quinta-feira, 13 de março de 2008

Que é do tricolor?

O Fluminense prossegue colocando pontos de interrogação na cabeça de seu torcedor. Após a categórica vitória contra o Arsenal na Libertadores e a goleada contra o Friburguense, empata com o Resende. Pode ser apenas um acidente de percurso, mas a pergunta que fica é: qual vai ser o Flu das semifinais? Ou da Libertadores? Foi o terceiro empate do tricolor com times pequenos (antes, os "felizardos" foram Macaé e Boavista).

Dodô e Leandro Amaral já fazem falta, principalmente em dias como ontem, quando Washington não rendeu tanto. E no primeiro gol do Resende era só dar uma pipoca e um sofá pra cada jogador do Fluminense, pois já estavam assistindo a carreira do atacante desde o campo adversário... O que se percebe é que o Flu sofre da mesma doença de quase todos os times brasileiros: a irregularidade.

A moleza de ontem para o Flamengo foi o Mesquita. Nas poucas vezes em que o time da Baixada ameaçou, foi porque o rubro-negro abusou da displicência (Joel já avisou que hoje tem bronca). Surpreendentemente, Luizinho jogou muito bem, como lateral das antigas, indo à linha de fundo e olhando antes de cruzar (aliás, é ele que vai jogar contra o Nacional). Repare no primeiro gol do Fla: Tardelli abre na direita, puxando a marcação; Luizinho passa livre, e toca para Souza, como autêntico centroavante, finalizar pro gol. Há quanto tempo o time não fazia essa básica jogada? É só botar alguém pra tabelar com os laterais.


Dois episódios ainda chamam a atenção para a falta de maturidade dos jogadores: o jogo já estava 2 x 0 e o juiz marca falta para o Mesquita perto da linha de fundo. Ronaldo Angelim se descontrola e reclama horrores. Pouco depois, levou cartão amarelo. O jogo já estava definido e o adversário flerta com o rebaixamento! Outro momento foi a áspera discussão entre Ibson e Souza após um lance em que o meio-campista chutou em vez de tocar para o atacante. Segundo relatos, foi preciso apartarem os dois pra não ficar pior. De novo: o jogo já estava definido e o adversário flerta com o rebaixamento! E ainda tem uma Libertadores pela frente...

Mas o retorno de Renato Augusto releva qualquer má notícia. Mostrou raça, habilidade e confiança. O drible em que deixou 3 marcadores "na saudade", saindo na cara do goleiro, foi sensacional. Ele também parece ter sanado uma deficiência: os chutes a gol. Todos levaram perigo. Se a experiência com 3 atacantes não deu muito certo (o fantasma do Flu da Taça GB deve apavorar o sono de Joel), com Souza e Tardelli na frente mais Renato Augusto na posição em que gosta de jogar (fazendo a ligação do meio pro ataque), dá caldo.

Ironia: depois de tantos reforços com atuações irregulares, a grande "contratação" do Fla pode ser a volta de Renato Augusto.

E vamos saudar a primeira vitória do América no campeonato carioca!!!!

quarta-feira, 12 de março de 2008

Seleção do mal e Seleção do bem

O exemplo sempre vem de cima. É a máxima máxima, não tem jeito. A Seleção Brasileira encarna esse espírito com clareza.

Faz sentido um presidente de confederação de futebol prorrogar o próprio mandato? Pois é, na CBF foi isso que aconteceu. Se o cartola-mor Ricardo Teixeira acha isso normal, muitas outras coisas serão encaradas com uma normalidade abissal.

Por exemplo: faz sentido, em ano olímpico, a CBF não se preocupar com Olimpíada? Pois o técnico da Seleção, Dunga, disse isso com todas as letras: "Olimpíada é importante, mas futebol resume-se a Copa do Mundo. Prioridade é a principal, a Copa". Ele repercute o que a direção do futebol brasileiro pensa no momento. Pra comissão técnica do Brasil, pensar assim é normal.

Já que é assim, pra que disputar a Olimpíada? É só dizer que não vai, e pronto.

Analisar futebol também é analisar os discursos e suas construções. A CBF não deu importância para a Seleção Olímpica, e não traçou nenhum planejamento a respeito. No entanto, para não ficar claríssimo à torcida brasileira essa atitude (porque Seleção é Seleção, é Brasil, o torcedor vai torcer. Se ganhar é festa, se perder é crise), agora surge o discurso de que "não é prioridade". Ou seja, existe um planejamento, o de não pensar na Olimpíada. Transformaram incompetência e desinteresse em uma atitude pensada.

