, os homens do apito atingem a imortalidade apenas em seus benefícios: continuam julgando os lances que acontecem no gramado, mas sem a responsabilidade e as consequências possíveis. Como o distanciamento crítico relativiza-se diante do corporativismo, não são poucos os ex-árbitros que tão somente confirmam o que seus colegas acabaram de decidir ao vivo. Mesmo que a imagem não seja tão esclarecedora a esse ponto, ou que diga exatamente o contrário.

Sem contar as inúmeras vezes em que o mesmo comentarista avalia um tipo de jogada de maneiras diferentes. E isso pode acontecer até na mesma partida. Uma puxada de camisa pode ser falta, e a mesma puxada minutos depois pode não ser. A regra não é clara.

O mais irônico é que, para o novo ganha-pão, eles se servem da tecnologia que fazem questão de sonegar a seus colegas do presente. São, na maioria das vezes, solidários na hora de comentar os lances, mas sequer cogitam a possibilidade das câmeras e replays auxiliarem os juízes in loco.

O que leva os donos do apito de ontem e de hoje a uma estranha tentativa de manter o status de autoridade máxima em campo, custe o que custar. Perguntem se a Irlanda, que vai assistir à Copa na TV, concorda que o juiz é o sabe-tudo inquestionável em campo.

O pior efeito colateral dessa história é que os comentaristas de arbitragem têm enorme vocação para a arrogância, cujo maior arauto é Arnaldo Cezar Coelho. O vídeo abaixo é emblemático, e é o tipo de postura que temos que aturar nas transmissões de agora.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O rótulo

Um dos grandes problemas na análise de futebol de hoje é quando se observa o rótulo, não o conteúdo. É o que se vê quanto a Ronaldinho Gaúcho, por exemplo.

Colaram em Ronaldinho o rótulo de “ele não é decisivo quando o time precisa”, “pipoqueiro”, “amarelão”, e por aí vai. E é a partir desse estereótipo que as atuações do jogador do Milan são avaliadas. Também é pelo rótulo que opinam se ele deve ir ou não à Copa.

Ronaldinho decidiu um jogo do campeonato italiano? “Ah, só contra time pequeno”. Decidiu o clássico contra a Juventus? “Ah, a Juve faz campanha de rebaixado”. Não jogou bem contra a rival Inter de Milão? “Tá vendo? Pipocou...”.

Hoje, contra o Manchester United, Ronaldinho fez o primeiro gol, deu o passe pro segundo e levou perigo à defesa inglesa várias vezes. Mas como o Milan perdeu levando dois gols de Rooney, automaticamente o brasileiro é classificado como decepção. Se Kaká tivesse o mesmo desempenho com o Real Madrid, com o mesmo resultado final, ninguém diria isso.

É curioso constatar os dois pesos e duas medidas quando se trata de avaliar os medalhões que fracassaram na Copa de 2006. O já citado Kaká ainda faz jus a ser intocável, mas e quanto a Ronaldo, Robinho e Adriano? Ao contrário de Ronaldinho, estes três desistiram de jogar na Europa e voltaram ao Brasil. Diante do êxodo constante dos nossos melhores (e jovens) talentos, é claro que eles iriam sobrar por aqui.

Ronaldinho Gaúcho foi o único a tentar prosseguir jogando em alto nível, sem artimanhas disfarçadas de saudade de casa. Mesmo em seus piores dias na Itália, continuou buscando melhorar em meio aos melhores craques do planeta. E tem conseguido.

Ronaldo, ausente em metade dos jogos do Corinthians, merece a Copa? E Robinho, um fracasso no Manchester City (onde por muito tempo era o jogador mais talentoso mas não mostrou isso em campo)? Adriano conseguiu maior regularidade, mas não na Europa. A condescendência com eles é proporcional à crueldade com que julgam Ronaldinho Gaúcho.

E desistam de esperar o Gaúcho na Copa 2010. Dunga será mais fiel a seus lacaios, como Josué, Felipe Melo e Gilberto Silva. E até ao próprio Robinho. Está além da capacidade do técnico da Seleção flexibilizar seus métodos em nome da presença de um talentoso (embora inconstante) Ronaldinho. Para Dunga, o importante é a estabilidade e a lealdade, critérios que nunca preocuparão os medíocres com vaga certa na Copa.

Será que Ronaldinho vai ter que reinventar o futebol pra ser levado a sério novamente?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O descaso de Petkovic

Ridícula, absolutamente ridícula, a situação que Petkovic causou no Flamengo. O que você diria de um jogador que se irrita no intervalo de um clássico e deixa o estádio, enquanto todo o time (incluindo o outro atleta também substituído) tem que retornar para reverter o resultado negativo?

E o que é pior: fica circulando de carro nos arredores do estádio ouvindo o jogo no rádio tão somente para, se fosse sorteado no antidoping, voltar a tempo. Todos esses acontecimentos foram admitidos por Petkovic, que ainda mandou essa na coletiva: "Se eu cometi uma indisciplina...". Se?????

