segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O fator Muricy

Muricy faz parte da geração de técnicos vitoriosos na era do Brasileirão de pontos corridos. Também é da turma dos mal-educados em entrevistas coletivas e dos que garantem o futebol de resultados sem se preocupar com beleza e leveza em campo. Não se pode negar que, ao chegar num grupo formado e com potencial para ser campeão, vai pesar sua experiência em levantar a taça nesse tipo de campeonato.

Até porque o Palmeiras já joga com o jeitão de Muricy, como se viu no sábado. Muito esforço e pegada, menos jogadas de efeito. Preferia o Verdão da época do interino Jorginho, mas a segurança de que a qualquer momento o time vai decidir a partida a seu favor só veio com o ex-são-paulino. 50 pontos faltando 12 jogos? Vão precisar conter a euforia.

Bom é ver o Goiás assumindo a vice-liderança. Um time fora do eixo Rio-SP que, até por isso mesmo, não possui uma cobertura da imprensa esportiva em nível nacional. Assim, não dá pra acompanharmos os bons jogadores que vão se formando por lá durante o ano. A boa estrutura do clube também não aprece na mídia. Logo, o Goiás aparece como um "intruso", e a história não é bem assim.

ATUALIZAÇÃO EM 29/09: o goleiro Harlei confirma a informação sobre a estrutura do clube.

Depois do clássico paulista, mais um chororô contra a arbitragem, dessa vez do lado corintiano. O presidente Andre Sanchez mesmo admitiu que já foi prejudicado e favorecido outras vezes, mas que "dessa vez foi demais". Estou de saco cheio desses papos. Ou a cartolagem faz pressão na CBF e na Comissão de Arbitragem para que os homens do apito sejam melhor preparados ou vai ser uma eterna reclamação.

Pena que a chuva acabou com Internacional x Flamengo, que tinha tudo pra ser um dos melhores jogos da rodada. Fico pensando se não seria o caso de adiar a partida quando isso acontece, pois o que se viu no Beira-Rio não foi futebol, e nem tinha condições de ser.

O Fluminense venceu a primeira, mas não me engana. Trago pro ar a tese que um grande amigo levantou ontem: será que Cuca já foi contratado tendo a Série B em vista? Não há pressão sobre o técnico, que se daria muito bem nesse tipo de disputa.

O Botafogo perdeu em casa e Jônatas foi afastado do elenco por indisciplina. Quando o filme mudar, me avisem.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Quase lá

Fora meus protestos de sempre quanto à convocação do inexpressivo Josué, acho que a Seleção Brasileira que vai enfrentar Bolívia e Venezuela está com um bom elenco, na medida do possível. Queria falar especificamente de dois jogadores, onde a justiça da convocação está e não está sendo feita.


Alex, ex-Internacional e hoje no Spartak Moscou, é um dos poucos camisas 10 clássicos, daqueles que armam e chegam na frente pra conferir quando preciso, sempre chamando a responsabilidade pra resolver a partida quando ninguém ainda o fez. Merece estar no grupo faz tempo, talvez seja o reserva ideal de Kaká (Diego, da Juventus, corre por fora).


Já Diego Souza tem talento, mas nenhuma cabeça. É protagonista de vários lances destemperados que causaram brigas em campo e expulsões ridículas. Deveria estar suspenso pela rasteira em Domingos (o cara voltou a campo pra brigar, depois de ter levado o vermelho!). E agora ganha de presente sua segunda convocação pra Seleção. A mensagem da impunidade adentra os gramados e ganha a chancela de Dunga.

Fora isso, o grupo parece estar se fechando. A lateral-esquerda, a meu ver, é a única posição em aberto. O resto é definir os reservas.

A lenda do "um a menos"


O Palmeiras virou contra o Cruzeiro fora de casa, com raça e vontade de ser campeão. A cobrança de falta de Diego Souza foi incrível, e Cleiton Xavier deu mais uma assistência açucarada para um gol decisivo do Verdão.

Há de se ressaltar que o péssimo juiz deixou de dar um pênalti a favor do Cruzeiro. Se aquele "rapa" não é falta, é melhor tirar o árbitro de cena e deixar os próprios jogadores decidirem, como se faz nas melhores peladas.

Mas o jogo também voltou a demonstrar que o time que tem um a menos após uma expulsão não necessariamente está em desvantagem. Aconteceu na Inglaterra, no jogo do Manchester United, e com o Vasco no sábado - quase o Guarani empata. E vai continuar acontecendo enquanto os técnicos não ensinarem seus atletas a se posicionarem taticamente diante da situação.

Os times treinam sempre 11 contra 11, e quando o adversário está com menos um, ocupando então menos espaço no campo, o outro time continua jogando como se não tivesse acontecido nada. Os técnicos não percebem o que mudou e aí fica fácil para a equipe punida. Fico impressionado, pois o exemplo se repete mundo afora.

O Botafogo só venceu o Emelec porque o time equatoriano não estava a fim de jogo. Perdendo de 0 x 2, o goleiro deles fazia cera! Pelo que vi ontem, já começo a ter minhas dúvidas se o time escapa do rebaixamento. Os erros eram infantis...

O Internacional empatando em casa, depois de começar perdendo... A cabeça de Tite vai ferver para o jogo contra um Flamengo embalado no domingo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O que que há, velhinho?

O domingo foi deles, os craques da meia-idade. Petkovic e Iarley, cada um com 37 anos e ainda muita bola pra jogar, reinaram nos jogos de Flamengo e Goiás, respectivamente. Não são apenas lampejos, eles têm feito uma sequência de atuações pra ficar na memória do torcedor.

Pet encarnou o déjà vu coletivo contra o Coritiba: cobrou uma falta magistral e ainda fez lançamentos e passes precisos com a assinatura de Zico, como há muito não se via nos jogos do Fla. Ele e Adriano botam medo nas defesas, e a experiência de ambos está dando o tom da ascensão rubro-negra. Embora ache difícil vencer o Internacional no Beira-Rio, o time da Gávea parece, agora sim, ter decolado.