Acredita quem quiser. Qual o fato? Não houve a preparação da Seleção Olímpica. Mas, no caso de haver algum vexame em Pequim, é melhor plantar um discurso ensaiado agora pra não culparem a CBF depois. Se o ouro vier, farão como fazem todos os cartolas: vão usurpar um naco do mérito dos atletas na conquista.

A Seleção feminina de futebol também sofre com esse desinteresse faz tempo, e tão somente por seu talento e pela vitrine do Pan 2007 vai ganhando espaço. E pra provar que futebol tem tudo a ver com espetáculo, dá uma olhada no jeito que a Leah bate lateral. A beleza do futebol, como o samba, agoniza com seus detratores. Mas teima em não morrer.

ATUALIZAÇÃO: acabei de ler que dois blogs linkados aqui (Ledio Carmona e PC Vasconcellos) acham correto priorizar a Copa e esquecer da Olimpíada. Ledio até acha que a torcida não dá bola para a medalha de ouro. Discordo, mas ainda assim não houve planejamento para a Seleção Olímpica. Isso é fato. A justificativa que veio depois é outra história.

Joel x Joel

O Cienciano venceu e deixou o Flamengo fora da zona de classificação para a Libertadores. Lá vai o rubro-negro para mais um trabalho hercúleo de reverter uma desvantagem que nasceu em Montevidéu. Antes, precisa enfrentar o sparring Mesquita, e para isso Joel se transfigura: vai botar 3 atacantes (Souza, Maxi e Tardelli), mais um meio-campo ofensivo (Kleberson, Ibson e Cristian).

Qual o objetivo de Joel com a mudança? É difícil acreditar que o técnico que criou um esquema com 4 volantes no meio, a fim de aproveitar os excelentes avanços dos laterais, agora resolva carregar na ofensividade. Os laterais continuarão indo à frente... Vai jogar assim na Libertadores?

A verdade é que o Natalino é malandro. Para não cair sobre ele (novamente) o rótulo de retranqueiro da vez, muda a cara do time num jogo fácil. Se der certo, méritos do treinador (nas vitórias fáceis as análises são menos críticas). Se der errado, Joel terá a prova de que não adianta botar o time todo no ataque, minha gente, é preciso voltar os volantes, vocês não viram? E aí Joel terá um pretexto pra retomar a cautela que sempre lhe foi característica. E virão os méritos pro treinador que, vejam só, não estava errado antes...

Claro que, se Joel resolver jogar assim na Libertadores, poderemos suspeitar que, de fato, o técnico resolveu mudar. "Temos um esquema vencedor desde o ano passado e que será quebrado", disse ele. Tal e qual Silvio Santos, eu só acredito... vendo.



O Palmeiras pode (ou não) chegar às semifinais do campeonato paulista; pode (ou não) ser campeão. Mas uma coisa é certa: Luxemburgo começa a acertar o time, que tem talento. Valdivia, Denilson, Diego Souza, o zagueiro revelação Henrique, o veterano goleiro Marcos. Luxa ainda conseguiu a proeza de encontrar uma posição para Leo Lima e fazê-lo jogar razoavelmente. Pra mim, o Palmeiras é favorito para o campeonato brasileiro.

terça-feira, 11 de março de 2008

Cartola na cabeça

A gestão do presidente David Fischel no Fluminense está sendo investigada pelo mau uso de uma conta interna do clube. Alberto Dualib e outros conselheiros do Corinthians foram indiciados por formação de quadrilha e desvio de verbas do Timão. A eleição para a presidência do Vasco foi anulada na justiça por apontamento de fraude, e outra será realizada fora da sede do clube, para maior segurança do pleito. Parece que resolveram esclarecer as obscuras gestões dos cartolas brasileiros...

Não dá pra ser ingênuo e pensar que vai ser uma "onda de moralidade" no futebol pátrio. Não em tempos de Timemania e Ricardo Teixeira forever. Mas é preciso deixar sob os holofotes que a Justiça e o Ministério Público (ao menos alguma parte deles) está fazendo alguma coisa. Abaixo você vê os links para as matérias sobre o assunto.