A decisão de Marcos Braz, diretor de futebol do clube, em rescindir imediatamente o contrato do sérvio foi desproporcional. Atos de indisciplina devem ser punidos de acordo com o prejuízo causado. Ainda mais no contexto atual do Flamengo, em que privilégios são concedidos e relevados com facilidade.

O empresário de Pet pode estar certo em achar que Braz tem algo pessoal contra o jogador. Mas nada disso teria acontecido se ele não tivesse chutado pro alto o compromisso que tinha com o clube e, principalmente, com seus companheiros.

Patricia Amorim já chegou com panos quentes, pois não vai querer ficar marcada como a presidente que dispensou um ídolo ainda no auge da popularidade. Vai ter que administrar a contrariedade de Marcos Braz, que já foi desgastado em sua autoridade no episódio com Andrade.

E Petkovic, se permanecer no Fla, vai ter que aceitar duas coisas, de imediato: que não é a única estrela magnânima - Vágner Love, na humildade, e Adriano, mais jovem e em ritmo de Copa, estão à sua frente; e que o time tem rendido melhor sem ele, ao menos por enquanto.

Aos 37 anos, Pet pode conseguir uma Libertadores inédita para seu currículo. É só parar com a marra que o caracterizou em outras passagens pelo clube e que estava esquecida até então.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ano domini

 

Camisa nº 3 do Corinthians, apresentada nesta semana. 

Padres designados para velórios em São Paulo  já contam com roupa esporte.

Ainda se faz pesquisa de mercado?

domingo, 31 de janeiro de 2010

O ocaso de Petkovic



O incrível Fla-Flu deste domingo teve 8 gols e a participação de novos e antigos personagens conhecidos das torcidas: Adriano, Vágner Love, Conca, Alan, Maicon, Vinícius Pacheco... Menos um: Petkovic. Ninguém está falando nisso com a veemência necessária. Quer dizer, uma pessoa está: o técnico Andrade, que não hesita em sacar o gringo quando ele não contribui para o time na partida.

Pet já tinha seu lugar garantido no coração da torcida ao fazer aquele gol da final do Carioca de 2001, contra o Vasco, aos 43 do segundo tempo. Ressuscitou em 2009 para contribuir com o tão sonhado hexacampeonato brasileiro, com atuações memoráveis. Mas até então Pet era uma surpresa diante de seus desempenhos recentes no Goiás, Atlético-MG e Santos.

Sendo uma surpresa recheada de talento (que não se esquece) e experiência, foi um dos craques do país no ano passado, e era a cereja do bolo do bem arrumado time de Andrade. No entanto, acredito que o último grande feito de Petkovic tenha sido o gol olímpico que desmontou o Galo em pleno Mineirão, abrindo a vitória final por 3 x 1. De lá pra cá, a verdade é que o sérvio não tem jogado nada, embora saiba muito bem se manter na mídia.

Nos jogos seguintes, Pet teve atuações discretas, com lampejos aqui e ali e escanteios bem cobrados, como no que originou o gol do título de Ronaldo Angelim, contra o Grêmio. Não duvido da capacidade de Pet de se adaptar a novos cenários, mas vamos aos fatos: ele não joga no nível que se espera desde os 6 minutos iniciais contra o Atlético-MG, em setembro!

O camisa 43 da Gávea pode estar manjado, e assim muito bem marcado; também pode estar fora de ritmo, já que foi o último a se apresentar na curta pré-temporada rubro-negra. O certo é que Pet tem sido um peso para o time em campo, e graças à bipolaridade da imprensa esportiva (ou exalta ou crucifica, sem perceber quando não há mais razões para tais atitudes), ainda possui crédito para não ser criticado.

Mas é bom para o Flamengo que o Petkovic atual seja questionado. Não que se apague seu passado no clube, mas olhe-se para o presente com uma pulga atrás da orelha. E ao menos o técnico tem olhado. Percebam como o time ganha em velocidade e poder ofensivo com a simples saída do gringo. Vinícius Pacheco tem aproveitado as chances, e o recém-chegado Ramon tem tudo pra fazer o mesmo.

Assim como de Ronaldinho Gaúcho, não se pode esperar que Petkovic repita temporadas estelares dia após dia. Entretanto o Flamengo precisa enxergar a realidade e saber trabalhar com ela, pois também interessa ao clube preservar um ídolo que carrega a torcida com ele.

Talvez Pet renda mais na Libertadores, diante de adversários que não o conheçam tão bem como os brasileiros. Mas é preciso que o próprio atleta perceba que não está bem (o que não duvido, já que não cria caso com as substituições) e clube e torcida, idem. O pior cego é o que não quer ver. E o que aceita barato o ocaso de um belo jogador como Dejan Petkovic.