Achei uma injustiça quando Iarley foi dispensado do Colorado após o título mundial de 2006. Mas o meia se encontrou no Goiás e ontem comandou uma goleada histórica no Corinthians, que festejava a volta de Ronaldo. A equipe de Hélio sexo dos Anjos jogou com autoridade pra não deixar dúvida que vai brigar pelo G-4 até o fim.

Tropeços e destruições

O alto da tabela foi marcado por tropeços que, a princípio, beneficiaram o lídeer Palmeiras. Digo a princípio porque quem garante que o Verdão não vai seguir a moda na quarta-feira? O São Paulo vacilou diante do frágil Santo André - e ainda foi ajudado pelo juiz, que não marcou um pênalti escandaloso cometido por Miranda.

O Internacional não fez tão feio, pois perdeu do Vitória no Barradão, um resultado nada anormal. Ainda assim, era uma rodada boa pra garantir 3 pontos - até porque o Colorado tem um elenco melhor que o rubro-negro baiano. Mas cada jogo é um jogo, e ontem era o dia da redundância, isto é, do Vitória vencer.

O Grêmio, sem amor algum no coração, arrebentou com o Fluminense no Olímpico. A formação do tricolor gaúcho, liberando Souza, Tcheco, Herrera e Jonas foi fundamental pra confundir a marcação.

Mas... que marcação? O que se vê nos jogos do Flu é um bando em campo: alguns sem saber o que fazer, outros sem motivação até pra correr. Só Conca e o limitado Kieza parecem interessados em produzir alguma coisa. Ruy é a encarnação da incompetência. Só volto a comentar sobre o Fluminense se o quadro mudar - o que não acontece há várias rodadas...

(Foto: Jorge William/O Globo)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ele vem chegando...

BUUUU!
Quem não sabe brincar (ou não sabe a hora de brincar)... tem que aturar o São Paulo no cangote. Palmeiras e Internacional resolveram fazer suas estripulias e agora sofrem a pressão do time expert em pontos corridos. A constância tricolor, agora jogando mais solto e com a bola no chão, não é de hoje e será de amanhã, podem apostar.

Como um goleiraço experiente como Marcos consegue fazer lambanças dignas de um atleta mirim? Não foi a única, e outra vez num jogo que pode ser decisivo. Não espero perfeição de nenhum jogador, mas o lance do primeiro gol do Vitória beira a displicência - que já tinha acontecido no primeiro turno, contra o Barueri. E não adianta dizer que o time estava desfalcado. O elenco do Verdão é suficiente para passar pelo rubro-negro baiano.

Não sei quem saiu mais surpreendido: o time do Inter ou a torcida do Cruzeiro. Vencer o Colorado no Beira-Rio, sem baixar a cabeça, com gols do incógnito Gilberto, é pra ser comemorado. Guiñazu voltou a mostrar suas garras, dessa vez prejudicando o time ao cometer um pênalti desnecessário. Se sabe jogar bola, pra que apelar pra violência? A gauchada deve adorar, não tenho dúvida. Mas jogar pra torcida nem sempre é a melhor solução.

O Atlético-MG vence o primeiro round contra o Goiás. Ganhou em casa, enquanto o então ocupante do G-4 perdeu para o Barueri! Diego Tardelli e seu sonho dourado da África do Sul ainda vão ajudar muito o Galo.

O mesmo para Adriano, que fez o golaço do fim de semana. Petkovic vai calando a boca de Kleber Leite e cia., tornando-se o camisa 10 de fato do Flamengo. O time mostrou ótima ofensividade e disposição contra o desfalcado e combalido Sport, que ainda teve um expulso. Mas daí a dizer que o time lembrou o da geração Zico... Depois é o Maradona que dá água batizada pros outros.

Agora não adianta dizer, mas eu tinha um grande pressentimento que Botafogo x Fluminense terminaria num 0 x 0 de dar dó. Ambos os times se esqueceram do que é vencer e até mesmo de fazer gols, protagonizando um show de caneladas. Parece que a pipa do clássico-vovô não sobe mais...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O bonito e o feio

Os reservas da Seleção Brasileira ficaram gratos pela leva de cartões amarelos que suspendeu vários titulares para o jogo de ontem. Mas o agradecimento maior deve ser de Nilmar à condição física de Robinho. Com o corte do atacante do Manchester City, o versátil ex-Internacional mostrou para Dunga que é indispensável no grupo da Copa.

Bonito!

Nilmar apresentou atributos que agradam ao técnico, à torcida e aos demais jogadores. Ele não desiste de nenhuma bola - foi assim que fez o primeiro gol (poderia ter ficado na expectativa de Adriano conferir) e roubou a bola que originou o segundo. Tal disposição, colaborando na marcação, fazem Dunga sorrir.

Quando o infeliz Felipe Melo foi expulso (falaremos mais adiante) e a Seleção ficou desconcertada, Nilmar voltou para fazer o trabalho do quarto homem do meio-campo, distribuindo bolas e tabelando. Seu raciocínio é sempre rápido, com toques de primeira ao chegar a marcação, fazendo também ótimo trabalho de pivô. O time agradece, pois o jogador consegue se desdobrar em todas essas funções.

E como se não bastasse, Nilmar faz gols. Com oportunismo, atitude, habilidade e jogando verticalmente, sem os irritantes toquinhos pro lado. A torcida vai à loucura, sabendo que existe alguém cuja presença em campo é garantia de espetáculo.

Nilmar é jóia rara: seu futebol é bonito e de resultados. Tem que ir à África do Sul.


Coisa feia...

Outro espetáculo, esse de baixíssima qualidade, foi produzido por Felipe Melo. Promovido a titular em tempo recorde, parece ter entendido bem o que Dunga quer do camisa 5 da Seleção. Mas vestiu uma máscara incrível no jogo de ontem. Aquele toquinho de calcanhar no meio-campo, causando um contra-ataque chileno, resume bem o que estou falando.

Só que ainda tinha mais: chegou completamente atrasado no lance do pênalti e no segundo tempo deu uma entrada criminosa no adversário, no que foi bem expulso. Pra completar o circo dos horrores, ao sair de campo grunhiu: "Futebol é coisa pra homem". Se pensa assim, por que enterrou a trava das chuteiras na genitália do chileno? Não deixa de ser irônico.