Joseph Blatter, presidente da Fifa, reclama da impunidade em casos como o de Eduardo da Silva (o agressor pegou apenas 3 jogos de suspensão). Cabe ao cartolão-mor pensar: até que ponto se reproduz dentro de campo o ambiente que existe fora dele? A certeza da falta de castigo (ou a transformação da pena em valores, como no recente caso de Luxemburgo) e a vocação decorativa dos legisladores esportivos jogam entrosadinhos com os marmanjos que não sabem nada de bola e insistem na carreira de futebolista profissional, a custo da canela alheia.

David Fischel e as contas do Flu

Dualib enrolado

Nova eleição no Vasco

segunda-feira, 10 de março de 2008

Bandeirinha Barishnikov?

Essa é nova... E engraçada.

Bandeirinha dançarino é suspenso

Dever de casa e greve do sorriso

O Fla fez o que tinha que fazer: chutou o cachorro morto Americano (pior ataque do campeonato carioca), dessa vez com um time misto. Aliás, Joel tem que caminhar nessa direção: poupar o elenco não significa botar todos os reservas. É preciso mesclar e deixar os titulares no banco, pra qualquer eventualidade. Acertou botando Maxi e Gavilán, pois os gringos precisam de ritmo de jogo pra ajudar o time a lidar com o contexto sul-americano das catimbas.

Uma observação: o jogo contra o Nacional, dia 19, ficou com contornos de decisão. O que revela uma característica do Flamengo atual, a "auto-FLAgelação". Após a ressurreição épica no Campeonato Brasileiro de 2007, o rubro-negro parece precisar de grandes dramas e superação de desafios mesmo quando não tem. Caiu num grupo fácil na Libertadores mas resolveu empatar contra o Coronel Bolognesi e perder para o Nacional sabotando a si mesmo. Se não vencer o time uruguaio no Maraca, todo o planejamento pra 2008 periga, pois o torcedor não vai se contentar apenas com mais um título carioca (se vier).

O Botafogo também fez seu homework: obrigado a usar o time misto, venceu o Volta Redonda por 3x0. A torcida fez nova música pra zoar de volta o Flamengo. Assim tá ótimo: bola no pé e irreverência na torcida. Chega de choro, pro bem do Botafogo e de quem precisa acompanhar o noticiário esportivo. Não agüentamos mais a instigação de polêmicas que são faisquinhas enquanto problemas maiores não atraem a imprensa, p. ex.: por que os ingressos permanecem caros? Por que não se levanta uma campanha diária encurralando os dirigentes? Isso é muito mais grave do que comemorações provocativas...

Mas a pior notícia foi a contusão de Dodô. O artilheiro abre um sorriso bonito sempre que faz seus belos gols. É natural: que pai não estaria orgulhoso do filho que criou e que encanta a todos em volta? O sorriso de Dodô é a garantia de nossos sorrisos estupefatos ao ver a mais recente pérola do atacante encontrada no fundo da rede. Pois ficaremos sem o sorriso (e suas causas) por, no mínimo, oito semanas. Isso é triste.


Leandro Amaral não sabia no que estava se metendo quando resolveu comprar briga jurídica com ninguém menos que Eurico Miranda. O presidente interino do Vasco, que é formado em Direito e já foi parlamentar, sabe muito dos meandros da justiça brasileira. E Leandro estava acabado pro futebol quando o time da Colina o resgatou. Agora, Eurico é motivado também pela bílis da traição, e já conseguiu as primeiras vitórias. A Leandro, resta a humilhação de ter que negociar com o Vasco (ou pior: voltar a jogar lá, depois de tudo) ou uma possível ida para o Botafogo, isto é, estaria fora da Libertadores. Pena, porque é um jogador talentoso.

A Fifa quer suspender o agressor enquanto o agredido ficar no estaleiro? Ótimo. Só que a mesma Fifa já tinha orientado os juízes a "vermelhar" qualquer carrinho, mesmo sem o cartão amarelo. Não pegou. A parte técnica sempre corre o risco de ser avaliada subjetivamente, mas a parte disciplinar não pode "não pegar". Se a falta apresentou risco para o jogador, precisa ser coibida com os cartões, e não só quando a trava chega no osso. Os juízes e os botinudos já se esqueceram disso faz tempo. O que já causa prejuízos pro espetáculo: Cristiano Ronaldo pensa em parar de driblar, por medo. Pode um negócio desses??

sexta-feira, 7 de março de 2008

Faz-me rir

A gente tem que celebrar a criatividade brasileira. No caso, temperada com o ardor vingativo da torcida botafoguense...