ATUALIZAÇÃO À 01:24 - Pet vai embora do Maracanã no intervalo e briga com Marcos Braz, que o exclui do grupo. A notícia saiu horas depois da postagem.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

É de família

Ele foi um autêntico camisa 10, um meia-direita que usava de habilidades físicas e psicológicas para driblar seus marcadores (até escreveu um livro sobre o assunto). É o maior ídolo da história de um clube carioca, que tem uma torcida fiel e tradicional. Estava cotado para o grupo da Copa de 70. Ah, e também é irmão do Zico. 

Mas essa última característica só ficou conhecida depois que EDU tinha uma carreira de craque nacional mais do que consolidada. Segundo maior artilheiro da história do América-RJ (212 gols), não são poucos os que dizem que ele jogou mais que o irmão famoso.

Nessa entrevista exclusiva, concedida por e-mail direto da Grécia, Edu Coimbra transpira alegria por ter encontrado o futebol, conta histórias divertidas e emocionantes – por exemplo, ao jogar com outro irmão, Antunes, em pleno Maracanã – mostrando-se um profissional realizado dentro de campo, como jogador e também como técnico. 

FUTEBOL RACIONAL - Você começou a carreira no América-RJ mesmo. Como você chegou ao clube? Fez testes em outros clubes?

EDU COIMBRA - Comecei em 1963, se não me falha a memória, fazendo testes nos infantis e não passei na primeira tentativa numa peneira no antigo campo do Mavilis, no Caju. No ano seguinte, fui levado pelo Paulo Cesar Martins (o Puruca), meu amigo e vizinho de Quintino, para um novo teste. Aí sim, fui aprovado e nesse mesmo ano fiz minha estreia no time principal, ainda [com idade de] infanto-juvenil. O Paulo me acompanhou no primeiro teste e tinha sido aprovado.

Nunca fiz testes em outro clube a não ser o América. Mas joguei, junto com o Paulo, uma partida pelo Fluminense, na preliminar de um Rio-São Paulo da época brilhante do futebol brasileiro. Flu 3 x 1 São José, com um gol de cada. Ganhamos um belo troféu que até hoje está na galeria tricolor, na sede das Laranjeiras. O Flu nos queria, pelas belas atuações, mas respeitando o clube co-irmão (havia isso na época, acreditem), não forçou a barra.


FR- Você sempre jogou de meia-direita?

EC- Fui atacante número 9 por algum tempo, inclusive artilheiro do [Torneio] Roberto Gomes Pedrosa de 1969, e considerado o melhor jogador sul-americano daquele ano. Mesmo assim não fui convocado para a Copa de 70, ficando, porém, entre os 40 inscritos na FIFA. Com a chegada de Zizinho para dirigir o time [do América] fui alçado à camisa 10, sendo considerado o primeiro "número 1", designando o jogador mais livre num sistema inventado por ele e copiado pelo Zagallo em 70 na Copa: o 1-4-3-1-2. Portanto, a maior parte da minha carreira fui uma espécie de pivô entre a defesa e o ataque e articulador de todos os contra ataques. Sem deixar, porém, de continuar fazendo os gols que deram inúmeras alegrias na minha carreira. Foram mais de 500, para meu orgulho.

FR- Quem era o seu ídolo no futebol? Por quê?

EC- O grande ídolo da família, quando criança, foi o inimitável Dida, dono de jogadas sutis, simples e vistosas, com um aproveitamento excepcional no ataque do Flamengo e nas equipes que ele jogou em toda a sua brilhante carreira. Inclusive na Seleção, onde Pelé era seu reserva. Acho que, além do craque que foi, o número 10 do Flamengo ajudou, na construção da sua imagem, como apelo significativo na minha aprendizagem e de meus irmãos. Acima de tudo, [tinha] um grande caráter e [foi] exemplo para as gerações que se seguiram. Saudade desse tempo de Maracanã cheio e Dida fazendo diabruras em cima dos zagueiros contrários. Que belo jogador ele foi!

FR- Qual foi a sua maior alegria pelo América? E a sua maior tristeza?

EC- A alegria permanece em saber que me tornei um símbolo de empenho, dedicação e capacidade profissional, sempre lembrado como um dos maiores ídolos de sua brilhante história. Quanto à tristeza, foi a perda da Taça Guanabara de 1967, quando tínhamos equipe até para sermos campeões.

FR- Dizem que você, baixinho e habilidoso, diante dos zagueirões “grossos”, incentivava-os a fazer jogadas de efeito, sabendo que eles não iam conseguir e aí você se aproveitava para roubar a bola e passar por eles. Era isso mesmo?

EC- Escrevi um livro, Método sensorial no futebol, da infância à idade adulta, que conta um pouco daquilo que usava como meios para conseguir ludibriar os adversários, rumando em direção ao objetivo principal em cada partida: marcar gols e ajudar nas vitórias do time. Na verdade, essa foi uma das artimanhas de tantas que são usadas legalmente dentro do campo. Malícia, no bom sentido, nunca é demais no futebol e faz parte da cultura carioca, principalmente.

FR- Você tem outras histórias curiosas vividas nos tempos de jogador?