Outro que adora uma máscara é André Santos. Sua vez na Seleção só chegou por que os laterais convocados antes não emplacaram. Está jogando bem, é verdade. Mas poderia ter sido expulso ao abrir os braços na disputa de bola com outro chileno, dando uma cotovelada que o juiz deixou passar. A impressão é que, agora que sua vaga está quase garantida, não precisa se empenhar tanto em campo - e é só olhar Daniel Alves, Kaká, Lúcio pra ver que não é assim que a banda toca.

Felipe Melo e André Santos podem até ter futebol para estar na seleção de Dunga. Mas irem para a Copa como dois barris de pólvora pode trazer prejuízos consideráveis.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Palmeiras, Internacional ou São Paulo


Se nesses sete anos de Campeonato Brasileiro por pontos corridos uma lição pode ser tirada é: os times que conseguem alguma regularidade chegam na frente. Essa regularidade não precisa acontecer desde o começo, e até pode passar por "apagões" no meio da competição. Mas uma vez retomada, é difícil segurar.

É por essa constatação que aponto os três times do título deste post como favoritos ao título. E se não vencerem, com certeza estarão na Libertadores. Só mesmo o quarto colocado fica em aberto, devido ao equilíbrio dos demais elencos e suas posturas.

A fase turbulenta do Palmeiras foi logo no início, pós-Libertadores e ainda com Luxemburgo. Porém não foi um desastre, esteve sempre da metade da tabela pra cima. Com o técnico interino, muitas vitórias. Obina chegou e voltou a ser artilheiro. Manteve todo o elenco (com exceção de Keirrison) e ainda trouxe Vágner Love, motivado para tentar ir à Copa. Tem tudo pra conseguir o caneco.

O Internacional era sim, o melhor time do Brasil no primeiro semestre. Não por ter craques galáticos, mas por ter se acertado antes de todos os outros. A torcida, o técnico e os jogadores já sabiam como atuar, tanto que o time reserva pontuou muito bem nas primeiras rodadas. Com a perda da Copa do Brasil, veio um desânimo e o tal "apagão". Mas Tite foi mantido e a maioria do elenco, também. E aí está o Colorado novamente vencendo e convencendo.

O São Paulo arrancou do Flamengo a lenda-fantasma do "se deixar chegar...". A ponto de nenhum comentarista esportivo se arriscar a descartar o tricolor da disputa, mesmo quando estava por baixo. Ricardo Gomes surpreendeu tanto quanto Obina, e os jogadores se sentiram à vontade: não havia mais as aporrinhações com Muricy e encarnaram a mística que acompanha o clube há três anos.

E o Brasileirão deve se decidir por aí, agora que a janela fechou. Goiás e Atlético-MG ainda precisam provar para eles mesmos que têm direito ao G-4. Quem perder a regularidade fica pra trás.

O meio da tabela continua caracterizado por um misto de esperança e preocupação: se poucos pontos separam os times do G-4, o mesmo vale para a zona do rebaixamento. E assim como a donzela na varanda aguardando seu amado, as torcidas desses times esperam pela salvadora decolagem de vitórias - e recorrentemente prometida por dirigentes, técnicos e jogadores rodada após rodada.

Quanto aos futuros habitantes da Série B: o Fluminense já está lá, há algum tempo. Só falta enterrar. Moral em baixa, caos administrativo, panelinhas e agora... Cuca, aquela injeção (letal) de ânimo. As outras vagas para descer possuem muitos candidatos. Alguns deles, talvez nem tenham se dado conta de que o risco existe...

PS: Escrevi esse texto antes de ler a matéria do Globoesporte.com, ok?

domingo, 6 de setembro de 2009

Dois pés na África do Sul


Por mais que seja Brasil x Argentina, por mais que seja futebol, não se pode dizer que o resultado de ontem foi imprevisível. A Seleção de Dunga, cada vez mais especialista em contra-ataque, venceu a Seleção de Maradona, desajustada como há muito não se via nos hermanos.

A impressão que se tem é que, se Maradona tivesse assumido o cargo de treinador na mesma época que Dunga, já teria passado pela "fase inferno" que o caracteriza agora, e teria tempo para se recuperar para a Copa. Afinal, ambos não tinham experiência e sempre tiveram ótimo material humano nas mãos.

Esse acerto do time ficou claro no jogo em Rosario. O Brasil não se apavorou com a pressão inicial da Argentina e o clima de "caldeirão". Tal postura é característica de um time entrosado e que sabe como se portar taticamente. Já Messi e cia., em situação desesperadora na tabela, faziam as tabelinhas e os dribles que estão no seu estilo de jogo, mas não se pode dizer que assustaram.

O problema do Brasil, pra variar, é no meio-campo. Gilberto Silva e Felipe Melo não marcavam bem. E se não faziam isso, o que mais podem fazer? O volante da Juventus ainda arrisca umas arrancadas aqui e ali, mas seria perigoso tentar isso ontem. Elano, lento como sempre, só contribui quando bate as faltas na cabeça dos jogadores de área - é muito pouco para estar na Seleção. Kaká, então, era o homem-solo: tentava criar e apanhava muito, sempre sozinho.

Verón e Zanetti podem ter qualidade de sobra (e têm) mas a competitividade física não pode ser descartada - ao menos na seleção nacional. Em seus respectivos times jogam sob esquemas que compensam os problemas da idade. Mas não é o caso da Argentina de hoje, que tem uma defesa toda ruim e completamente desprotegida.

O que traz problemas para o ataque: por melhor que sejam, Messi, Tevez, Agüero e Milito ficam com uma responsabilidade em dobro se não conseguirem os gols. E tal nervosismo era visível em vários momentos da partida.

E o que foi a jogada do terceiro gol do Brasil? Kaká, à la Zico, esperou o momento exato para dar um lindo passe para Luís Fabiano, que só tinha uma opção e a executou: um clássico toquezinho de cobertura. Do autêntico camisa 10 para o autêntico camisa 9.

Aliás, dá gosto ver Luís Fabiano sossegando lobbies de outros centroavantes para o seu lugar. É o artilheiro das Eliminatórias e não passa um jogo sem deixar o seu. Já Robinho parece hibernar faz tempo. Acorda a tempo da Copa?