Certas coisas só no futebol mesmo. Foi a primeira vez que eu vi um gandula ser decisivo para a partida ao ser esculhambado por um jogador...

quinta-feira, 6 de março de 2008

Nasce outro blog (apesar do dia ruim)

É estranho um rubro-negro resolver criar um blog sobre futebol após uma derrota do Flamengo. Mas assim surgiu a vontade, não posso discutir com a inspiração. Pois blogarei por aqui minhas humildes opiniões sobre esse esporte que mexe comigo e com tanta gente no mundo. E não escondo o jogo: meu time estará bastante presente nas futuras análises.

Falando sobre o triste presente, foi terrível a derrota do Fla para o Nacional do Uruguai, por 3 x 0. Mas por que foi tão terrível?

Primeiro: o Nacional é um time muito ruinzinho, com um Jardel uruguaio na frente - a diferença é que Morales não sabe cabecear como o ex-atacante gremista, então imaginem... Eles erram passes demais, o mesmo quanto aos chutes. O jogo estava equilibrado, mesmo quando o Fla levou o primeiro gol: foram duas finalizações perigosas pro campeão da Taça Guanabara, contra três do time uruguaio.

Ibson mais uma vez provou ser o termômetro do time: muito nervoso, levou cartão amarelo por reclamação, e a intranqüilidade começou a contagiar os companheiros. Daí veio a expulsão de Toró, o que demonstrou como a falta de experiência internacional prejudica um jogador. O apoiador de 21 anos foi mandado embora por empurrar o gandula! O capitão Fábio Luciano chutou a cara de um adversário no chão, mas o juiz não viu. Num jogo que estava tranqüilo, o Fla jogando razoavelmente e podendo virar no segundo tempo.

Então veio o segundo tempo, e logo no começo Leo Moura também é expulso! Um dos melhores e mais regulares jogadores, com uma Libertadores nas costas, bota o pé nas costelas do uruguaio e... rua. Aí destrambelhou de vez. O Fla levou mais dois gols e um sufoco graças ao nervosismo.

O que mais me preocupa é que o elenco do Flamengo não parece ter cabeça pra suportar a pressão de uma Libertadores. Num jogo de primeira fase, que não complicaria a situação do time no grupo, são duas expulsões e um temperamento de jogadores juvenis. E se passar pra próxima fase e pegar o Boca Juniors na Bombonera?

A viagem de volta será bem mais longa, os lances desastrosos passarão pela cabeça dos atletas um milhão de vezes. Mas é preciso juntar os cacos com maturidade: não se pode desesperar com tão pouco numa partida, e sem serenidade o talento não flui.

Outras preocupações: quando o técnico Joel Santana vai escalar alguns jogadores para treinar cobrança de faltas? Nunca ouvi falar de um time campeão que não sabe fazer gols assim. E o Kléberson, que sabe jogar, tem apagões alternados: joga bem no domingo, desaparece na quinta.

E nem adianta reclamar do juiz ou do bandeirinha (que marcou uns três impedimentos errados do Fla), porque em 1981 Zico e cia. enfrentaram os açougueiros do Cobreloa e ganharam na bola, sem chiar e sem cair na pilha errada dos catimbeiros. Assim deve agir o Fla de hoje.

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O Fluminense mandou bem: venceu o campeão argentino Arsenal com um retumbante 6 x 0, o time todo jogando bem. Mas Dodô colaborou com os dirigentes: sua atuação valeu o caro ingresso que o torcedor carioca é obrigado a pagar. Participou de quatro gols e fez dois golaços (o segundo, lembrando Zidane na final da Liga dos Campeões). Aliás, quando foi a última vez que Dodô fez um gol feio, ou simplesmente normal? Ele e Robinho são dois jogadores que me fazem querer assistir a qualquer jogo em que atuem, pois já criaram o hábito de zelar pela estética com resultado que sempre caracterizou o bom futebol.


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Existiu um imperador chamado Adriano. É por isso que o apelido do jogador do São Paulo é esse, no afã do marketing. Nada do que ele já fez no futebol (ou fora dele) justifica tão pomposa e imponente alcunha. Então, Adriano, faça um favor a todos nós: cale a boca e faça gols, aproveitando a força física que você tem. Ronaldo construiu a carreira assim (só tome cuidado para não romper os tendões por excesso de massa muscular). O São Paulo só precisa do que aconteceu ontem: que você seja decisivo com o que sabe fazer. No caso, dois gols pra virar o jogo. E a gente precisa de menos besteiras pra encher as páginas de jornais.