EC- A história como jogador é passado, mas creio ter deixado um legado de bons ensinamentos. Entretanto tem uma passagem interessante que posso contar: ano de 1969, jogo América x Botafogo no Maracanã lotado, valendo a Taça Guanabara. Entro em campo e um jogador do Botafogo, o zagueiro Zé Carlos, se não me engano, mais para me distrair do que propriamente falando sério, me diz: "ô baixinho, sabia que aliança de noivado dá azar nos jogos?". Coincidência ou não, o Bota faz o seu gol logo aos 2 minutos da partida, quando eu corria para o banco entregar a aliança que havia retirado do dedo. Então combino com meu saudoso irmão Antunes, grande mestre da família, que jogava ao meu lado, uma jogada em direção ao empate. Não deu outra, gol ... E no segundo tempo, mais um a nosso favor, do querido amigo, também falecido, Eduardo. Achava, a cada minuto que passava, que a virada tinha sido fruto da retirada da aliança.

Quão bobo e inocente eu fui, quando o Botafogo empatou e na prorrogação fez o gol do título com Paulo Cesar Caju, que marcou os 3! Terminada a partida, triste e cabisbaixo, peguei a aliança, recoloquei-a, com todo o carinho, e nunca mais a tirei do dedo até o dia do meu casamento. Quantos e quantos gols e vitórias ainda tive jogando com ela no dedo! Ah, se arrependimento matasse... Quem sabe com ela teríamos vencido e conquistado a Taça Guanabara? Coisas do "infantil "mundo da bola.

FR- Quem foi o seu melhor marcador?

EC- Tantos foram os bons, mas o Brito, do Vasco, foi de grande importância na minha formação adulta. Pela sua experiência, lealdade e incentivo que dava em cada partida, mesmo sendo adversário. Até hoje sou grato pelos ensinamentos e motivação, dados no início de minha carreira. Um grande jogador, zagueiro, com muita justiça campeão do mundo. Um sujeito de um coração muito maior que a sua capacidade profissional.

FR- Qual o seu jogo inesquecível?

EC- América 1 x 0 Nacional do Uruguai, Torneio Negrão de Lima, Maracanã. Jogo final e o gol da vitória feito pelo meu irmão Antunes. Foi o primeiro título da minha carreira no América. A emoção maior foi porque eu fiz o lançamento para o meu irmão e ele aproveitou magistralmente, driblando Emilio Alvarez e deslocando o fabuloso Domingues com um toque sutil e desconcertante. Um golaço confeccionado por dois irmãos!

Quando nos abraçamos na volta, para o recomeço da partida e ainda comemorando o gol, o público inteiro, com mais de 50 mil espectadores, aplaudindo de pé e reconhecendo a beleza do lance. Isso foi magnífico em minha carreira e a maior emoção que vivenciei.

FR- E o gol inesquecível? Por quê?


EC- Campo Grande 2 x 0 Portuguesa, preliminar de Vasco x Flamengo no Maraca colocando gente "pelo ladrão". Jogando pelo Campo Grande, quase em fim de carreira , aos 40 do segundo tempo, fiz um golaço,de bicicleta , numa feliz performance elástica e fazendo vibrar as duas torcidas que, juntas, gritavam “EDU! EDU! EDU!”. Foi uma apoteose tão surpreendente que meu irmão Zico, mudando a roupa no vestiário, preparando-se para o jogo principal, correu à boca do túnel para saber o que havia acontecido. Moral da história: de tão feliz ao saber do ocorrido, resolveu orgulhar ainda mais a família e deu um show no clássico, protagonizando um dos dias mais felizes para os Antunes Coimbra .

FR- Pra você, o que falta pro América voltar a ser grande? O que tem achado do momento atual do clube?

EC- O América voltou à primeira divisão, vai passar sufoco no início mas deve melhorar no decorrer da competição, caso haja investimentos em jogadores com mais bagagem e experiência que os atuais. Como sempre, uma incógnita!

FR- Você foi campeão estadual pelo Bahia em 1975. Que lembranças tem do seu período lá?

EC- Minha passagem pelo Bahia foi vitoriosa pela conquista estadual e pelos bons momentos de alegria vivenciados naquela terra abençoada pelos deuses da alegria, nos aspectos profissional, social e familiar.

FR- Você já tem uma longa carreira como técnico. O que você tem a dizer sobre essa experiência?

EC- De grande valia na minha evolução como homem das quatro linhas e com uma infinidade de ótimos resultados. Feliz pela escolha, continuando no futebol, após a carreira de jogador. Me preparei, estudei e lucro com este investimento.

FR- Você tem vontade de voltar a ser técnico de um time grande no Brasil?

EC- Estou bem auxiliando meu irmão e enquanto ele me quiser estarei fielmente ao seu lado. Até porque é uma parceria que tem dado certo .