E se alguma vantagem há para a Seleção Brasileira atual, é a versatilidade de seu elenco. Daniel Alves e Ramires podem jogar na defesa, no meio e no ataque, fazendo gols até. Eu colocaria o ex-cruzeirense de início, já que o time joga no contra-ataque (o que é preciso rapidez pra pensar e correr, tudo o que Elano não tem).

Por mais que exista a rivalidade, não gostaria de ver a Argentina fora da Copa, pelo bem do bom futebol. Mas os dirigentes de lá podem pagar muito caro por jogar a responsabilidade nas mãos de Maradona tão em cima da hora. E o risco é duplo: de perder a vaga e de arranhar a imagem do mito.

Estou curioso pra ver como o Brasil se porta sem Kaká. Não acredito que Julio Baptista seja o reserva ideal, embora sempre mostre espírito de Seleção e de "deixa que eu resolvo". Diego já começou a fazer chover na Itália, e seria muito bom se acertasse de vez se for convocado.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Metade já foi


Finda o primeiro turno do Brasileirão 2009. Para mim, os destaques dessa fase do campeonato são as arrancadas improváveis que vários times deram, desafiando a lógica.

O Avaí é o maior exemplo: esmerava-se em empatar, passou um bom tempo em último e, de repente, é o sexto. Sem mudar técnico ou elenco. Não dá pra entender! Mas dá pra parabenizar. O Atlético-PR é outro que resolveu vencer sem explicar como.

O Goiás é outro que merece elogios, pois tem um time super equilibrado, e contratou "temperos" certos: Léo Lima voltou a ser o jogador cerebral que prometia; e Fernandão, pela experiência em títulos, vai somar muito a esse grupo.

O São Paulo, enquanto mantiver a mesma base que disputou os últimos campeonatos, terá jogadores conscientes de que os pontos corridos tem altos e baixos. E que uma arrancada dá a moral necessária para colocá-los de volta ao páreo. Ter contratado Ricardo Gomes como técnico só ajudou, pois é outro que está acostumado com esse tipo de disputa.

O Internacional, que foi incensado como o melhor time do país - hoje penso se dá pra existir tal classificação no futebol brasileiro - teve seus dias de baixa. Mas nunca descartei como candidato ao título, ainda mais mantendo o técnico Tite contra a irracionalidade da torcida. É o meu palpite para o campeão de 2009.

O Palmeiras, do jeito que andava com Luxemburgo e após a saída da Libertadores, pode ser considerado uma surpresa. Jogadores que flertavam com a irregularidade tornaram-se indispensáveis para qualquer partida: é o caso de Cleiton Xavier, Diego Souza, Pierre. Sem contar o incrível Obina renascido. Mas não vejo esse time campeão.

O Cruzeiro resolveu repetir o Fluminense de 2008: minimizou o Brasileirão, perdeu a final da Libertadores em casa, despencou na tabela e ainda se desfez de jogadores importantes. Uma decepção não só pra sua torcida, como para todos que apostavam que a Raposa ia disputar o título - era o meu segundo palpite.

O mesmo para o Corinthians, embora eu não achasse que fosse um futebol vistoso como muitos afirmavam. Era uma eficiência à la São Paulo, mas com a cara de Mano Menezes e seus "quase-jogadores" que rendem bastante. Só que a necessidade de vender jogadores bateu à porta, mas a Fiel não pode reclamar do ano de 2009: Ronaldo recuperado, Paulistão invicto e Copa do Brasil, assegurando vaga na Libertadores do ano do centenário.

O resto, é armazém de secos e molhados. Os times do Rio não empolgam: o Flamengo manteve o elenco e trouxe Adriano, mas não emplaca; o Botafogo, com sua (correta) política de não gastar mais do que arrecada, se vira como pode pra não ser rebaixado; e o Fluminense, sem comando nenhum desde o ano passado, vai colhendo os devidos frutos.

Santo André, Atlético-MG e Vitória começam a curva decrscente - previsível, diga-se de passagem. Com o fim da janela de transferências e o começo da Copa Sul-Americana, veremos outro brasileirão nesse segundo semestre.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Quem dá mais pelo Goiás?

Depois do Atlético-MG e seu elenco desconhecido, chegou a vez do Goiás ser a estrela da festa do Brasileirão. São 6 vitórias seguidas - 18 pontos - num time que conta com a experiência da "dupla sertaneja" Harley e Iarley comandando um time de garotos bons de bola.

Ontem contra o Flamengo, deu pra ver que duas características são marcantes para o sucesso goiano: um bom toque de bola e uma recomposição rápida da defesa. O que não dá pra acreditar é que Hélio dos Anjos seja o técnico de um time que joga assim. Léo Lima está onde pediu a Deus: todos correm por ele, que só precisa dar cotoveladas e acertar bons chutes e passes.

Quanto ao rubro-negro, Petkovic tem que entrar em campo mesmo de muletas - é o único que cria alguma coisa no meio-campo. E Denis Marques só pode entrar no segundo tempo, pois a falta de ritmo de jogo está gritante.

Corinthians e Cruzeiro vão descendo a ladeira: perderam para dois candidatos ao rebaixamento. O Timão ainda levará um tempo para se adaptar novamente - será que a torcida aguenta ou mais cadeiras vão voar?

A Raposa parece perdida. Adianta demitir Adilson Batista agora? É melhor deixar porque, em algum momento, o bom time de Minas voltará a vencer. Se precisar se adaptar a um novo treinador a essa altura, pode ser perigoso...

O São Paulo já está em quinto. É incrível. E folgo em ver o Avaí dando um nó nos prognósticos: de último para o 6º lugar, sem lógica nenhuma e mantendo o técnico Silas. Essa moda tem que pegar.

(Foto: Cristiano Borges/Agência O Globo)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Vaiando e andando

(Na foto, Leo Moura e a torcida do Flamengo)

A repercussão das vaias a Leo Moura, e de seus xingamentos à torcida na hora do gol de empate do Flamengo tomaram uma proporção que eu, sinceramente, não imaginava. Achei que ia ficar aquela "dor de corno" entre o jogador e alguma torcida organizada, e só. Mas levantou o debate sobre o direito do torcedor vaiar e do jogador, de não aceitar a vaia.