FR- Desde o Kashima Antlers você tem trabalhado como auxiliar-técnico do Zico. Como é o dia a dia de trabalho vocês? Como é a relação entre os dois, que possuem tanta experiência dentro de campo (embora como técnico você esteja há mais tempo que ele)?

EC- De lealdade, carinho, atenção e participação efetiva . Há empatia e confiança mútuas.

FR- Você gostaria de trabalhar na comissão técnica de algum grande time da Europa?

EC- Quero estar junto do meu irmão, não importa onde e quando. Esse é meu interesse maior.

FR- O Flamengo contratou Vagner Love, jogador que trabalhou com vocês no CSKA Moscou. O que você acha?

EC- O Love é craque e portanto vai ser uma peça muito importante na temporada do Flamengo. É um grande cara que tem qualidades inquestionáveis e vai ser feliz desde que se cuide bem e atue com afinco e confiança. A torcida vai gostar, tenho certeza!

Ainda a orfandade

Segundo jogo do Botafogo na temporada, segunda vitória, após sufoco. Declaração do lateral-direito Alessandro após a partida:

"A torcida do Botafogo é isso aí. Não dá para entender. Começo de temporada. Sabe que é a dificuldade é tão grande. Torcemos para eles apoiarem a gente...Mas temos que levantar a cabeça. O grupo está junto. Temos que continuar trabalhando e esquecer o torcedor. Não podemos deixar o que vem de fora nos atingir. Uma hora, eles vão nos apoiar."

Um psicológo para a torcida alvinegra, por favor! Jogador que precisa esquecer da torcida pra jogar é o cúmulo. É melhor fechar os portões de uma vez.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Roberto Carlos: maturidade


Nunca vi nada de mais no Roberto Carlos como pessoa, embora esteja na história da Seleção como um dos melhores laterais-esquerdos que por ali passaram. Mas numa entrevista coletiva no Corinthians demonstrou maturidade, exercendo a crítica da maneira que deve ser.

Repare como o atleta lida bem com a pergunta idiota que recebe, sem cair na vulgaridade ao criticar Galvão Bueno e toda a miríade de maus profissionais que infestam o jornalismo esportivo brasileiro. Veja o vídeo aqui.

O Linha de Passe da ESPN também repercutiu o episódio.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Romário no Botafogo



Começa a temporada 2010 do futebol brasileiro e os clubes vão anunciando os seus reforços. Esperanças renovadas, torcida dando crédito e todo mundo querendo ver no que vai dar.

O que mais me chamou a atenção nessas contratações foi a repercussão da chegada de “El Loco” Abreu ao Botafogo. O segundo maior artilheiro da seleção uruguaia, de 33 anos, teve calorosa recepção no Rio de Janeiro. No dia seguinte, o clube já vendia camisas promocionais enquanto o atacante posava com o eterno Zagallo, já que vai herdar a camisa 13.

“Não era para isso tudo não. Mas carência é fogo!”, resumiu bem um amigo botafoguense. O escritor Sergio Augusto destacou a mesma coisa em artigo da revista da ESPN. Os ídolos rarearam em General Severiano, e é preciso retomar essa tradição. Até para a sobrevivência: pesquisas apontam o envelhecimento da torcida do Botafogo.

Mas eu vou além: o Botafogo não precisa somente de ídolos, mas de uma pitada de “marra”. A imagem do depressivo Cuca e do “chororô” fizeram mal ao clube, de uma maneira mais profunda que se possa imaginar. Cristalizou-se no inconsciente coletivo a idéia do “Foguinho”, o apequenamento dos sonhos do time em qualquer competição.

A partir daí, as diretorias contribuíram para a sedimentação dessa imagem para dentro de seus domínios. Nunca mais contratou jogadores com personalidade de time grande e vencedor. Todos os que chegavam tinham pés-no-chão até demais. Só almejavam uma boa campanha, nada além disso. É pouco para um dos grandes do Rio, mas ninguém lá pensava assim.

Quando Maicossuel ressuscitou seu empolgante futebol no Botafogo, ali parecia a hora da virada: melhor jogador do Carioca 2009, goleada no Vasco, defesas adversárias assustadas. Mas em maio o meio-campo seguiu para a Alemanha e o clube voltou ao que era antes. E em todos esses momentos a auto-estima da torcida acompanhou o ritmo.

O Botafogo precisa de jogadores com vontade de vencer e ganhar títulos, é certo. Mas também precisa de provocadores, de gente que reanime a gana da torcida. Atletas que não deixem barato as zoações, respondendo dentro e fora de campo. Que não admitam o tal apequenamento. A contratação de “El Loco” foi o primeiro grande passo dado nesse sentido.

Não que o uruguaio seja um fenômeno. Porém pode ser o início da mudança psicológica que o time precisa. Ainda há muito a fazer: contratar mais gente confiável, em breve trocar o técnico – se Estevam Soares der certo em 2010, ótimo. Só que também tem o hábito da murmuração, o tipo de coisa que o Botafogo não pode mais reproduzir.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pelo bem do jornalismo esportivo

Erich Beting, do site Universidade do Futebol, fez uma ótima análise sobre a cobertura jornalística do futebol nos meses em que não há competição. Muita especulação e fontes nada isentas, com prejuízo para os torcedores.