Em primeiro lugar, é preciso que se diga: com exceção de atos violentos, o torcedor que paga ingresso e vai ao estádio tem o direito de fazer o que quiser, quando quiser. Veja bem: estamos falando do direito, do que lhe é permitido fazer e que ele não pode ser cerceado em sua liberdade.

Seja qual for o nível de maturidade do torcedor, se ele quiser vaiar, aplaudir, xingar ou gritar, ele pode. Se eu ou você discordamos de como ele usa esse direito, é outra discussão, que não vou ignorar neste artigo.

Em segundo lugar, fico impressionado em como o futebol é palco de uma catarse hipócrita, principalmente por parte da crítica esportiva. Não vou aprovar que Leo Moura, sabendo que está sendo televisionado para todo o país, em close, diga com todas letras os impropérios que vimos. Mas atire a primeira pedra quem nunca falou um palavrão durante uma pelada, principalmente pra desabafar enquanto é "pilhado" durante cada toque na bola.

Mas os que transmitem e analisam o esporte (alguns) encaram os jogadores como se eles fossem uma máquina, ou um santo. Não pode falar palavrão, não pode discordar do juiz, não pode tirar a camisa (dona Fifa não gosta), não pode ser enérgico demais, não pode brincar... Coitado de Garrincha, fanfarrão dentro e fora de campo, que foi expulso (numa semifinal de Copa do Mundo!) por ter chutado a bunda de um marcador que lhe desceu o cacete o jogo inteiro.

Vamos analisar a atitude de Leo Moura - e tantos outros lances do futebol - sem um moralismo plantonista que tira a graça da vida, ok?

Posto isso, vem a questão: é certo que um torcedor vá ao estádio predisposto a vaiar? Ou que vaie o time, ou determinados jogadores, durante o jogo, em vez de fazê-lo após o apito final? É lícito que o jogador julgue que o torcedor que vaia não é torcedor de fato? Ou simplesmente se recusar a ser vaiado?

Eu, se vou a um jogo do Flamengo, não vaio o time, por pior que ele esteja. Solto um palavrão ou uma interjeição de desgosto, desisto de incentivar ou fico quieto. Na minha opinião, se você se dá ao trabalho de ir ao estádio, tem que estar pronto pra tudo e saber que vaiar um time que está ruim não ajuda em nada a melhorar.

O jogador, por sua vez, tem que estar ciente que nem sempre será incensado. E a escassez de craques em território brasileiro é tão gritante que qualquer "marromeno" já se acha inquestionável. Se jogar bem, será aplaudido e reconhecido. Se não jogar, será vaiado e hostilizado. Sempre foi assim, mesmo nos tempos áureos do futebol.

Mas o caso de Leo Moura é emblemático. Os que acompanham esse blog sabem que tenho criticado o lateral há tempos. Desde o início do ano era nítido para quem acompanhava os jogos do Fla que o atleta abdicava do jogo, se escondia, ficava dando toques para os lados e não se expondo como os demais companheiros.

Porém, desde a queda de Cuca, Leo Moura voltou a correr, a marcar, a ir à linha de fundo, a cruzar, a fazer gols com vontade - e Andrade não mudou o esquema do time. Ora, essa mudança toda a torcida do Flamengo percebeu. E fica no ar a suspeita que, antes, Leo Moura não se entregava porque não queria. E o torcedor não vai perdoar tão cedo um jogador que deliberadamente põe em risco o desempenho do time por qualquer motivo.

É nesse contexto que, a partir da primeira jogada errada que praticou, a torcida tenha começado a vaiar. Ela está na bronca com o jogador. E ao xingar diretamente os torcedores no estádio após o gol, Leo Moura jogou gasolina em fogueira acesa. Agora aguente a repercussão.

O lateral precisa se dar conta que, a cada gol ou bela partida que fizer, as vaias vão diminuindo. Que mesmo os críticos mais ácidos vão ter que "botar o galho dentro" e dizer, em voz baixa, ao companheiro de bar: "O filho da p... joga...". E aceitar que ele é importante para o time. Juan age exatamente assim, tanto que dá última vez que foi vaiado fez gol e simplesmente ficou quieto. Não deixou de ser um protesto.

Outro contexto que paira sobre a questão é que boa parte do elenco do Fla parece desgastado com a torcida e estagnado na carreira, o que afeta sua motivação. Bruno, Leo Moura, Ronaldo Angelim e Juan são os principais. Obina era outro, mas foi só mudar de ares e vejam só. Jogar junto 4 anos e ganhar, no máximo, uma Copa do Brasil - e colecionar vexames - é desanimador pra qualquer atleta.

domingo, 2 de agosto de 2009

Pela gordura!

Não, não estou falando de Ronaldo Fenômeno. Estamos praticamente na metade do Brasileirão e alguns times parecem ter se dado conta que este é o momento de acumular o máximo de pontos possível.

Isso porque a janela de transferências está a todo o vapor, com contratações súbitas, e também pelo fato da Copa Sul-Americana (onde metade dos times do campeonato vai voltar a se dividir em duas competições) só começar em setembro.

O Palmeiras está assanhado pra disparar na liderança, mas o Atlético-MG não deixou. O Goiás conseguiu a quinta vitória seguida e São Paulo e Grêmio sobem o elevador. A irregularidade ainda não larga Flamengo, Corinthians e Cruzeiro. Em todos os casos, pontos preciosos - ganhos ou perdidos, de acordo com o clube.

Destaco nessa rodada a boa vitória do São Paulo, derrubando a invencibilidade do Vitória dentro de casa. Dagoberto engrena e o fantasma tricolor volta a atormentar os adversários: será que a história vai se repetir? É a "lenda" que joga a favor do time do Morumbi.

O Botafogo jogava bem e empatava. Agora, jogou mal e ganhou do Barueri no finalzinho. André Lima vai aos poucos voltando à forma de homem-gol - é ótimo para a equipe ter uma referência no ataque. Se Jônatas acertar mais passes precisos, melhor ainda.

O Flamengo jogou mal contra o Náutico. Na verdade, marcou mal, e tomou um gol que tirou a tranquilidade do time. É impressionante como jogar em casa tem se tornado um tormento para o rubro-negro, ao contrário de outros tempos: a torcida anda sem paciência alguma. A reação de Leo Moura é o retrato dessa relação conturbada.

Faz-me rir!

Taí mais um episódio que prova como a paixão futebolística do torcedor fala mais alto, e muitas vezes beira a irracionalidade. Agora que o Corinthians perdeu meio time na janela de transferências é que o presidente Lula resolve chiar, inclusive ameaçando intervir.

Demorou, hein, presidente? Como se isso estivesse acontecendo só agora no futebol brasileiro. Como se há tempos o Ministério do Esporte não fosse tão omisso quanto ao papel governamental na questão. Agora que o seu Timão se prejudicou é que o senhor acha um absurdo, presidente?

Daqui a pouco a conta da Copa do Mundo cai toda no seu colo e você vai reclamar de novo, presidente. E o senhor foi eleito pra reclamar, presidente? Achei que fosse pra chefiar, tomar decisões, ter um staff de ministros que desse conta do recado.

Ah, presidente, fico muito feliz com seu desespero diante do desmanche corintiano. Se o senhor estiver falando sério mesmo e resolver intervir de alguma forma, ponto pro futebol e pra torcida, que poderá ver seus craques por mais tempo aqui no Brasil. E se o senhor estiver lançando mais uma bravata, será ótimo vê-lo fazendo pirracinha depois de não ter coragem pra mexer na caixa-preta do esporte nacional.

A declaração é ainda mais infeliz, presidente, porque até então o senhor sabia usar muito bem o imaginário do futebol para se comunicar com o povo. Por meio das metáforas ou da sincera demonstração de que gosta mesmo do assunto, e acompanha o seu time do coração. Com essa chiadeira, parece até que não conhece nada de futebol, alienado do contexto que ocorre desde o primeiro Brasileirão por pontos corridos, em 2003. Papelão, presidente.

Portanto, presidente, azar o seu se vários jogadores do Corinthians foram embora. O meu Flamengo, por enquanto, está mantendo o time e não tenho do que reclamar. Ou nos preocupamos com a questão com a motivação certa - o tal do espírito público - ou o senhor fique quietinho e aguente os demais times ultrapassando o Curíntia na tabela.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Thriller!


Os mortos-vivos do Campeonato Brasileiro ressurgem a cada rodada. O que dizer de Avaí, Flamengo, São Paulo e Cruzeiro, que resolveram animar suas torcidas? Bom, essa é a graça do equilíbrio (por baixo) do futebol nacional.

No trabalho, se a equipe não se dá bem com o chefe e precisam continuar a produzir, toca-se o barco. Mas se a relação com o comandante é boa, é óbvio que a produção vai melhorar, ainda que os trabalhadores sejam os mesmos. É o que parece ter acontecido com o Flamengo.

O time fez a sua melhor partida ontem, contra o líder Atlético-MG, e já vinha correndo bem mais desde o jogo contra o Santos. A relação boleira dos atletas com Andrade, em comparação com as crises envolvendo Cuca, parece ter relação direta com o empenho do time em campo. Não deram chances para o Galo, mesmo após levarem o gol cedo.

O Internacional retomou o caminho das vitórias, e os "corneteiros" de plantão silenciam por um tempo. Mesmo com a péssima fase, sabe qual a colocação do Colorado? 3º lugar. O time pode não ser o melhor do Brasil como se falava, mas com a volta da regularidade pode ficar pelo G-4 eternamente.

E vamos respeitar o Goiás cujo elenco, assim como no Atlético-MG, não atrai holofotes e vai comendo pelas beiradas. Precisa provar que essa fase é duradoura. O mesmo para o Vitória, que fora do Barradão tem uma campanha indefinida.

Os jogadores do Fluminense precisam começar um trabalho psicológico, independente de tudo o que já ocorreu na temporada. O elenco pode não ser uma unanimidade - nenhum time do campeonato é - mas também não significa um rebaixamento automático. Os atletas e o técnico precisam estar cientes de que, ao final, eles serão (vistos como) os responsáveis por qualquer que seja a campanha do time, e não os dirigentes ou a Unimed.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sinceramente, chorar não custa nada

Outra rodada passou, muitos gols foram feitos, e a cena mais marcante foi a de Andrade, técnico interino do Flamengo, chorando após a vitória contra o Santos. Chorava, antes de tudo, por ter alma rubro-negra, a ponto de se emocionar ao chamar o clube de fabuloso e poder dedicar uma vitória histórica (há 36 anos o Fla não vencia na Vila) a um companheiro falecido na véspera.

O choro de Andrade não justifica que seja escolhido técnico do Fla, pois é preciso requisitos que outras passagens do ex-craque no comando do time não demonstraram. Mas expressa que ainda existe uma relação com a essência do futebol, com as origens do esporte. E de maneira sincera, nada forçada. Ok, Andrade é jogador de outros tempos, mas imagine a garotada do Fla vendo aquela cena?

Quer outra atitude sincera e transparente? A alegria de Obina ao fazer três gols no Corinthians e a humildade diante da empolgação midiática chamando-o de fenômeno. "Tenho os pés no chão", disse o atacante, que teve que voltar de carona pra casa porque o pneu de seu carro furou.

Tanto em Andrade como em Obina estão representadas atitudes e histórias que fizeram do futebol um esporte rico em humanidade. É claro que a marra de Romário, as escapulidas de Ronaldo, os destemperos de Edmundo, o "nunca estou errado" de Luxemburgo e as grosserias de Muricy também contribuem.

Mas confesso que estou de saco cheio de muita falação e pouco futebol dentro de campo. Ou pouca sinceridade e humildade. Não aguento mais sentar na frente da TV e assistir uma série de crianças malcriadas fazendo beicinho por um monte de coisa. E isso vale tanto para os protagonistas do espetáculo como para seus analistas e repórteres.

Portanto, minha análise da rodada dá ênfase no que é real e faz bem: o choro de Andrade e o sorriso de Obina.