O jornalismo esportivo precisa ser levado a sério - a começar por seus profissionais. Leia o texto de Beting aqui.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O título da humildade

Se já não bastasse Andrade com seu jeitão, Petkovic recomeçando quase do zero e Adriano e suas raízes na Vila Cruzeiro... Ronaldo Angelim faz o gol do título.

Pela história do zagueiro, o hexa ganha um sabor ainda mais heróico. Assista aqui.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Os sabichões perderam

A grande contribuição do Brasileirão 2009 para o futebol é que ele deu uma rasteira nos experts que teimam em prever logicamente o que vai acontecer a cada rodada, ou ao final do campeonato. Além dos matemáticos (e de seus puxa-sacos incondicionais), que devem ter virado muitas noites refazendo seus cálculos tão certeiros. O campeonato desse ano foi uma vitória da humildade - é preciso retornar a ela para não passar vergonha em público.

E isso vale também para os técnicos que "se acham" e os jogadores que relaxam antes da hora. É só olhar, principalmente, o segundo turno do campeonato. Começou com um Palmeiras embalado e disparado na frente e um Fluminense praticamente extinto do calendário oficial. E depois? Um revezamento contínuo de candidatos ao título e suplentes da zona de rebaixamento.

O mais engraçado era ver a crônica esportiva decretar, semana após semana, que agora ia ser assim e assim (este blog aqui inclusive!), e aí o imponderável do futebol acontecia, o favorito tropeçava e a sabedoria dos entendidos da bola virava um castelo de cartas.

E assim como o Lázaro bíblico, quem poderia prever o festival de ressurreições? Fluminense, Fred, Petkovic, Andrade, Ricardo Gomes, o próprio Adriano... Quem poderia prever que até o último suspiro um monte de times poderia levar o título? Pergunte aos torcedores do Flamengo se eles estão tranquilos para domingo que vem.

Especificamente sobre a rodada de ontem, quais as constatações? O Corinthians continuou com a preguiça de vaga garantida na Libertadores; o Flamengo mostrou que tem elenco, já que Adriano (e Pet, convenhamos) foram desfalques; o Inter prova que tem um bom time; o Palmeiras, se mantiver o elenco, pode acertar com Muricy em 2010; o Fluminense dá ainda mais orgulho para a torcida; o Botafogo está pedindo para fecharem o caixão da Série A.

Não concordo quando dizem que o Campeonato Brasileiro está nivelado por baixo. Tivemos jogos bons de emoção e de qualidade. Vamos admitir de uma vez por todas! Nossos talentos vão-se embora? Sim. Há jogos ruins? Como em qualquer campeonato nacional. A arbitragem está catastrófica? Talvez, ainda mais em tempo de TV. Mas foi um campeonato muito, muito bom de ver, do começo ao fim.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Alergia ao título?

Será que a taça do Campeonato Brasileiro foi contaminada pelo vírus da gripe suína? Só por aí dá pra explicar o "esforço" que os postulantes ao título têm feito para deixá-la escapar, tal e qual uma batata quente.

Tudo começou com o Palmeiras, que estava 500 mil pontos à frente dos demais e corria pra repetir o feito do São Paulo, de acabar com a festa muito antes do final. Mas lá veio o Verdão, descendo a ladeira, e agora a vaguinha na Libertadores vira a maior ambição do Palestra Itália.

Depois o Internacional não conseguiu lidar com o desmanche e com a troca de técnico e ficou mais longe da taça. O Atlético-MG, regular toda vida no topo da tabela, beliscou a liderança até ser derrubado pelo Flamengo em casa e também se deprimiu.

Quando São Paulo e Flamengo ficaram como virtuais candidatos para serem campeões, cada passo em falso poderia decidir a disputa. O tricolor cambaleou contra o Grêmio, deu uma recuperada contra o Vitória e então veio o jogo-chave, contra o Botafogo, no Engenhão.

E não é que o São Paulo perdeu, de virada, para o heróico Botafogo? Com o jogo acontecendo antes de Fla x Goiás, o Maracanã rubro-negro comemorou cada gol alvinegro. Uma vitória simples bastava para colocar o time da Gávea na liderança.

E não é que o Flamengo empatou sem gols contra o Goiás, em casa? Jogou com um salto tamanho 14, achando que venceria a qualquer momento. E jogou muito, muito mal.

Aí a taça do Brasileirão 2009 segue acabrunhada e com a auto-estima lá embaixo, sendo rejeitada rodada após rodada. Um dos melhores campeonatos da década pode terminar com uma grande contradição: um campeão vacilante em momentos decisivos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Desproporções

O Palmeiras demitiu Obina e Maurício após a confusão de ontem?

Então deveria ter demitido Diego Souza pelo papelão contra o Santos, no campeonato paulista deste ano, ao voltar a campo pra "bicar" Domingos.