***

E o que mais dizer? O Atlético-MG perde em casa para o Goiás e tem a companhia do Palmeiras na liderança. A briga aí vai ser boa, e Celso Roth não deve querer o rótulo de "cavalo paraguaio".

O Avaí ressuscita com 4 vitórias seguidas; o Botafogo também, ao vencer o Inter (embora quase tenha se auto-sabotado ao permitir um empate); o Flamengo, sem armadores no meio-campo, precisa que Adriano acerte uma mega-chute quase da intermediária pra vencer o Santos.

O Fluminense, quando consegue chegar no gol adversário, esbarra na muralha Fábio, do Cruzeiro. E com as contusões mil, corre sério risco de rebaixamento.

O Corinthians faz liquidação e um de seus dirigentes diz que a torcida está errada ao reclamar - "futebol é business", disse ele. Como bem colocou Juca Kfouri, os clubes são entidades sem fins lucrativos e seu "negócio" é ganhar títulos, operando no azul. Tá tudo invertido. E sem André Santos, Cristian, Douglas e agora, Ronaldo, o Timão deve se distanciar do G-4.

O São Paulo parece voltar a se acertar. Mas aí tem Washington (um dos jogadores mais reclamões em campo, assim como Ibson e Juan, do Fla) expulso por xingar o juiz. É um garoto de 17 anos começando a carreira? Não, é um jogador rodado e importante para seu time. Pra você ver.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Complementando...

Nada como uma pequena insônia para completar a análise da rodada do meio de semana, não é mesmo? Passa da uma da manhã e eu já sei que o Atlético-MG prossegue líder, o Corinthians entra no G-4 e o Fluminense... Bem, o Fluminense... É, enfim.

Se havia um dos times grandes nada favorito e tampouco badalado, esse era o Galo. Ainda mais depois da derrota humilhante por 5 x 0 para o Cruzeiro na final do campeonato mineiro. Ninguém prestou atenção nele, não tem medalhões... E esse pode ter sido o maior trunfo de Celso Roth (como ele mesmo admitiu no programa Bem, Amigos). Agora todo mundo está de olho no líder, mas precisam compensar o prejuízo dos pontos que o Atlético não desperdiçou.

O que dizer do Fluminense? O primeiro gol do Atlético-MG reflete a zona que Renato Gaúcho NÃO vai resolver. Não resolveu em 2008, com um elenco melhor e mais entrosado, quanto mais agora. Prevejo uma agonia de algumas rodadas até que a Unimed Futebol Clube se dê conta que precisa de melhores jogadores e ordem na casa. Mas isso é pedir demais.

O Corinthians vai se desmanchando: André Santos, Cristian e agora Douglas segue viagem janela afora. A esperança alvinegra é no comprometimento do grupo com Mano Menezes, que fez seus atletas realizarem uma proeza: não erram passes. Ao menos, não como a maioria dos times do Brasileirão. Veja a jogada do segundo gol contra o Vitória.

Sport e Coritiba empataram. E daí? Um dia esses times voltam a ser protagonistas da competição, e aí a gente vai ter mais o que falar.

Absolutamente nada de novo no front

A rodada do meio de semana ainda está em andamento, e prometo comentar o que for interessante, mesmo que seja em outro post. Porque o assunto do dia é a demissão de Cuca do Flamengo, por mais que tenha sido anunciada desde antes da contratação do bom porém inseguro treinador.

É o mesmo rame-rame diante do qual nem o tão bem falado São Paulo escapou: uma hora a corda arrebenta para o lado do técnico. Fico impressionado: como a questão cultural está arraigada no nosso país! Na Inglaterra, onde os torcedores são muito mais fanáticos, você vê Alex Ferguson há 23 anos à frente do Manchester United.

Quer outro exemplo impressionante? O Liverpool, em mais de 100 anos de história, teve apenas... 18 técnicos. Rafa Benitez está lá há cinco anos. E não pense que isso se dá só porque os times são ricos, pois faz tempo que o Arsenal está na seca de títulos e ninguém pensa em tirar Arsene Wengler, que é técnico do time desde 1996.

Voltando à realidade nacional: enquanto nossos dirigentes não encarnarem de vez a missão de planejar a longo prazo, dificilmente a cultura muda. No momento das tempestades - pois é impossível o time ir bem em todos os campeonatos, em todos os anos - a diretoria deveria "bancar" o técnico em quem apostou. E deixar a torcida "cornetar" até ficar rouca e ver que não adianta.

Mas esses manda-chuvas são espertos, posto que alérgicos a qualquer tipo de responsabilidade. Se tomam uma atitude dessas, precisam arcar com o ônus de serem pára-raios das queixas, ao menos até a situação melhorar. Melhor sacrificar o técnico, não é mesmo?

Muricy poderia ter ficado no São Paulo por muito mais tempo, assim como Luxemburgo no Palmeiras, Celso Roth no Grêmio e Cuca no Flamengo. Mas a passionalidade da torcida não deixa barato, e beira a irracionalidade se os resultados não aparecem logo. Já não são incomuns as ameaças (e agressões) de todo o tipo quando a vontade de certos grupos de torcedores não é atendida.

E assim vamos. Cuca só não tinha saído do Fla porque não havia opções factíveis no mercado. Com Vágner Mancini dando sopa, a hora é agora. Quem pedia a saída de Cuca imagina que o novo técnico (seja quem for) ainda vai conhecer o elenco, armar a equipe, criar um relacionamento etc etc...? E nisso vão umas 3, 4 rodadas do Brasileirão.

Faço apenas uma exceção (ao menos até agora): o Internacional está mantendo Tite mesmo numa fase péssima, em pleno ano do centenário. Tomara que não seja fogo de palha.

ATUALIZAÇÃO EM 24/07: Se essa história é verdade, a diretoria tem um pouco menos de culpa. Mas se ela já sabia que esse tipo de coisa acontecia, tinha que ter enquadrado o treinador há muito mais tempo.

Se essa história for verdade.

****

Quanto aos jogos de ontem: o Avaí mostra o que é se recuperar num campeonato por pontos corridos: saiu da penúltima para a 11ª posição em poucas rodadas, encontrando enfim as vitórias. Ah, é outro time que mantém o técnico (Silas, desde a Série B em 2008).

O São Paulo reagiu bem contra o Inter, mas ainda é muito cedo pra dizer que ele pode assustar como fez nos últimos anos. E o Botafogo fica na ilusão de que as coisas melhoraram muito... Menos, menos. Se "Juninho é o cara" e tudo que é gol depende dele, não dá pra se empolgar.

O Barueri não perde a pose de time arrumadinho e deu um sufoco no atabalhoado Falemngo em pleno Maracanã. O rubro-negro, ao menos, pode dizer que resolveu o ataque: Adriano e/ou Emerson não passam em branco.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

É hora de apostar

Até porque novas fichas vão surgindo. E a janela de transferências de agosto pode ser decisiva para que um time decole para o título: o Corinthians.

O Timão tirou do São Paulo o rótulo de "joga feio, mas é eficiente". Até o primeiro gol contra o Cruzeiro, o Corinthians só se defendia sem ameaçar. E no primeiro contra-ataque, com bola de pé em pé, fez 1 x 0. A objetividade do time de Mano Menezes é impressionante.

E com Ronaldo garantido, quem mais do elenco alvinegro tem possibilidade de sair na janela? André Santos e Elias? O primeiro é mascarado. O segundo pode fazer falta, mas nada que Mano não dê jeito com outro jogador mediano. Ao contrário dos demais elencos, a espinha dorsal do Corinthians não é cobiçada pelo exterior.

O Atlético-MG conseguiu tirar os primeiros pontos do Vitória no Barradão, e se segura na ponta. É difícil um time que desde o começo é líder permanecer com o mesmo fôlego até o fim. Não será ruim para o time de Celso Roth se perder algumas partidas para depois voltar à carga na reta final.

Enquanto isso, o Barueri se assanha de vez e não desperdiça as chances que aparecem. Não deu mole para o quase-rebaixado Náutico e dá pinta que fica na Série A, mesmo tendo perdido seu artilheiro Pedrão. Se o Santo André seguir o exemplo, serão mais dois jogos em que os times paulistas vão jogar sempre "em casa".

No Rio, mais um Flamengo x Botafogo recheado de polêmicas, emoções e... empates. Outro 2 x 2 em que o time alvinegro jogou com o coração na ponta da chuteira e o rubro-negro demorou para acordar na partida.

O árbitro nervosinho errou muito: não houve falta antes do gol anulado de André Lima, nem na jogada entre Castillo e Emerson antes do gol de Adriano. Mas também não foi na jogada do segundo gol do Fla.

O Botafogo saiu no prejuízo, pois mesmo com os erros acima poderia ter liquidado o jogo num dos muitos contra-ataques desperdiçados. O Flamengo não tem armação de jogadas, e Adriano viu que se movimentando mais consegue minimizar isso. Mas a insegurança e a inexperiência da zaga - que é boa, ao contrário do que muitos pensam - estão desestabilizando o time.

E o Fluminense, hein? O último a sair apaga a luz... E lá vem Renight again!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

No Mineirão?

Difícil acreditar que o Cruzeiro perdeu o título da Libertadores 2009 em casa, de virada, com todos os gols no segundo tempo. O Estudiantes não assusta ninguém, mas a raça argentina move montanhas quando menos se espera. Verón jogou bem, mas Ramires jogou mal, e só nisso o time brasileiro já levou alta desvantagem.

Sei de tudo isso por informações da imprensa logo após a final. Isso porque a Globo não deixou os torcedores brasileiros de boa parte do país acompanharem a decisão - situação bem explicada pelo Blá Blá Gol. Fui acompanhar Palmeiras e... Havia outro time jogando no Maracanã?

Havia, reunindo toda a incompetência possível. O Flamengo inventa novos e novos erros pra deixar seus adversários à vontade. Até Kléberson apanhou da bola, e o Palmeiras ficou surpreso com contra-ataques tão fáceis de transformar em gol.

A hostilidade ao técnico Cuca saiu da geladeira (esteve sempre de plantão) e fica difícil pra qualquer garoto ou jogador novo se afirmar com tanta pressão e indefinição nas escalações. Léo Moura já se barrou, o que falta pra oficializar? O Verdão, bem arrumado, teve em Diego Souza, Ortigoza e Armero a passagem pra vice-liderança do Brasileirão.

O Flu, à beira de um ataque de nervos - e do rebaixamento, já na 11a. rodada - quase complica a vida do Internacional ao empatar depois de um 0 x 2. Mas Taison voltou a jogar bola, Fred voltou a se esquentar e a crise se aninha nas Laranjeiras com gosto. O Colorado, apesar dos recentes tropeços, merece estar em primeiro.

O Santos quase perde do Barueri, time que vai dar ainda mais trabalho enquanto os demais não o levarem a sério. Quanto ao Santo André, ainda não sinto firmeza numa constância como a de seu "primo" do interior paulista.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Desisto de comentar

Por vezes eu penso: pra que gastar linhas e mais linhas sobre o Brasileirão se você não vê lógica alguma, rodada após rodada?

Quando eu me preparava pra elogiar o Corinthians após a bela vitória contra o Fluminense, o Timão apanha de 3 fora de casa. E foi do Grêmio, que tem andado em baixa.

O Flamengo joga bem no Morumbi, mas não sabe ficar em vantagem númerica - nem nos jogadores, nem no placar. Parece torcer pra levar gols desnecessários. E o que foi o gol perdido de Adriano????

O Inter prossegue com o calvário, quase se esquecendo do que é vencer.

Enquanto isso, o Vitória goleia o Santos e não sai do G-4. É um dos poucos times com regularidade, além do Atlético-MG e do Barueri.

Agora, mais viral que gripe suína é a moda de demitir técnicos consagrados: Muricy, Luxemburgo e Parreira. Vagner Mancini se junta ao grupo - ainda não é consagrado, mas levou um "pé" do mesmo jeito. Condeno a imaturidade de muitos dirigentes em sacrificar o técnico quando o problema é no elenco. Mas estou adorando esses comandantes marrentos e fanfarrões das entrevistas coletivas sumirem da TV por um tempo.