O presidente, Luiz Gonzaga Belluzo, também deveria se demitir após o destempero rasteiro (e repetido no dia seguinte) contra a arbitragem - que prejudicou o time, sem dúvida.

O futebol brasileiro virou especialista em desproporções.

É desproporcional a pena de três jogos aplicada a Jean, volante do São Paulo. Assim como é desproporcional a cobertura da imprensa sobre as fanfarronices do STJD.

No caso do Palmeiras, uma suspensão com multa já daria conta do recado. Agora, desperdiça um zagueiro promissor e um dos artilheiros do time, que a torcida abraçou desde o começo? Em nome do quê? Da "honra às tradições do clube"? Ah, faça-me o favor.

Honrem as tradições dentro de campo, jogando bola e administrando com competência.

Nunca torci tanto pro Flamengo vencer um campeonato: um time que anda em paz, fincado no talento de seus atletas e no bom senso de seu técnico. Não dá pra elogiar a diretoria, mas ao menos Marcio Braga calou a boca.



Chutando o politicamente correto pro alto: adorei quando o argentino Nani, que tinha aberto o supercílio de Gum, leva uma cacetada e não consegue levantar, aos 47 do segundo tempo. Melhor ainda porque, na sequência, o próprio Gum decretou a desclassificação do Cerro Porteño.

Assim como foi muito bom ver o Fluminense virando o jogo na bola, a despeito da cumplicidade criminosa da arbitragem com a maldade do time paraguaio.

***

Henry não foi o primeiro, e não será o último. Ao menos enquanto a Fifa ignorar que as câmeras podem ajudar o árbitro e o espetáculo.

domingo, 15 de novembro de 2009

Primeiro e segundo normalíssimos

Analisando o momento atual (sem apontar o final da história), pode-se dizer que os times mais sólidos dessa reta final do campeonato estão nas duas primeiras colocações. São Paulo e Flamengo apresentam características muito semelhantes.

Ambos possuem um elenco cuja base joga junta há algum tempo, facilitando o entrosamento. Seus técnicos foram oficializados em meio ao Brasileirão e debaixo de muita desconfiança, e fazem campanhas melhores que os "medalhões". O clima nos dois times é bom, e tanto o carioca quanto o paulista possuem uma boa mescla de jogadores experientes e jovens.

Isso tudo talvez explique porque estão bem mais estáveis do que os que gravitam no topo da tabela. O Cruzeiro perdeu do Flu e empatou com o Grêmio quando não podia; Palmeiras e Atlético-MG não têm aguentado a pressão e ficaram ansiosos demais com a possibilidade de serem campeões, o que atrapalhou seus rendimentos. O Internacional coleciona maneiras de irritar a própria torcida.

No entanto, vejo vantagem para o Flamengo, que possui jogadores mais decisivos: Adriano e Petkovic atravessam uma fase madura, assumindo seus papéis de liderança. No São Paulo, Rogério Ceni é o único que pode ser comparado à dupla rubro-negra, mas fica lá no gol. E a arrancada rubro-negra (típica do tricolor do ano passado, vejam só) não parece querer se contentar com Libertadores.

Do lado de baixo da tabela, é de admirar a reação do Fluminense. Até jogadores medianos como Mariano estão fazendo boas partidas, e o ataque relembra a dupla vascaína Romário-Euller: Maicon transformou-se num "garçom" para Fred. O centroavante fez dez gols em dez jogos, não preciso dizer mais nada. E o passe de Conca no segundo gol foi sensacional.

Faço questão de destacar a bela homenagem feita a Washington, ex-craque do Flu, que passa por problemas de saúde. As camisas, a campanha para ajudar, fazer o Maracanã inteiro saudá-lo ao vivo foi de arrepiar. Parabéns à torcida e aos idealizadores, solidariedade e memória made in Laranjeiras.

E o Botafogo, hein? Esqueceram de levar a disposição na bagagem pra Barueri. O Fla agradece, pois o jogo contra o São Paulo, no Engenhão, virou final de Copa.

Acho um absurdo que a grande campanha do Avaí esteja sendo negligenciada pela crônica esportiva. Um time que volta à primeira divisão depois de muito tempo, já se garante na Copa Sulamericana e ameaça ir à Libertadores merece todo aplauso. E sempre jogando de igual para igual com os principais clubes do país.

Parabéns também ao técnico Silas, que faz ótimo trabalho e ainda tem uma postura exemplar, sem cair no rame-rame arrogante de muitos "cãomandantes" tupiniquins.

sábado, 14 de novembro de 2009

É Nilmar é mais 22

E o Brasil venceu a Inglaterra mais uma vez, num jogo que só valeu pelo segundo tempo. Não tem jeito: quando acontece o famigerado "nó tático" por parte de algum técnico, é garantido que a partida perde em espontaneidade e qualidade.

Quando a Seleção começou a bagunçar a marcação inglesa, ficou fácil. Até porque esse era o English Team B. Sem Terry, Gerrard, Lampard, Beckham, Ferdinand não dá pra esperar muito.

Elano vai deixando de ser o jogador burocrático de sempre pra se especializar em dar passes precisos. Michel Bastos não comprometeu na lateral-esquerda, mas também não encheu os olhos. Vou dar o desconto da pressão, mas o Brasil precisaria de outros jogos até a Copa pra fechar seu elenco com mais certeza. Corre o risco de ir à África do Sul com uma interrogação na camisa 6, seja quem for.

Ponto também pra Thiago Silva: tem uma personalidade impressionante. Vai fazer carreira na Seleção brincando.

E de novo, Nilmar é o nome do jogo. Não só mostra disposição, como uma inteligência acima da média entre os atacantes brasileiros. Mirradinho, virou especialista em se posicionar bem e usar a velocidade pra vencer mil zagueiros (estagiou no futebol gaúcho, né?).

O atacante do Villareal ainda pensa rápido: é difícil vê-lo se enrolando com a bola ou perdendo uma oportunidade - se vacilarem na frente dele, já era. Que o digam Brown e Foster, após o jogo de hoje. Isso acontece porque Nilmar já sabe o que vai fazer antes da bola chegar a ele. É a tal capacidade de antecipação, comum a grandes craques do futebol.

Agora vamos nos preparar para o próximo clássico arranjado pela CBF: Brasil x Omã...

domingo, 8 de novembro de 2009

Ao torcedor, tudo

Quem acompanha este blog sabe o quanto critico a irracionalidade do torcedor (como já diz o título). Não desprezo a paixão, mas a irracionalidade que beira a agressão.

No entanto, precisamos voltar ao beabá do futebol, desde o seu surgimento: quem faz o espetáculo dentro de campo são os jogadores; fora dele, o torcedor. Abaixo com a supervalorização de técnicos e as "melancias no pescoço" de dirigentes quase inúteis.

O que se tem visto no Mineirão com o Atlético, no Maracanã com Fla, Vasco e Flu, na Ressacada com o Avaí, nos Aflitos com o Náutico, no Palestra Itália com o Palmeiras é pra se destacar. Milhares de torcedores acompanhando seus times, lotando estádios, vibrando e cantando muito, estejam eles em cima ou embaixo na tabela.

E é pra eles que tudo deve ser proporcionado. É neles que se deve fazer um bom planejamento, boas contratações, pagar em dia, jogar com raça, treinar sempre.

Mais do que bons jogos, o returno do Brasileirão está proporcionando que testemunhemos como o torcedor comparece, mesmo sendo tratado mal - com Estatuto de Torcedor e tudo. (Os vândalos que se travestem de torcedores para brigar não são torcedores.)

Um brinde aos autênticos torcedores, que não merecem:

- um time cuja única jogada seja a bola alta na área, como o Palmeiras do "gênio" Muricy;

- uma direção que bagunça o time até não poder mais, como foi com Sport e Fluminense durante o ano;

- um calendário em que os jogos não param em datas FIFA, fazendo da convocação de seus ídolos um tormento paradoxal;

- jogos no calor escaldante, cansando-os e também aos atletas em campo, detonando a qualidade das partidas;

- um árbitro como Carlos Eugenio Simon, que depois de dar pênaltis fantasmas, parece ver o jogo com óculos do Mundo Bizarro, como na hora de anular o gol legítimo de Obina.

Mas os torcedores merecem:

- um Petkovic cheio de dores brincando de fazer gol olímpico diante da massa atleticana;

- um Fred ressurgindo contra a desconfiança dos próprios adeptos tricolores, e levando o time com ele;

- um Ronaldo fazendo gols em clássicos e golaços até em jogos que não valem nada.

domingo, 1 de novembro de 2009

Criogenia, tamos aí!

Petkovic virou maestro do Flamengo aos 37 anos...

Marcos fecha o gol do Palmeiras aos 36 anos...

Iarley comanda o ataque do Goiás aos 37 anos e o goleiro Harley segura a onda com seus 36...

Marcelinho Carioca aguenta um jogo inteiro no Santo André, aos 38 anos...

E agora o Botafogo quer entrar na festa da meia-idade, trazendo de volta Dodô, com 36 anos.

A longevidade dos jogadores acima tem a ver com a queda de qualidade do futebol brasileiro (no Brasil) em geral? Ou eles souberam criar um novo estilo de jogo de acordo com os novos limites?

Baresi foi líbero do Milan beirando os quarenta anos. Maldini continuou por lá até os 40. E o que dizer de Zanetti, 36 anos, titular da Inter de Milão? Até o ano passado, Nedved e seus 35 desfilavam e faziam gols na Juventus.

Bom, mas o futebol italiano também anda em viés de baixa, se comparado com o restante da Europa. Ainda assim, o fenômeno não deixa de ser um prêmio de consolação para o extrativismo contínuo dos talentos da casa brasileira.